Segundo especialistas, a frase “bandido bom é bandido morto”, que ganhou tração no Brasil entre os anos 80 e 90, pode ter sido uma adaptação de outra: “O único índio bom é um índio morto”.
Este bordão teria nascido nas batalhas de extermínio dos indígenas norte-americanos, as chamadas Guerras de Fronteira dos Estados Unidos, que ocorreram do início ao século 17 ao fim do 19. Não há consenso sobre a autoria da frase.
No livro “Bury My Heart at Wounded Knee” (1970), o historiador americano Dee Brown relatou que o general Philip Sheridan, quando apresentado a um líder comanche, ouviu dele algo como “sou um índio bom”.
O militar teria respondido: “Os únicos índios bons que vi estavam mortos”.
A frase de Sheridan, datada de 1869 por especialistas e depois repetida de forma jocosa pelos combatentes, acabaria lapidada até se transformar em um aforismo típico dos Estados Unidos.
A cientista política Mayra Goulart afirma que, de qualquer maneira, a frase “bandido bom é bandido morto” tem origem nos Estados Unidos.
“A expressão (americana) sintetizava a crença de que o indígena representava um obstáculo à civilização e, portanto, deveria ser eliminado. Era uma visão abertamente desumanizadora, que transformava um grupo social inteiro em inimigo a ser exterminado”, analisa a professora.
“Importação”
O advogado Flávio de Leão Barros Pereira afirma que este repertório “desumanizador” sobre os indígenas acabou rapidamente transposto para o Brasil.
“Ainda que não houvesse na época um modelo de racismo como o do século 20, eles eram considerados inferiores, espoliáveis e, portanto, um obstáculo ao progresso”, comenta Pereira.
No território brasileiro, desde os tempos coloniais também havia essa ideia de que os povos originários atrapalhavam os planos de desenvolvimento e que as culturas indígenas deveriam desaparecer, aponta Pereira.
Com a urbanização no século 20, o mesmo discurso de extermínio acabou se voltando para minorias e para grupos que representassem alguma ameaça, como criminosos.
“A insegurança muito grande marca a população, que acaba vendo alguns grupos como dispensáveis”, analisa Pereira. (Com informações da BBC Brasil)
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“Bandido bom é bandido morto”: a origem da expressão que apoia políticas linha-dura contra o crime
Segundo especialistas, a frase “bandido bom é bandido morto”, que ganhou tração no Brasil entre os anos 80 e 90, pode ter sido uma adaptação de outra: “O único índio bom é um índio morto”.
Este bordão teria nascido nas batalhas de extermínio dos indígenas norte-americanos, as chamadas Guerras de Fronteira dos Estados Unidos, que ocorreram do início ao século 17 ao fim do 19. Não há consenso sobre a autoria da frase.
No livro “Bury My Heart at Wounded Knee” (1970), o historiador americano Dee Brown relatou que o general Philip Sheridan, quando apresentado a um líder comanche, ouviu dele algo como “sou um índio bom”.
O militar teria respondido: “Os únicos índios bons que vi estavam mortos”.
A frase de Sheridan, datada de 1869 por especialistas e depois repetida de forma jocosa pelos combatentes, acabaria lapidada até se transformar em um aforismo típico dos Estados Unidos.
A cientista política Mayra Goulart afirma que, de qualquer maneira, a frase “bandido bom é bandido morto” tem origem nos Estados Unidos.
“A expressão (americana) sintetizava a crença de que o indígena representava um obstáculo à civilização e, portanto, deveria ser eliminado. Era uma visão abertamente desumanizadora, que transformava um grupo social inteiro em inimigo a ser exterminado”, analisa a professora.
“Importação”
O advogado Flávio de Leão Barros Pereira afirma que este repertório “desumanizador” sobre os indígenas acabou rapidamente transposto para o Brasil.
“Ainda que não houvesse na época um modelo de racismo como o do século 20, eles eram considerados inferiores, espoliáveis e, portanto, um obstáculo ao progresso”, comenta Pereira.
No território brasileiro, desde os tempos coloniais também havia essa ideia de que os povos originários atrapalhavam os planos de desenvolvimento e que as culturas indígenas deveriam desaparecer, aponta Pereira.
Com a urbanização no século 20, o mesmo discurso de extermínio acabou se voltando para minorias e para grupos que representassem alguma ameaça, como criminosos.
“A insegurança muito grande marca a população, que acaba vendo alguns grupos como dispensáveis”, analisa Pereira. (Com informações da BBC Brasil)
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