Os senadores Renan Calheiros, Eduardo Braga e Randolfe Rodrigues já se manifestaram contrários à proposta aprovada. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
A proposta foi aprovada na noite de terça-feira (19), em votação simbólica e sem registro nominal em painel, após ser incluída na pauta da Câmara sem aviso prévio. A forma de tramitação também gerou reação de organizações ligadas à integridade eleitoral, que cobraram mais debate público sobre o tema.
As alterações promovidas pela matéria entrariam em vigor de forma imediata e já valeriam para as eleições deste ano. O texto altera dispositivos da Lei dos Partidos Políticos e das regras eleitorais, com mudanças em prestação de contas, punições a legendas e propaganda política. Entre os principais pontos da proposta estão o teto de R$ 30 mil para multas aplicadas a partidos com contas desaprovadas, a possibilidade de parcelamento de dívidas em até 15 anos e a proibição de bloqueio ou penhora de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral.
O projeto também reduz de cinco para três anos o prazo para julgamento de contas partidárias pela Justiça Eleitoral. Na prática, processos poderão ser encerrados sem decisão definitiva caso não sejam analisados dentro do período estabelecido.
“Grave retrocesso”
Críticos da proposta avaliam que as medidas reduzem instrumentos de controle sobre o uso de recursos públicos destinados aos partidos e campanhas eleitorais. Um dos pontos mais questionados é o limite para multas, que pode restringir punições proporcionais em casos de irregularidades de maior valor.
Também há preocupação em relação à proibição de bloqueio dos fundos eleitorais e partidários para pagamento de dívidas, o que, segundo entidades, pode dificultar o cumprimento de decisões judiciais.
O projeto estabelece ainda que cada diretório partidário responderá apenas por suas próprias irregularidades, o que, na avaliação de críticos, pode fragmentar a responsabilização das legendas e dificultar investigações mais amplas conduzidas pela Justiça Eleitoral.
Em nota pública, o MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral) classificou a proposta como um “grave retrocesso” para a fiscalização e a transparência partidária.
Segundo o movimento, o projeto “flexibiliza regras de prestação de contas, amplia possibilidades de parcelamento e renegociação de multas com recursos públicos, enfraquece sanções aplicáveis a irregularidades cometidas por partidos políticos e aprofunda medidas de anistia relacionadas ao descumprimento de cotas de raça e gênero”.
O MCCE também criticou a tramitação da proposta na Câmara. Para a entidade, o texto foi incluído na pauta “de maneira repentina, sem o necessário debate público com a sociedade civil, especialistas e instituições comprometidas com a defesa da integridade eleitoral”.
Entre as entidades que integram o MCCE está a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), além de associações ligadas à Polícia Federal e a servidores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Relator defende a proposta
O relator do projeto na Câmara, o deputado Rodrigo Gambale (Podemos-SP), defendeu as mudanças. Segundo ele, o texto promove alterações “estruturais e necessárias” para garantir segurança jurídica aos partidos e adequar as regras de fiscalização aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.
Durante a votação do projeto na Câmara, nenhum deputado subiu à tribuna para discursar a favor da matéria. Esse silêncio foi criticado por parlamentares que se posicionaram contra a proposta, como a deputada Adriana Ventura (Novo-SP), que chamou a situação de “silêncio da vergonha” e criticou a falta de coragem dos deputados para defender publicamente e registrar sua digital em uma proposta que ela classificou como uma “blindagem de partido”. (Com informações do R7)
Lula disse esperar que os EUA estejam “dispostos a voltar a conversar” Foto: Ricardo Stuckert/PR Lula disse esperar que os EUA estejam “dispostos a voltar a conversar”. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou a ação do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, de retirar as credenciais diplomáticas de um …
A ação deixou 121 mortos, entre eles, quatro policiais. (Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil) Sob a presidência do governista Fabiano Contarato (PT-ES) e a relatoria de Alessandro Vieira (MDB-SE), a comissão já se vê engolfada pelo palavrório inconsequente da direita à esquerda. Para a gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), todo problema deveria ser explicado …
Governador Eduardo Leite retiraria sua candidatura em prol de Tarcísio. Foto: Maurício Tonetto/Secom Governador Eduardo Leite retiraria sua candidatura em prol de Tarcísio. (Foto: Maurício Tonetto/Secom) O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, reforçou nesta sexta-feira (21) a defesa de uma candidatura unificada de centro-direita para a eleição presidencial de 2026 e voltou a afirmar …
Armada, Zambelli perseguiu apoiador de Lula após discussão Foto: Reprodução Armada, Zambelli perseguiu apoiador de Lula após discussão. (Foto: Reprodução) O juiz José Fernando Steinberg, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo, que em 29 de outubro de 2022, na véspera das eleições presidenciais, foi …
Minirreforma eleitoral chega ao Senado sob desconfiança
Os senadores Renan Calheiros, Eduardo Braga e Randolfe Rodrigues já se manifestaram contrários à proposta aprovada. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
A proposta foi aprovada na noite de terça-feira (19), em votação simbólica e sem registro nominal em painel, após ser incluída na pauta da Câmara sem aviso prévio. A forma de tramitação também gerou reação de organizações ligadas à integridade eleitoral, que cobraram mais debate público sobre o tema.
As alterações promovidas pela matéria entrariam em vigor de forma imediata e já valeriam para as eleições deste ano. O texto altera dispositivos da Lei dos Partidos Políticos e das regras eleitorais, com mudanças em prestação de contas, punições a legendas e propaganda política. Entre os principais pontos da proposta estão o teto de R$ 30 mil para multas aplicadas a partidos com contas desaprovadas, a possibilidade de parcelamento de dívidas em até 15 anos e a proibição de bloqueio ou penhora de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral.
O projeto também reduz de cinco para três anos o prazo para julgamento de contas partidárias pela Justiça Eleitoral. Na prática, processos poderão ser encerrados sem decisão definitiva caso não sejam analisados dentro do período estabelecido.
“Grave retrocesso”
Críticos da proposta avaliam que as medidas reduzem instrumentos de controle sobre o uso de recursos públicos destinados aos partidos e campanhas eleitorais. Um dos pontos mais questionados é o limite para multas, que pode restringir punições proporcionais em casos de irregularidades de maior valor.
Também há preocupação em relação à proibição de bloqueio dos fundos eleitorais e partidários para pagamento de dívidas, o que, segundo entidades, pode dificultar o cumprimento de decisões judiciais.
O projeto estabelece ainda que cada diretório partidário responderá apenas por suas próprias irregularidades, o que, na avaliação de críticos, pode fragmentar a responsabilização das legendas e dificultar investigações mais amplas conduzidas pela Justiça Eleitoral.
Em nota pública, o MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral) classificou a proposta como um “grave retrocesso” para a fiscalização e a transparência partidária.
Segundo o movimento, o projeto “flexibiliza regras de prestação de contas, amplia possibilidades de parcelamento e renegociação de multas com recursos públicos, enfraquece sanções aplicáveis a irregularidades cometidas por partidos políticos e aprofunda medidas de anistia relacionadas ao descumprimento de cotas de raça e gênero”.
O MCCE também criticou a tramitação da proposta na Câmara. Para a entidade, o texto foi incluído na pauta “de maneira repentina, sem o necessário debate público com a sociedade civil, especialistas e instituições comprometidas com a defesa da integridade eleitoral”.
Entre as entidades que integram o MCCE está a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), além de associações ligadas à Polícia Federal e a servidores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Relator defende a proposta
O relator do projeto na Câmara, o deputado Rodrigo Gambale (Podemos-SP), defendeu as mudanças. Segundo ele, o texto promove alterações “estruturais e necessárias” para garantir segurança jurídica aos partidos e adequar as regras de fiscalização aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.
Durante a votação do projeto na Câmara, nenhum deputado subiu à tribuna para discursar a favor da matéria. Esse silêncio foi criticado por parlamentares que se posicionaram contra a proposta, como a deputada Adriana Ventura (Novo-SP), que chamou a situação de “silêncio da vergonha” e criticou a falta de coragem dos deputados para defender publicamente e registrar sua digital em uma proposta que ela classificou como uma “blindagem de partido”. (Com informações do R7)
Related Posts
“Fizeram conosco, a gente vai fazer com eles”, diz Lula sobre os Estados Unidos
Lula disse esperar que os EUA estejam “dispostos a voltar a conversar” Foto: Ricardo Stuckert/PR Lula disse esperar que os EUA estejam “dispostos a voltar a conversar”. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou a ação do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, de retirar as credenciais diplomáticas de um …
Megaoperação no Rio com 121 mortos: direita ilude com a ideia de que matar vai produzir melhora; esquerda ilude ao propagar que luta de ricos contra pobres explica narcomilícias
A ação deixou 121 mortos, entre eles, quatro policiais. (Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil) Sob a presidência do governista Fabiano Contarato (PT-ES) e a relatoria de Alessandro Vieira (MDB-SE), a comissão já se vê engolfada pelo palavrório inconsequente da direita à esquerda. Para a gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), todo problema deveria ser explicado …
Kassab diz que Ratinho Jr. e Eduardo Leite não vão se candidatar se Tarcísio concorrer à Presidência
Governador Eduardo Leite retiraria sua candidatura em prol de Tarcísio. Foto: Maurício Tonetto/Secom Governador Eduardo Leite retiraria sua candidatura em prol de Tarcísio. (Foto: Maurício Tonetto/Secom) O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, reforçou nesta sexta-feira (21) a defesa de uma candidatura unificada de centro-direita para a eleição presidencial de 2026 e voltou a afirmar …
Justiça manda prender jornalista que foi perseguido pela ex-deputada federal Carla Zambelli com arma em punho
Armada, Zambelli perseguiu apoiador de Lula após discussão Foto: Reprodução Armada, Zambelli perseguiu apoiador de Lula após discussão. (Foto: Reprodução) O juiz José Fernando Steinberg, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo, que em 29 de outubro de 2022, na véspera das eleições presidenciais, foi …