O Pix só começou a ser desenvolvido pelos técnicos do Banco Central em maio de 2018, ainda no governo de Michel Temer. (Fotos: Reprodução e Ricardo Stuckert/PR)
Os novos ataques do governo dos Estados Unidos contra o sistema de pagamentos Pix nesta semana reacenderam no Brasil um debate sobre quando e por quem foi criada a tecnologia.
Na segunda-feira (1º), o governo americano concluiu uma grande investigação comercial iniciada contra o Brasil em julho do ano passado. O relatório tinha o Pix como um de seus alvos.
“O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix”, afirma o documento.
No dia seguinte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apareceu com um cartaz durante um evento em Goiás que dizia: “O Pix é do Brasil”.
“Viram que eu entrei aqui com essa faixa: ‘O Pix é do Brasil’. É porque ontem, o presidente americano, numa atitude intempestiva – porque nós estávamos negociando depois da minha visita ao presidente [Donald] Trump – de forma intempestiva, anunciou um aumento de taxação das coisas brasileiras para 25%, com base numa mentira”, disse Lula, que é pré-candidato na eleição presidencial de outubro.
“Eu falei para ele: ô, Trump, ô cara, ao invés de ter medo do Pix, coloca o Pix para funcionar nos EUA. Faz um Pix para nós.”
Um dia depois, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exibiu em um evento em Minas Gerais um cartaz que dizia: “O Pix é do Brasil e do Bolsonaro”.
Em seu discurso, ele disse: “É mentira que o Pix está ameaçado. Não tem absolutamente nada a ver o meio de pagamento com isso tudo. O Pix é brasileiro, foi feito pelo [ex] presidente [Jair] Bolsonaro. O Pix não é taxado porque o presidente Bolsonaro assim determinou que não fosse, é algo que revolucionou na segurança, então isso não está em discussão”.
Afinal, como foi criado o Pix?
O Pix é um sistema de pagamento instantâneo criado por técnicos do Banco Central, que permite transferir dinheiro entre contas em segundos, a qualquer hora e dia. É conhecido por ser rápido e seguro e pode ser usado a partir de contas correntes, poupança ou pré-pagas.
O sistema se popularizou no Brasil e possui números impressionantes. Segundo o Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas físicas – o que equivale a 80% da população brasileira – já fizeram uma transferência por Pix. Até outubro do ano passado, mais de R$ 3 trilhões haviam sido movimentados por Pix.
Só em janeiro deste ano, foram realizadas mais de 7 bilhões de transações. No dia 12 de dezembro de 2025 o sistema registrou seu recorde: foram 313 milhões de transações em um mesmo dia.
Banco Central
Segundo um relatório de 2022 do Banco Central sobre o Pix, a primeira manifestação sobre “soluções que permitam, a baixo custo, pagamentos de varejo em tempo real e ininterruptos” aconteceu em 2014, durante o governo de Dilma Rousseff, em um relatório Relatório de Vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro.
Mas o Pix só começou a ser desenvolvido pelos técnicos do Banco Central em maio de 2018 – ainda no governo de Michel Temer. Entre a criação de um grupo de trabalho específico e o lançamento do sistema, se passaram cerca de 31 meses.
A portaria 97.909 de maio de 2018 do Banco Central instituiu um grupo de trabalho com objetivo de “contribuir para a construção de um ecossistema de pagamentos instantâneos competitivo, eficiente, seguro e inclusivo”.
O nome Pix ainda não era usado nessa ocasião. Mas algumas bases do sistema já estavam definidas nessa portaria.
O grupo de trabalho para pagamentos instantâneos (GT-PI) de maio de 2018 foi, segundo o Banco Central, “a primeira etapa para o desenvolvimento dos pagamentos instantâneos no Brasil”. Esse grupo esteve aberto a qualquer parte interessada no tema, e recebeu contribuições de mais de 130 participantes.
Em dezembro de 2018, o último mês do governo Temer, o Banco Central divulgou o comunicado 32.927 no qual estabeleceu requisitos fundamentais do Pix que foram aprovados pela diretoria colegiada da instituição. Nesse comunicado, o BC se posicionou oficialmente como líder do processo de desenvolvimento e implementação do Pix.
A partir de outubro de 2019, já no governo Bolsonaro, a infraestrutura tecnológica começou a ser desenvolvida.
Um ano após o começo do desenvolvimento da infraestrutura tecnológica, em outubro de 2020, foi iniciado o cadastramento de chaves por usuários iniciais. Em 3 de novembro, o sistema começou a funcionar de forma restrita – e em 16 de novembro ele passou a operar de forma plena. (Com informações da Folha de S.Paulo)
Kassab postou foto com Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr, o trio de presidenciáveis do PSD. (Foto: Reprodução/X) Encorpado com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o movimento do PSD de construir uma alternativa na disputa presidencial deste ano encontra como obstáculo o histórico das eleições brasileiras, nas quais os polos que …
A entrevista será a primeira manifestação pública do ex-presidente desde que foi preso. Foto: Reprodução A entrevista será a primeira manifestação pública do ex-presidente desde que foi preso. (Foto: Reprodução) A entrevista ocorre entre 11h e meio-dia, e será a primeira manifestação pública do ex-presidente, desde que ele foi preso. Será também a primeira vez …
Oposição não deve conseguir aprovar uma anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos no 8 de Janeiro. (Foto: Reprodução) Nos últimos dias, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma série de medidas para tentar evitar a aprovação da urgência do projeto da anistia na Câmara dos Deputados. Entre as …
Grupo do ex-presidente avalia acionar STF por melhor acesso de advogados e políticos. (Foto: Antonio Augusto/STF) A transferência de Jair Bolsonaro (PL) para a prisão domiciliar na última sexta-feira (27) foi recebida com alívio por familiares e aliados do ex-presidente, mas não conteve críticas à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal …
Quem criou o Pix? Saiba como nasceu o sistema de pagamentos brasileiro que está na mira de Donald Trump
O Pix só começou a ser desenvolvido pelos técnicos do Banco Central em maio de 2018, ainda no governo de Michel Temer. (Fotos: Reprodução e Ricardo Stuckert/PR)
Os novos ataques do governo dos Estados Unidos contra o sistema de pagamentos Pix nesta semana reacenderam no Brasil um debate sobre quando e por quem foi criada a tecnologia.
Na segunda-feira (1º), o governo americano concluiu uma grande investigação comercial iniciada contra o Brasil em julho do ano passado. O relatório tinha o Pix como um de seus alvos.
“O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix”, afirma o documento.
No dia seguinte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apareceu com um cartaz durante um evento em Goiás que dizia: “O Pix é do Brasil”.
“Viram que eu entrei aqui com essa faixa: ‘O Pix é do Brasil’. É porque ontem, o presidente americano, numa atitude intempestiva – porque nós estávamos negociando depois da minha visita ao presidente [Donald] Trump – de forma intempestiva, anunciou um aumento de taxação das coisas brasileiras para 25%, com base numa mentira”, disse Lula, que é pré-candidato na eleição presidencial de outubro.
“Eu falei para ele: ô, Trump, ô cara, ao invés de ter medo do Pix, coloca o Pix para funcionar nos EUA. Faz um Pix para nós.”
Um dia depois, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exibiu em um evento em Minas Gerais um cartaz que dizia: “O Pix é do Brasil e do Bolsonaro”.
Em seu discurso, ele disse: “É mentira que o Pix está ameaçado. Não tem absolutamente nada a ver o meio de pagamento com isso tudo. O Pix é brasileiro, foi feito pelo [ex] presidente [Jair] Bolsonaro. O Pix não é taxado porque o presidente Bolsonaro assim determinou que não fosse, é algo que revolucionou na segurança, então isso não está em discussão”.
Afinal, como foi criado o Pix?
O Pix é um sistema de pagamento instantâneo criado por técnicos do Banco Central, que permite transferir dinheiro entre contas em segundos, a qualquer hora e dia. É conhecido por ser rápido e seguro e pode ser usado a partir de contas correntes, poupança ou pré-pagas.
O sistema se popularizou no Brasil e possui números impressionantes. Segundo o Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas físicas – o que equivale a 80% da população brasileira – já fizeram uma transferência por Pix. Até outubro do ano passado, mais de R$ 3 trilhões haviam sido movimentados por Pix.
Só em janeiro deste ano, foram realizadas mais de 7 bilhões de transações. No dia 12 de dezembro de 2025 o sistema registrou seu recorde: foram 313 milhões de transações em um mesmo dia.
Banco Central
Segundo um relatório de 2022 do Banco Central sobre o Pix, a primeira manifestação sobre “soluções que permitam, a baixo custo, pagamentos de varejo em tempo real e ininterruptos” aconteceu em 2014, durante o governo de Dilma Rousseff, em um relatório Relatório de Vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro.
Mas o Pix só começou a ser desenvolvido pelos técnicos do Banco Central em maio de 2018 – ainda no governo de Michel Temer. Entre a criação de um grupo de trabalho específico e o lançamento do sistema, se passaram cerca de 31 meses.
A portaria 97.909 de maio de 2018 do Banco Central instituiu um grupo de trabalho com objetivo de “contribuir para a construção de um ecossistema de pagamentos instantâneos competitivo, eficiente, seguro e inclusivo”.
O nome Pix ainda não era usado nessa ocasião. Mas algumas bases do sistema já estavam definidas nessa portaria.
O grupo de trabalho para pagamentos instantâneos (GT-PI) de maio de 2018 foi, segundo o Banco Central, “a primeira etapa para o desenvolvimento dos pagamentos instantâneos no Brasil”. Esse grupo esteve aberto a qualquer parte interessada no tema, e recebeu contribuições de mais de 130 participantes.
Em dezembro de 2018, o último mês do governo Temer, o Banco Central divulgou o comunicado 32.927 no qual estabeleceu requisitos fundamentais do Pix que foram aprovados pela diretoria colegiada da instituição. Nesse comunicado, o BC se posicionou oficialmente como líder do processo de desenvolvimento e implementação do Pix.
A partir de outubro de 2019, já no governo Bolsonaro, a infraestrutura tecnológica começou a ser desenvolvida.
Um ano após o começo do desenvolvimento da infraestrutura tecnológica, em outubro de 2020, foi iniciado o cadastramento de chaves por usuários iniciais. Em 3 de novembro, o sistema começou a funcionar de forma restrita – e em 16 de novembro ele passou a operar de forma plena. (Com informações da Folha de S.Paulo)
Related Posts
Apesar de sempre despontarem com força, ex-governadores não conseguiram conquistar a Presidência durante a Nova República, com exceção de Fernando Collor
Kassab postou foto com Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr, o trio de presidenciáveis do PSD. (Foto: Reprodução/X) Encorpado com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o movimento do PSD de construir uma alternativa na disputa presidencial deste ano encontra como obstáculo o histórico das eleições brasileiras, nas quais os polos que …
Alexandre de Moraes autoriza Bolsonaro a dar entrevista na prisão
A entrevista será a primeira manifestação pública do ex-presidente desde que foi preso. Foto: Reprodução A entrevista será a primeira manifestação pública do ex-presidente desde que foi preso. (Foto: Reprodução) A entrevista ocorre entre 11h e meio-dia, e será a primeira manifestação pública do ex-presidente, desde que ele foi preso. Será também a primeira vez …
Urgência para anistia: governo sofre derrota, mas oposição tem “vitória pela metade”
Oposição não deve conseguir aprovar uma anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos no 8 de Janeiro. (Foto: Reprodução) Nos últimos dias, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma série de medidas para tentar evitar a aprovação da urgência do projeto da anistia na Câmara dos Deputados. Entre as …
Aliados contestam regras da prisão de Bolsonaro; defesa estuda recorrer
Grupo do ex-presidente avalia acionar STF por melhor acesso de advogados e políticos. (Foto: Antonio Augusto/STF) A transferência de Jair Bolsonaro (PL) para a prisão domiciliar na última sexta-feira (27) foi recebida com alívio por familiares e aliados do ex-presidente, mas não conteve críticas à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal …