O presidente Lula zerou as alíquotas de PIS e Cofins na importação do óleo diesel. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Se em 2022 foi a guerra da Ucrânia que levou o governo Bolsonaro a tentar segurar os preços dos combustíveis para tentar se reeleger, agora é a guerra no Irã que leva o governo Lula a cometer o mesmo equívoco econômico.
Nessa quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva zerou as alíquotas de PIS e Cofins na importação do óleo diesel, além de subsídio para produtores e importadores para que o litro do produto fique R$ 0,64 mais barato. No total, as medidas têm impacto estimado de R$ 30 bilhões em 12 meses para o Tesouro, mas esse custo será compensado pela criação de um “imposto de exportação” temporário sobre o setor.
Não é coincidência que o anúncio aconteça após uma onda de pesquisas eleitorais mostrando queda de popularidade do governo. Da mesma forma que Bolsonaro entrou em pânico, Lula e seu entorno temem os efeitos da alta do petróleo sobre o humor do eleitorado. Na memória, todos lembram da greve dos caminhoneiros que paralisou o País e o governo Temer com a alta do óleo diesel.
Na prática, há um choque entre a lógica política e as leis econômicas. Os políticos não podem ficar sem fazer nada diante da disparada do petróleo, mas a economia não tolera desaforos, muitos menos soluções improvisadas.
O pior erro de Bolsonaro foi fazer parte da bondade com chapéu alheio dos Estados, impondo a redução do ICMS e desequilibrando as contas públicas. Isso Lula não fez. Mas, em compensação, criou esse imposto de exportação que vai criar um ambiente de incerteza regulatória – e pode afetar investimentos.
O governo quer abrir novos campos de produção na Margem Equatorial. As petrolíferas agora já sabem que, no Brasil, seja governo de esquerda ou de extrema-direita, os lucros delas serão tributados a partir de um determinado preço do barril.
Para o Banco Central, que na semana que vem decidirá a taxa básica de juros, o cenário permanece turvo. Do lado externo, há a volatilidade provocada pela guerra nos preços e o impacto sobre o País. E agora, internamente, a incerteza com o efeito líquido das medidas sobre as bombas.
Certeza, há uma só: no Brasil, governos de todos os espectros políticos improvisam e repetem erros em casos de alta do petróleo. (Opinião por Alvaro Gribel/O Estado de S. Paulo)
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Quatro anos depois, Lula repete erro de Bolsonaro nos combustíveis para tentar se reeleger
O presidente Lula zerou as alíquotas de PIS e Cofins na importação do óleo diesel. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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Não é coincidência que o anúncio aconteça após uma onda de pesquisas eleitorais mostrando queda de popularidade do governo. Da mesma forma que Bolsonaro entrou em pânico, Lula e seu entorno temem os efeitos da alta do petróleo sobre o humor do eleitorado. Na memória, todos lembram da greve dos caminhoneiros que paralisou o País e o governo Temer com a alta do óleo diesel.
Na prática, há um choque entre a lógica política e as leis econômicas. Os políticos não podem ficar sem fazer nada diante da disparada do petróleo, mas a economia não tolera desaforos, muitos menos soluções improvisadas.
O pior erro de Bolsonaro foi fazer parte da bondade com chapéu alheio dos Estados, impondo a redução do ICMS e desequilibrando as contas públicas. Isso Lula não fez. Mas, em compensação, criou esse imposto de exportação que vai criar um ambiente de incerteza regulatória – e pode afetar investimentos.
O governo quer abrir novos campos de produção na Margem Equatorial. As petrolíferas agora já sabem que, no Brasil, seja governo de esquerda ou de extrema-direita, os lucros delas serão tributados a partir de um determinado preço do barril.
Para o Banco Central, que na semana que vem decidirá a taxa básica de juros, o cenário permanece turvo. Do lado externo, há a volatilidade provocada pela guerra nos preços e o impacto sobre o País. E agora, internamente, a incerteza com o efeito líquido das medidas sobre as bombas.
Certeza, há uma só: no Brasil, governos de todos os espectros políticos improvisam e repetem erros em casos de alta do petróleo. (Opinião por Alvaro Gribel/O Estado de S. Paulo)
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