Governistas consideram que chefe da AGU depositou confiança excessiva na bancada evangélica e cometeu outros tropeços. (Foto: Reprodução)
Embora governistas atribuam a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) a uma articulação política liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também reconhecem falhas do próprio indicado na condução do processo que culminou na derrota no plenário do Senado nesta semana.
Derrotado, Messias teve 34 votos favoráveis, sete a menos do que o necessário, e 42 contrários. Desde então, numa espécie de caça às bruxas, a articulação política do Executivo virou alvo de queixas, e o governo passou a buscar responsáveis pelo resultado, contabilizando possíveis traições, principalmente em partidos como MDB, PSD e PP.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que Messias contribuiu para o desfecho ao insistir no envio da mensagem presidencial ao Congresso para destravar o processo no Senado, mesmo sem um panorama confortável.
Segundo esses interlocutores, o chefe da AGU depositou confiança excessiva ao suposto apoio entre integrantes da oposição, com destaque à bancada evangélica, após uma campanha a seu favor ter sido desencadeada pelo ministro André Mendonça, do STF.
Mendonça, assim como Messias, é evangélico, e se tornou uma das principais figuras atuando pela aprovação do ministro.
Esses aliados de Lula também apontam como um erro de estratégia a proximidade de Messias com o ministro nesse processo. Mendonça é relator no STF do caso envolvendo o Banco Master e as investigações de fraudes no INSS no Supremo, que devem atingir integrantes do Legislativo.
Além disso, caso fosse aprovado, Messias poderia desequilibrar o jogo de forças a favor de Mendonça, desagradando a ministros como Alexandre de Moraes. Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, Moraes também participou do movimento para derrotar Messias no Senado. O ministro é próximo de Alcolumbre.
Outro ponto levantado por aliados foram declarações de Messias em defesa do código de conduta defendido pelo presidente do STF, Edson Fachin. O tema é considerado espinhoso e divide o tribunal. Essas falas do chefe da AGU incomodaram os ministros que são contra a forma como esse tema tem sido discutido, num momento em que há uma disputa interna na Corte.
Também foi considerado um erro por esses governistas o fato de Messias ter participado de jantar com senadores na casa do senador Lucas Barreto (PSD-AP), desafeto de Alcolumbre e adversário do senador no Amapá. Na avaliação desses aliados, isso teria contribuído para azedar de vez a relação com Alcolumbre, já que esse gesto poderia ser interpretado como uma afronta política.
Para interlocutores do Planalto, houve erro de avaliação política ao não reconhecer a deterioração do ambiente no Senado, especialmente após o avanço de resistências internas e a atuação direta de Alcolumbre contra a indicação.
Eles afirmam também que o desfecho de Messias está ligado a uma série de fatores, como o avanço das investigações do caso Master, algo que preocupa a cúpula do Congresso, a insatisfação dos parlamentares com o governo federal e com o STF e a proximidade das eleições, num momento em que a expectativa de poder cresce na candidatura de Flávio Bolsonaro.
No Congresso, há também queixas sobre a própria atuação do presidente da República no processo. Senadores dizem que o petista não se envolveu tanto quanto poderia para atuar na melhoria da relação com Alcolumbre e até mesmo para buscar votos junto a senadores mais próximos.
Eles são incisivos ao dizer que a indicação de uma vaga ao Supremo cabe à Presidência da República, mas afirmam que o processo – desde a oficialização do nome de Messias até a demora do envio da mensagem presidencial ao Congresso – teve falhas que poderiam ter sido evitadas.
Três ministros minimizaram eventuais erros de Messias e se queixaram da articulação política do governo. Eles dizem que faltou maior empenho dos líderes do governo no Congresso e até mesmo da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), pasta chefiada por José Guimarães e responsável pela articulação do Executivo no Legislativo.
Um deles afirma que não foi procurado em nenhum momento pelo Planalto com orientações de como o governo deveria agir no processo de convencimento junto aos senadores. Outro diz que buscou Messias diretamente para traçar estratégias diante da falta de um comando unificado.
Eles avaliam que diante da resistência de Alcolumbre, coube ao chefe da AGU buscar a oposição e demais senadores para tentar viabilizar sua aprovação – o ministro conversou individualmente com a grande maioria dos parlamentares. Eles afirmam que o ministro é um injustiçado nesse processo e que os próprios senadores reconhecem que, não fosse a conjuntura política atual, ele teria seu nome aprovado. (Com informações do jornal O Globo)
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Aliados de Lula também veem erros de Messias na condução do processo que levou à derrota histórica no Senado
Governistas consideram que chefe da AGU depositou confiança excessiva na bancada evangélica e cometeu outros tropeços. (Foto: Reprodução)
Embora governistas atribuam a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) a uma articulação política liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também reconhecem falhas do próprio indicado na condução do processo que culminou na derrota no plenário do Senado nesta semana.
Derrotado, Messias teve 34 votos favoráveis, sete a menos do que o necessário, e 42 contrários. Desde então, numa espécie de caça às bruxas, a articulação política do Executivo virou alvo de queixas, e o governo passou a buscar responsáveis pelo resultado, contabilizando possíveis traições, principalmente em partidos como MDB, PSD e PP.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que Messias contribuiu para o desfecho ao insistir no envio da mensagem presidencial ao Congresso para destravar o processo no Senado, mesmo sem um panorama confortável.
Segundo esses interlocutores, o chefe da AGU depositou confiança excessiva ao suposto apoio entre integrantes da oposição, com destaque à bancada evangélica, após uma campanha a seu favor ter sido desencadeada pelo ministro André Mendonça, do STF.
Mendonça, assim como Messias, é evangélico, e se tornou uma das principais figuras atuando pela aprovação do ministro.
Esses aliados de Lula também apontam como um erro de estratégia a proximidade de Messias com o ministro nesse processo. Mendonça é relator no STF do caso envolvendo o Banco Master e as investigações de fraudes no INSS no Supremo, que devem atingir integrantes do Legislativo.
Além disso, caso fosse aprovado, Messias poderia desequilibrar o jogo de forças a favor de Mendonça, desagradando a ministros como Alexandre de Moraes. Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, Moraes também participou do movimento para derrotar Messias no Senado. O ministro é próximo de Alcolumbre.
Outro ponto levantado por aliados foram declarações de Messias em defesa do código de conduta defendido pelo presidente do STF, Edson Fachin. O tema é considerado espinhoso e divide o tribunal. Essas falas do chefe da AGU incomodaram os ministros que são contra a forma como esse tema tem sido discutido, num momento em que há uma disputa interna na Corte.
Também foi considerado um erro por esses governistas o fato de Messias ter participado de jantar com senadores na casa do senador Lucas Barreto (PSD-AP), desafeto de Alcolumbre e adversário do senador no Amapá. Na avaliação desses aliados, isso teria contribuído para azedar de vez a relação com Alcolumbre, já que esse gesto poderia ser interpretado como uma afronta política.
Para interlocutores do Planalto, houve erro de avaliação política ao não reconhecer a deterioração do ambiente no Senado, especialmente após o avanço de resistências internas e a atuação direta de Alcolumbre contra a indicação.
Eles afirmam também que o desfecho de Messias está ligado a uma série de fatores, como o avanço das investigações do caso Master, algo que preocupa a cúpula do Congresso, a insatisfação dos parlamentares com o governo federal e com o STF e a proximidade das eleições, num momento em que a expectativa de poder cresce na candidatura de Flávio Bolsonaro.
No Congresso, há também queixas sobre a própria atuação do presidente da República no processo. Senadores dizem que o petista não se envolveu tanto quanto poderia para atuar na melhoria da relação com Alcolumbre e até mesmo para buscar votos junto a senadores mais próximos.
Eles são incisivos ao dizer que a indicação de uma vaga ao Supremo cabe à Presidência da República, mas afirmam que o processo – desde a oficialização do nome de Messias até a demora do envio da mensagem presidencial ao Congresso – teve falhas que poderiam ter sido evitadas.
Três ministros minimizaram eventuais erros de Messias e se queixaram da articulação política do governo. Eles dizem que faltou maior empenho dos líderes do governo no Congresso e até mesmo da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), pasta chefiada por José Guimarães e responsável pela articulação do Executivo no Legislativo.
Um deles afirma que não foi procurado em nenhum momento pelo Planalto com orientações de como o governo deveria agir no processo de convencimento junto aos senadores. Outro diz que buscou Messias diretamente para traçar estratégias diante da falta de um comando unificado.
Eles avaliam que diante da resistência de Alcolumbre, coube ao chefe da AGU buscar a oposição e demais senadores para tentar viabilizar sua aprovação – o ministro conversou individualmente com a grande maioria dos parlamentares. Eles afirmam que o ministro é um injustiçado nesse processo e que os próprios senadores reconhecem que, não fosse a conjuntura política atual, ele teria seu nome aprovado. (Com informações do jornal O Globo)
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