Se realizada, a frota do avião encomendado em 2014 subirá para 56 aeronaves, mas ainda não há um acordo fechado. (Foto: FAB/Divulgação)
O Brasil anunciou nessa quinta-feira (4) que irá comprar até mais 20 caças Saab Gripen E, modelo de um lugar produzido tanto na Suécia quanto em Gavião Peixoto (SP). Se realizada, a frota do avião encomendado em 2014 subirá para 56 aeronaves, mas ainda não há um acordo fechado.
A revelação pegou de surpresa pessoas ligadas ao programa, não menos porque o cenário orçamentário da Defesa é austero: o ministério foi o mais atingido pelo bloqueio de gastos anunciados na semana passada, perdendo R$ 4,36 bilhões neste ano.
Os países não se comprometeram a um cronograma. “Em Defesa, tudo é demorado”, disse o titular da pasta no Brasil, José Mucio Monteiro, ao lado de seu colega nórdico Pal Jonson. “Sabemos que o Brasil está muito satisfeito com o Gripen. Ainda não foram assinados contratos, mas estamos prontos para iniciar negociações”, disse a fabricante Saab, em nota.
A meta inicial da FAB (Força Aérea Brasileira), quando desenhou o programa de renovação de sua aviação de combate no fim dos anos 1990, era de ter 120 caças avançados. Ao fim, em 2013 selecionou 36 Gripen, assinando o contrato no ano seguinte.
Em 2022, o então comandante da Força, Carlos Almeida Baptista Junior, disse à Folha que queria ao menos mais 30 aviões. De lá para cá, foi negociada uma venda casada também revelada por este jornal na qual o Brasil receberia mais 14 Gripen, enquanto a Suécia compraria 4 aviões de transporte Embraer C-390.
Até aqui, os suecos cumpriram a parte deles, anunciando a aquisição dos aviões, enquanto o Brasil ainda não definiu como fará a compra dos novos caças, que segundo Jonson serão do modelo E, para um piloto.
A ideia inicial era realizar um aditivo dentro do contrato original de 2014. O contrato é avaliado hoje em R$ 29,5 bilhões. Pela lei, o máximo possível é de 25%, ou R$ 7,3 bilhões, que seriam financiados ao longo dos anos.
Não é certo se esse modelo será utilizado, embora a possibilidade tenha sido citada numa nota divulgada pelo governo sueco. Questionado, o Ministério da Defesa disse que ainda não há detalhes.
O tema é complexo e politicamente espinhoso, em especial em ano de eleição presidencial. Dificuldades em justificar o gasto estiveram no centro do adiamento da decisão na licitação de 2001 e na postergação do processo até 2014.
O orçamento original do programa atual já teve 57% do dinheiro previsto gasto até março, mas só entregou 11 dos 36 aviões para operação. Até 2025 houve 12 aditivos ao contrato que, segundo a FAB, aumentaram o gasto para o equivalente a mais seis aviões.
Outro fator determinante é o tempo e o custo do desenvolvimento do Gripen E e F, de dois lugares. São aviões quase todos novos em relação à geração anterior do caça. Houve um programa inédito de transferência tecnológica envolvida, o que também aumenta as dificuldades.
Assim, em teoria fica mais barato e rápido fazer o avião com o produto mais maduro e a linha ganhando ritmo. Em Gavião Peixoto, onde o Gripen é feito no Brasil, há três unidades em construção. A linha será responsável também pelos 15 modelos E encomendados pela Colômbia – os 2 caças F pedidos serão fabricados em Linköping.
Mucio disse que “os talvez 20 Gripen” deverão ser feitos no Brasil, o que implicaria uma expansão da capacidade produtiva. Antes, a Saab havia dito que isso aconteceria devido ao aumento da demanda geral do Gripen, que recebeu na semana passada uma encomenda de 20 aviões pela Ucrânia, ainda que o foco da linha brasileira seria a América Latina.
O anúncio também não faz referência ao pedido dos militares por ao menos 12 Gripen C/D, mais antigos, para tapar o buraco na capacidade de ataque a solo que será perdida com a aposentadoria dos aviões AMX, prevista para 2027.
Como o acordo com a Ucrânia prevê a doação de 16 dos 96 caças C/D que a Suécia opera para o país em guerra com a Rússia, é improvável que o Brasil consiga o mesmo – haveria uma perda para a defesa da nação nórdica.
Os dois ministros também confirmaram a Saab irá abrir um novo centro de pesquisa e desenvolvimento no país, em São José dos Campos (SP), cidade onde foi fundada a Embraer – que é parceira principal dos suecos na fabricação do Gripen E no Brasil, cujo primeiro avião ficou pronto em março (Com informações da Folha de S.Paulo)
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Brasil vai comprar nova frota de caças suecos, diz o Ministério da Defesa
Se realizada, a frota do avião encomendado em 2014 subirá para 56 aeronaves, mas ainda não há um acordo fechado. (Foto: FAB/Divulgação)
O Brasil anunciou nessa quinta-feira (4) que irá comprar até mais 20 caças Saab Gripen E, modelo de um lugar produzido tanto na Suécia quanto em Gavião Peixoto (SP). Se realizada, a frota do avião encomendado em 2014 subirá para 56 aeronaves, mas ainda não há um acordo fechado.
A revelação pegou de surpresa pessoas ligadas ao programa, não menos porque o cenário orçamentário da Defesa é austero: o ministério foi o mais atingido pelo bloqueio de gastos anunciados na semana passada, perdendo R$ 4,36 bilhões neste ano.
Os países não se comprometeram a um cronograma. “Em Defesa, tudo é demorado”, disse o titular da pasta no Brasil, José Mucio Monteiro, ao lado de seu colega nórdico Pal Jonson. “Sabemos que o Brasil está muito satisfeito com o Gripen. Ainda não foram assinados contratos, mas estamos prontos para iniciar negociações”, disse a fabricante Saab, em nota.
A meta inicial da FAB (Força Aérea Brasileira), quando desenhou o programa de renovação de sua aviação de combate no fim dos anos 1990, era de ter 120 caças avançados. Ao fim, em 2013 selecionou 36 Gripen, assinando o contrato no ano seguinte.
Em 2022, o então comandante da Força, Carlos Almeida Baptista Junior, disse à Folha que queria ao menos mais 30 aviões. De lá para cá, foi negociada uma venda casada também revelada por este jornal na qual o Brasil receberia mais 14 Gripen, enquanto a Suécia compraria 4 aviões de transporte Embraer C-390.
Até aqui, os suecos cumpriram a parte deles, anunciando a aquisição dos aviões, enquanto o Brasil ainda não definiu como fará a compra dos novos caças, que segundo Jonson serão do modelo E, para um piloto.
A ideia inicial era realizar um aditivo dentro do contrato original de 2014. O contrato é avaliado hoje em R$ 29,5 bilhões. Pela lei, o máximo possível é de 25%, ou R$ 7,3 bilhões, que seriam financiados ao longo dos anos.
Não é certo se esse modelo será utilizado, embora a possibilidade tenha sido citada numa nota divulgada pelo governo sueco. Questionado, o Ministério da Defesa disse que ainda não há detalhes.
O tema é complexo e politicamente espinhoso, em especial em ano de eleição presidencial. Dificuldades em justificar o gasto estiveram no centro do adiamento da decisão na licitação de 2001 e na postergação do processo até 2014.
O orçamento original do programa atual já teve 57% do dinheiro previsto gasto até março, mas só entregou 11 dos 36 aviões para operação. Até 2025 houve 12 aditivos ao contrato que, segundo a FAB, aumentaram o gasto para o equivalente a mais seis aviões.
Outro fator determinante é o tempo e o custo do desenvolvimento do Gripen E e F, de dois lugares. São aviões quase todos novos em relação à geração anterior do caça. Houve um programa inédito de transferência tecnológica envolvida, o que também aumenta as dificuldades.
Assim, em teoria fica mais barato e rápido fazer o avião com o produto mais maduro e a linha ganhando ritmo. Em Gavião Peixoto, onde o Gripen é feito no Brasil, há três unidades em construção. A linha será responsável também pelos 15 modelos E encomendados pela Colômbia – os 2 caças F pedidos serão fabricados em Linköping.
Mucio disse que “os talvez 20 Gripen” deverão ser feitos no Brasil, o que implicaria uma expansão da capacidade produtiva. Antes, a Saab havia dito que isso aconteceria devido ao aumento da demanda geral do Gripen, que recebeu na semana passada uma encomenda de 20 aviões pela Ucrânia, ainda que o foco da linha brasileira seria a América Latina.
O anúncio também não faz referência ao pedido dos militares por ao menos 12 Gripen C/D, mais antigos, para tapar o buraco na capacidade de ataque a solo que será perdida com a aposentadoria dos aviões AMX, prevista para 2027.
Como o acordo com a Ucrânia prevê a doação de 16 dos 96 caças C/D que a Suécia opera para o país em guerra com a Rússia, é improvável que o Brasil consiga o mesmo – haveria uma perda para a defesa da nação nórdica.
Os dois ministros também confirmaram a Saab irá abrir um novo centro de pesquisa e desenvolvimento no país, em São José dos Campos (SP), cidade onde foi fundada a Embraer – que é parceira principal dos suecos na fabricação do Gripen E no Brasil, cujo primeiro avião ficou pronto em março (Com informações da Folha de S.Paulo)
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