Rejeição a Messias no Senado e derrubada do veto ao PL da Dosimetria colocam em xeque trabalho de auxiliares como Sidônio Palmeira (foto) e José Guimarães. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Os seguidos reveses do governo no Congresso, com a derrota histórica de indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto ao PL da Dosimetria, aliados a pesquisas que mostram a desaprovação em alta, evidenciaram o mau momento de ministros considerados estratégicos na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que a sucessão de crises colocou em xeque o trabalho de auxiliares como Sidônio Palmeira (Comunicação Social), José Guimarães (Relações Institucionais), Wellington César Lima e Silva (Justiça) e o próprio Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), que teve a ida para a Corte máxima barrada no Senado.
Após a rejeição de seu nome, interlocutores do governo afirmam que não há mais condições de ele continuar à frente da AGU – algo que Messias também sinalizou não desejar. A avaliação é que a derrota comprometeu a viabilidade política do ministro no cargo, diante da dificuldade de manter interlocução com integrantes do STF e do Congresso.
Entre os destinos debatidos para Messias, uma das possibilidades é que ele seja realocado no Ministério da Justiça, recém-assumido por Lima e Silva após a saída de Ricardo Lewandowski. Não é à toa: a área da segurança é uma das frentes em que o governo tem mais dificuldade de apresentar resultados concretos, ao mesmo tempo em que deve ter papel central nas discussões eleitorais deste ano.
Aliados do Planalto afirmam também que o atual comando da pasta, que assumiu em janeiro, ainda não conseguiu assumir protagonismo em pautas que poderiam favorecer o governo, como ações voltadas ao combate à misoginia e ao feminicídio ou o enfrentamento a facções criminosas.
Além disso, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública segue parada no Senado, enquanto o projeto antifacção foi desfigurado pelo Congresso, transformando o que seria uma bandeira eleitoral de Lula em um trunfo para a oposição.
Auxiliares do ministro, por sua vez, afirmam que não há, até o momento, sinalização de Lula sobre uma eventual troca. A avaliação é que o presidente cobra resultados, mas também demonstra apoio ao trabalho desenvolvido. Lima e Silva também não quis se manifestar.
No entorno do ministro, a leitura é que a movimentação sobre mudanças no primeiro escalão está mais associada à busca de alternativas para Messias do que a uma insatisfação com a condução da Justiça. Integrantes do ministério reconhecem, no entanto, que há espaço para ajustes, especialmente na área de comunicação. O diagnóstico é que ações da pasta não têm sido divulgadas com a intensidade desejada, o que impacta diretamente a percepção da população.
Foco de desgaste
Essa avaliação, entretanto, não se restringe às ações na área de segurança. A atuação do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, passou a ser foco de desgaste dentro do governo e do próprio PT. Aliados apontam que há dificuldades para transformar iniciativas da gestão petista em capital político e que, nas redes sociais, “apanha mais do que bate”.
Episódios recentes, como a repercussão negativa de um vídeo de Lula com a primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, durante o almoço de Páscoa, são citados como exemplos de falhas na estratégia digital. Na ocasião, Janja falou sobre o preparo da carne de paca.
Durante o 8º Congresso do PT, realizado de 24 a 26 de abril, propostas de comunicação foram apresentadas à militância, mas consideradas insuficientes por participantes do evento, que apontaram falta de ferramentas mais eficazes para o enfrentamento digital.
Esse cenário ocorre em um momento de crescente pressão eleitoral sobre o governo. Pesquisas recentes indicam aproximação entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro tanto no primeiro turno quanto em cenários de segundo turno, além de apontarem aumento da rejeição ao nome de Lula e sinais de queda em sua taxa de aprovação. Levantamento Genial/Quaest divulgado em meados de abril mostra Lula com 37% das intenções de voto em um eventual primeiro turno, seguido por Flávio, com 32%.
Aliados do governo avaliam que o avanço do principal nome da direita amplia a cobrança por resultados e reduz a margem de erro do Planalto, sobretudo em votações sensíveis no Congresso.
Diante disso, a aposta do governo está em pautas com maior potencial de apelo popular, como a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1, como forma de recuperar terreno na opinião pública. Para isso, porém, contam com a articulação política de Guimarães, que assumiu a Secretaria de Relações Institucionais após a saída de Gleisi Hoffmann (PT-PR), no início do mês.
Guimarães é visto como um nome com boa interlocução no Congresso, incluindo lideranças como Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente. Ainda assim, sua principal missão inicial, que consistia em garantir a aprovação de Messias, não foi cumprida. (Com informações do jornal O Globo)
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Foco de desgaste
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