Vorcaro e Ciro Nogueira em Courchevel na França em 16 de janeiro de 2025. (Foto: Reprodução)
A Polícia Federal (PF) enviou uma representação ao Supremo Tribunal Federal (STF) em que afirma que o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, dava um “tratamento privilegiado” e “diferenciado” ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), inclusive com o pagamento de mais de R$ 400 mil em viagens internacionais de luxo.
Entre os destinos, estão Paris (França), Nova Iorque (EUA), Portugal, e Courchevel, estação de esqui nos Alpes franceses.
Segundo a PF, enquanto o parlamentar atuava no Senado para defender interesses do ex-banqueiro, Vorcaro retribuía com vantagens financeiras. Vorcaro está preso em Brasília (DF).
O documento traz imagens do parlamentar e do banqueiro em viagens e em situações de proximidade.
“Tratamento privilegiado”
A relação de Vorcaro com o parlamentar do Piauí chamou a atenção dos investigadores, pelo pagamento de acomodações de “elevado padrão”, como hotéis de luxo no exterior.
As conclusões constam de um documento da PF enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), cujo sigilo foi retirado nessa terça-feira (16). Esse relatório embasou decisões tomadas pelo magistrado no inquérito do caso Master.
Conforme a representação da PF, o relacionamento entre os dois ia além da proximidade pessoal, sendo descrito pelos investigadores como uma “relação funcional e instrumental” voltada ao benefício mútuo.
Segundo os investigadores, essas vantagens incluíam:
* pagamento de valores mensais, classificados pela PF como uma espécie de “mesada” que, em alguns casos, era de R$ 300 mil, chegando até a R$ 500 mil;
* aquisição de participação societária com expressivo deságio;
* custeio de viagens internacionais, incluindo passagens em jatos particulares, hospedagens em hotéis de luxo e despesas com eventos e restaurantes sofisticados.
Além disso, a Polícia Federal aponta que o senador Ciro Nogueira teria utilizado o seu poder parlamentar para beneficiar os interesses do Banco Master, destacando a apresentação da “Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023”, apelidada no mercado como “emenda Master”.
A Emenda Master propunha mudanças no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege correntistas e investidores em caso de quebra de instituições financeiras. O principal ponto da proposta ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de garantia por CPF ou CNPJ.
O rombo no FGC após a liquidação do Master deve superar da marca e R$ 50 bilhões em pagamentos a clientes e investidores afetados.
O texto da proposta teria sido elaborado pela própria assessoria do banco e entregue diretamente a Ciro Nogueira, inclusive com orientações de entrega do envelope no endereço residencial do senador, segundo a PF.
“A proposição legislativa detinha aptidão concreta para ampliar significativamente os negócios da instituição financeira”, completa a PF.
O inquérito que tramita no STF aponta que o esquema contava com a atuação de terceiros e empresas interpostas para tentar mascarar a origem e a destinação dos recursos, dificultando a rastreabilidade financeira.
Ciro nega
Os advogados acrescentaram que Ciro Nogueira repudia “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
“Medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, diz um trecho da nota. (Com informações do portal de notícias g1)
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Relatório da Polícia Federal tem imagens que mostram a proximidade entre Daniel Vorcaro e o presidente nacional do Partido Progressistas
Vorcaro e Ciro Nogueira em Courchevel na França em 16 de janeiro de 2025. (Foto: Reprodução)
A Polícia Federal (PF) enviou uma representação ao Supremo Tribunal Federal (STF) em que afirma que o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, dava um “tratamento privilegiado” e “diferenciado” ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), inclusive com o pagamento de mais de R$ 400 mil em viagens internacionais de luxo.
Entre os destinos, estão Paris (França), Nova Iorque (EUA), Portugal, e Courchevel, estação de esqui nos Alpes franceses.
Segundo a PF, enquanto o parlamentar atuava no Senado para defender interesses do ex-banqueiro, Vorcaro retribuía com vantagens financeiras. Vorcaro está preso em Brasília (DF).
O documento traz imagens do parlamentar e do banqueiro em viagens e em situações de proximidade.
“Tratamento privilegiado”
A relação de Vorcaro com o parlamentar do Piauí chamou a atenção dos investigadores, pelo pagamento de acomodações de “elevado padrão”, como hotéis de luxo no exterior.
As conclusões constam de um documento da PF enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), cujo sigilo foi retirado nessa terça-feira (16). Esse relatório embasou decisões tomadas pelo magistrado no inquérito do caso Master.
Conforme a representação da PF, o relacionamento entre os dois ia além da proximidade pessoal, sendo descrito pelos investigadores como uma “relação funcional e instrumental” voltada ao benefício mútuo.
Segundo os investigadores, essas vantagens incluíam:
* pagamento de valores mensais, classificados pela PF como uma espécie de “mesada” que, em alguns casos, era de R$ 300 mil, chegando até a R$ 500 mil;
* aquisição de participação societária com expressivo deságio;
* custeio de viagens internacionais, incluindo passagens em jatos particulares, hospedagens em hotéis de luxo e despesas com eventos e restaurantes sofisticados.
Além disso, a Polícia Federal aponta que o senador Ciro Nogueira teria utilizado o seu poder parlamentar para beneficiar os interesses do Banco Master, destacando a apresentação da “Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023”, apelidada no mercado como “emenda Master”.
A Emenda Master propunha mudanças no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege correntistas e investidores em caso de quebra de instituições financeiras. O principal ponto da proposta ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de garantia por CPF ou CNPJ.
O rombo no FGC após a liquidação do Master deve superar da marca e R$ 50 bilhões em pagamentos a clientes e investidores afetados.
O texto da proposta teria sido elaborado pela própria assessoria do banco e entregue diretamente a Ciro Nogueira, inclusive com orientações de entrega do envelope no endereço residencial do senador, segundo a PF.
“A proposição legislativa detinha aptidão concreta para ampliar significativamente os negócios da instituição financeira”, completa a PF.
O inquérito que tramita no STF aponta que o esquema contava com a atuação de terceiros e empresas interpostas para tentar mascarar a origem e a destinação dos recursos, dificultando a rastreabilidade financeira.
Ciro nega
Os advogados acrescentaram que Ciro Nogueira repudia “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
“Medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, diz um trecho da nota. (Com informações do portal de notícias g1)
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