O Banco Master declarou à Receita Federal ter pago R$ 3 milhões no ano passado à empresa do ex-chefe de Regulação do Banco Central João André Calviño Marques Pereira, a JGM Solutions.
João André foi chefe do departamento de abril de 2018 a janeiro de 2024. (Foto: Raphael Ribeiro/Banco Central do Brasil)
O Banco Master declarou à Receita Federal ter pago R$ 3 milhões no ano passado à empresa do ex-chefe de departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central João André Calviño Marques Pereira, a JGM Solutions.
João André foi chefe do departamento de abril de 2018 a janeiro de 2024 —período que compreende as presidências de Ilan Goldfajn e Roberto Campos Neto. Ele pediu uma licença do Banco Central em março de 2024 e, por fim, a exoneração do cargo de auditor em junho de 2025.
O pagamento à JGM Solutions consta na DIRF (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte) de 2025 do Master, entregue pela Receita Federal à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado do Senado.
A declaração não diz em que mês ocorreu o pagamento à empresa, apenas a quantia, o valor do imposto retido na fonte (no caso dele, de R$ 45 mil) e o código usado pela Receita Federal, que indica prestação de serviços de pessoa jurídica para pessoa jurídica.
Segundo o ex-servidor do BC, os pagamentos ocorreram a partir de agosto de 2025, quando ele já havia sido exonerado da autarquia.
Ele afirma que, na consultoria prestada ao Master, usou sua experiência em governança e regulação para colaborar na elaboração do plano de reestruturação da instituição junto aos órgãos reguladores.
A JGM Solutions é uma empresa de consultoria financeira. Quando pediu licença do BC, em 2024, João André passou a prestar serviços no ramo de seguros privados. Nessa época, o então servidor fez uma consulta à Comissão de Ética Pública sobre questões relacionadas a conflito de interesses.
Procurado, João André disse em nota que jamais tratou de assuntos pertinentes ao Banco Master durante todo o período em que integrou o Banco Central. Ele afirmou também que nunca realizou reunião com Daniel Vorcaro no BC, “nem participou de qualquer ato deliberativo relacionado à aprovação de aquisição ou transferência de controle de qualquer instituição financeira, incluindo o Banco Máxima.”
Ele disse também que, a partir da licença, perdeu acesso a sistemas, processos ou informações sensíveis do Banco Central, deixando de participar de deliberações a cargo da autarquia.
Uma sindicância aberta pelo Banco Central confirmou indícios de irregularidades e aumento patrimonial suspeito dos dois servidores. Eles foram alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, em janeiro, sendo investigados pela Polícia Federal por suposto favorecimento ao Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em troca de vantagens indevidas.
O relatório da sindicância foi enviado à CGU (Controladoria-Geral da União), que abriu um PAD (processo administrativo disciplinar). Ao final do PAD, os dois devem ser expulsos do BC.
A investigação interna do BC não encontrou indícios de participação de outros técnicos, além dos dois ex-gestores investigados. A CGU até o momento também não localizou novos integrantes da organização criminosa de Vorcaro no órgão.
Integrantes do BC, que falaram na condição de anonimato à reportagem, negam que o órgão tenha identificado mais suspeitos.
A empresa de João André foi aberta em fevereiro de 2025 junto da esposa, Manuela Bezerra Parques Pereira, com capital social de R$ 10 mil.
O contrato social registrado na Jucis-DF (Junta Comercial, Industrial e Serviços do Distrito Federal) descreve que a JGM tem, entre as suas atividades econômicas, a prestação de serviços de consultoria e assessoria financeira, econômica e estratégica, incluindo uma série serviços relacionados ao setor.
Já no cadastro nacional de pessoa jurídica na Receita Federal consta a prestação de serviços de tradução, liquidação, custódia, treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial, desenvolvimento e licenciamento de programas de computador customizáveis, serviços combinados de escritório e apoio administrativo, preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo. Com informações da Folha de São Paulo.
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O Banco Master declarou à Receita Federal ter pago R$ 3 milhões no ano passado à empresa do ex-chefe de Regulação do Banco Central João André Calviño Marques Pereira, a JGM Solutions.
João André foi chefe do departamento de abril de 2018 a janeiro de 2024. (Foto: Raphael Ribeiro/Banco Central do Brasil)
O Banco Master declarou à Receita Federal ter pago R$ 3 milhões no ano passado à empresa do ex-chefe de departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central João André Calviño Marques Pereira, a JGM Solutions.
João André foi chefe do departamento de abril de 2018 a janeiro de 2024 —período que compreende as presidências de Ilan Goldfajn e Roberto Campos Neto. Ele pediu uma licença do Banco Central em março de 2024 e, por fim, a exoneração do cargo de auditor em junho de 2025.
O pagamento à JGM Solutions consta na DIRF (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte) de 2025 do Master, entregue pela Receita Federal à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado do Senado.
A declaração não diz em que mês ocorreu o pagamento à empresa, apenas a quantia, o valor do imposto retido na fonte (no caso dele, de R$ 45 mil) e o código usado pela Receita Federal, que indica prestação de serviços de pessoa jurídica para pessoa jurídica.
Segundo o ex-servidor do BC, os pagamentos ocorreram a partir de agosto de 2025, quando ele já havia sido exonerado da autarquia.
Ele afirma que, na consultoria prestada ao Master, usou sua experiência em governança e regulação para colaborar na elaboração do plano de reestruturação da instituição junto aos órgãos reguladores.
A JGM Solutions é uma empresa de consultoria financeira. Quando pediu licença do BC, em 2024, João André passou a prestar serviços no ramo de seguros privados. Nessa época, o então servidor fez uma consulta à Comissão de Ética Pública sobre questões relacionadas a conflito de interesses.
Procurado, João André disse em nota que jamais tratou de assuntos pertinentes ao Banco Master durante todo o período em que integrou o Banco Central. Ele afirmou também que nunca realizou reunião com Daniel Vorcaro no BC, “nem participou de qualquer ato deliberativo relacionado à aprovação de aquisição ou transferência de controle de qualquer instituição financeira, incluindo o Banco Máxima.”
Ele disse também que, a partir da licença, perdeu acesso a sistemas, processos ou informações sensíveis do Banco Central, deixando de participar de deliberações a cargo da autarquia.
Uma sindicância aberta pelo Banco Central confirmou indícios de irregularidades e aumento patrimonial suspeito dos dois servidores. Eles foram alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, em janeiro, sendo investigados pela Polícia Federal por suposto favorecimento ao Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em troca de vantagens indevidas.
O relatório da sindicância foi enviado à CGU (Controladoria-Geral da União), que abriu um PAD (processo administrativo disciplinar). Ao final do PAD, os dois devem ser expulsos do BC.
A investigação interna do BC não encontrou indícios de participação de outros técnicos, além dos dois ex-gestores investigados. A CGU até o momento também não localizou novos integrantes da organização criminosa de Vorcaro no órgão.
Integrantes do BC, que falaram na condição de anonimato à reportagem, negam que o órgão tenha identificado mais suspeitos.
A empresa de João André foi aberta em fevereiro de 2025 junto da esposa, Manuela Bezerra Parques Pereira, com capital social de R$ 10 mil.
O contrato social registrado na Jucis-DF (Junta Comercial, Industrial e Serviços do Distrito Federal) descreve que a JGM tem, entre as suas atividades econômicas, a prestação de serviços de consultoria e assessoria financeira, econômica e estratégica, incluindo uma série serviços relacionados ao setor.
Já no cadastro nacional de pessoa jurídica na Receita Federal consta a prestação de serviços de tradução, liquidação, custódia, treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial, desenvolvimento e licenciamento de programas de computador customizáveis, serviços combinados de escritório e apoio administrativo, preparação de documentos e serviços especializados de apoio administrativo. Com informações da Folha de São Paulo.
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