Fraude bilionária do Banco Master segue nebulosa um ano após “ponta do iceberg”. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
A “ponta do iceberg” do caso Master surgiu há um ano, quando o Banco de Brasília (BRB) fez uma frustrada tentativa de compra da instituição financeira de Daniel Vorcaro e trouxe à tona uma crise que já se arrastava nos bastidores. De lá para cá, investigações da Polícia Federal (PF) revelaram um complexo sistema de fraudes, mas ainda há uma série de questões que precisam ser esclarecidas.
Um dos principais pontos é saber onde estão os recursos desviados de investidores, em um esquema com fundos opacos que resultou em uma conta de mais de R$ 60 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), algo que se espera ser respondido na delação premiada do agora ex-banqueiro.
Operações policiais bloquearam até agora quase R$ 28 bilhões, mas ainda não se sabe que ativos são esses e se são todos de Vorcaro.
Outra frente de questionamento são as mudanças que virão por parte dos reguladores do mercado financeiro para mitigar as chances de casos semelhantes se repetirem. Um dos principais pontos diz respeito aos fundos de investimentos fechados e exclusivos, usados no esquema. A regulamentação atual protege a identidade dos beneficiários finais dessas estruturas.
Com isso, uma das questões sob os holofotes é que, até agora, não está claro se todas as participações do Master e de Vorcaro em empresas já são conhecidas e quem são os investidores por trás do emaranhado de veículos de investimentos sob guarda-chuva da Reag, principal administradora de carteiras utilizada nas fraudes.
O esquema envolvendo o Master tinha como modus operandi uma teia de fundos, na maioria das vezes com um único cotista, dos quais não se sabe quem é o beneficiário final. Tal prática está amparada sobre a regra do sigilo de operações de instituições financeiras, mas abriu uma brecha para um esquema fraudulento usando fundos administrados pela Reag.
Alguns fundos desse emaranhado aparecem como acionistas de empresas de capital aberto, onde chamam mais a atenção. No entanto, o uso dessa estrutura também pode ser uma forma de esconder participações em companhias de capital fechado e, nesse caso, pode ser ainda mais obscuro – como observado na Operação Carbono Oculto, da qual a Reag foi alvo e que investiga a infiltração do crime organizado na economia formal. Depois do caso Master, uma das dúvidas no mercado é como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que fiscaliza a indústria de fundos, vai abordar o tema.
A opacidade dos fundos está diretamente ligada à questão do patrimônio de Vorcaro, tanto o que segue em seu nome como os valores enviados para fora do país. Na semana passada, um juiz da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo determinou protesto contra a alienação de bens do ex-banqueiro, de seu pai, Henrique Vorcaro, e sua irmã, Natália Vorcaro. Assim, no caso da venda desse bens, será necessário constar do documento da transação que se trata de ativo envolvido em processo judicial. A lista envolve hotel, fundos, aeronaves, imóveis e iate.
Além dos bens de Vorcaro e familiares, que poderão ser usados para abater prejuízos causados pela fraude, outra dúvida gira em torno dos presentes distribuídos pelo ex-dono do Master, já que alguns deles teriam sido comprados com dinheiro de origem fraudulenta e deveriam ser utilizados para ressarcir as vítimas do esquema.
Ainda não há clareza sobre todas as participações do Master e de Vorcaro em empresas. Também falta saber se há alguma participação ainda oculta em gestoras ou administradoras de fundos. Na sexta-feira (27), o Banco Central (BC) liquidou a instituição de pagamento Entrepay sob suspeita de que Vorcaro seria um sócio oculto. A defesa do ex-banqueiro nega.
Outro ponto a se esclarecer é como Vorcaro conseguiu se desvencilhar da Operação Fundo Fake, deflagrada em 2020 pela Polícia Federal e que tinha como alvos o Banco Máxima, antiga denominação do Master, além do próprio Vorcaro, que havia comprado a instituição no ano anterior.
A Fundo Fake investigou um conjunto de fundos, uma gestora e um banco, todos acusados de esquemas de gestão fraudulenta no instituto de previdência municipal de Rolim de Moura, uma pequena cidade no interior de Rondônia. Nesse inquérito, foram citados como parte do esquema o Máxima e negócios nos quais ele detinha participação, como Milo Investimentos e Mercatto Incorporações Imobiliárias – sociedade do mineiro Grupo Multipar Investimentos, da família de Vorcaro, que tem entre seus empreendimentos um hotel da bandeira Golden Tulip em Belo Horizonte.
A forma das fraudes desse esquema é semelhante à que está se tornando pública nas investigações mais recentes. Todos envolvem emaranhados de investimentos, conforme destacou a documentação da Fundo Fake, que mostrava confusão patrimonial entre as empresas envolvidas. Muitos dos fundos e empresas que receberam aportes faziam parte do mesmo grupo de sócios. (Com informações do Valor Econômico)
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Delação premiada de Daniel Vorcaro poderá esclarecer destino do dinheiro e apoio de autoridades e políticos ao Banco Master
Fraude bilionária do Banco Master segue nebulosa um ano após “ponta do iceberg”. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
A “ponta do iceberg” do caso Master surgiu há um ano, quando o Banco de Brasília (BRB) fez uma frustrada tentativa de compra da instituição financeira de Daniel Vorcaro e trouxe à tona uma crise que já se arrastava nos bastidores. De lá para cá, investigações da Polícia Federal (PF) revelaram um complexo sistema de fraudes, mas ainda há uma série de questões que precisam ser esclarecidas.
Um dos principais pontos é saber onde estão os recursos desviados de investidores, em um esquema com fundos opacos que resultou em uma conta de mais de R$ 60 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), algo que se espera ser respondido na delação premiada do agora ex-banqueiro.
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Com isso, uma das questões sob os holofotes é que, até agora, não está claro se todas as participações do Master e de Vorcaro em empresas já são conhecidas e quem são os investidores por trás do emaranhado de veículos de investimentos sob guarda-chuva da Reag, principal administradora de carteiras utilizada nas fraudes.
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A Fundo Fake investigou um conjunto de fundos, uma gestora e um banco, todos acusados de esquemas de gestão fraudulenta no instituto de previdência municipal de Rolim de Moura, uma pequena cidade no interior de Rondônia. Nesse inquérito, foram citados como parte do esquema o Máxima e negócios nos quais ele detinha participação, como Milo Investimentos e Mercatto Incorporações Imobiliárias – sociedade do mineiro Grupo Multipar Investimentos, da família de Vorcaro, que tem entre seus empreendimentos um hotel da bandeira Golden Tulip em Belo Horizonte.
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