Quanto mais o escândalo atingir o Centrão, mais difícil serão as explicações de Flávio (D). Quanto mais os holofotes iluminarem ministros do STF, pior para Lula (E). (Fotos: Ricardo Stuckert/PR e Vinicius Loures/ Câmara dos Deputados)
A principal dúvida desta campanha é dimensionar qual será o estrago do escândalo do Banco Master sobre as candidaturas do senador Flávio Bolsonaro e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quanto mais o escândalo atingir congressistas e governadores do Centrão, mais difícil serão as explicações de Bolsonaro. Quanto mais os holofotes iluminarem ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), pior para Lula. A operação da Polícia Federal na semana passada sobre o mensalão do banqueiro Daniel Vorcaro para o senador Ciro Nogueira sugere que, depois de meses esquadrinhando o STF, as investigações vão estacionar no Congresso nas próximas semanas.
A maior surpresa na operação contra Ciro Nogueira é que ela não gerou surpresa alguma. Há anos se sabe da relação íntima entre os dois, com Vorcaro dizendo à namorada que Ciro era “um amigo de vida”. A PF apresentou indícios de que Ciro recebia um mensalão que variava entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além do pagamento de viagens e faturas de cartão de crédito. A Polícia Federal afirma que uma empresa ligada ao núcleo familiar de Ciro comprou por R$ 1 milhão uma participação societária que valia R$ 13 milhões de uma companhia controlada pelo Banco Master, uma vantagem explicada no inquérito por corrupção.
Presidente do PP e vice-presidente da Federação União-Progressista, a maior do Congresso com 111 deputados e 14 senadores, Nogueira é um dos rostos do bolsonarismo. Tempos atrás, se quisesse, podia impor seu nome como candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro. Agora, virou a primeira peça de dominó a cair no Congresso.
Acuado pela proximidade com Ciro, Flávio Bolsonaro escorregou na própria língua. Em 2025, ele havia elogiado o senador como eventual vice na chapa bolsonarista. “(Ciro) Já levantou o dedo e acho que tem todas as credenciais para ser (o vice). É nordestino, de um partido grande e forte. Teve ali a lealdade ao presidente Bolsonaro (quando foi ministro). Sem dúvida é um nome que está colocado”, disse. Na sexta-feira (8), em entrevista aos repórteres Débora Bergamasco, Iuri Pitta e Jussara Soares, da CNN Brasil, o candidato recuou: “Em questão de vice, é especulação. Em uma entrevista lá atrás, eu comentei mais em termos de cortesia para ele”.
A missão de Flávio de se desvincular de Ciro é impossível. Ciro Nogueira era a “alma” do governo Jair Bolsonaro, na definição do próprio ex-presidente, e o sucesso da aliança da direita depende de um acordo com o PP. Se abandonar Ciro à própria sorte e não tiver o apoio do PP e do União Brasil, Flávio Bolsonaro terá menos tempo de propaganda em rádio e TV do que Lula. Sem contar a desconfiança que a ingratidão vai gerar em outros políticos que temem virar os próximos alvos da PF.
A Polícia Federal descobriu que o jabuti pendurado por Ciro Nogueira no projeto de independência do Banco Central, que aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aos investimentos em títulos bancários, foi escrito por funcionários do Banco Master. Na prática, o rombo de R$ 50 bilhões gerado pelas fraudes do Master no mercado financeiro poderia ter quadruplicado se a emenda de Ciro fosse aprovada.
No domingo (10), o repórter Renan Porto, do portal Metrópoles, revelou que três meses depois do negócio entre a empresa da família Nogueira e o Banco Master e 26 dias depois de apresentar a emenda, o senador comprou por R$ 22 milhões uma cobertura triplex de mais de 550 metros quadrados na elegante Rua Oscar Freire, em São Paulo. No mesmo ano, Ciro trocou a cobertura por uma casa de 878 metros na região do dinheiro velho de São Paulo, o Jardim Europa.
Como lembrou a repórter Adriana Fernandes, da Folha de S.Paulo, em abril de 2025 Ciro Nogueira havia apresentado, cinco dias após o anúncio da compra do Banco Master pelo BRB, uma proposta para aumentar a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) exclusivamente dos grandes bancos. A proposta, uma emenda no projeto que isentava o IR para quem ganha até R$ 5 mil, era catastrófica para os grandes bancos que pressionavam o Banco Central a limitar as ações do Master no FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Em português claro, era uma chantagem para manter os concorrentes quietos.
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Qual será o estrago do escândalo do Banco Master sobre as candidaturas de Flávio e Lula
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A principal dúvida desta campanha é dimensionar qual será o estrago do escândalo do Banco Master sobre as candidaturas do senador Flávio Bolsonaro e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quanto mais o escândalo atingir congressistas e governadores do Centrão, mais difícil serão as explicações de Bolsonaro. Quanto mais os holofotes iluminarem ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), pior para Lula. A operação da Polícia Federal na semana passada sobre o mensalão do banqueiro Daniel Vorcaro para o senador Ciro Nogueira sugere que, depois de meses esquadrinhando o STF, as investigações vão estacionar no Congresso nas próximas semanas.
A maior surpresa na operação contra Ciro Nogueira é que ela não gerou surpresa alguma. Há anos se sabe da relação íntima entre os dois, com Vorcaro dizendo à namorada que Ciro era “um amigo de vida”. A PF apresentou indícios de que Ciro recebia um mensalão que variava entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além do pagamento de viagens e faturas de cartão de crédito. A Polícia Federal afirma que uma empresa ligada ao núcleo familiar de Ciro comprou por R$ 1 milhão uma participação societária que valia R$ 13 milhões de uma companhia controlada pelo Banco Master, uma vantagem explicada no inquérito por corrupção.
Presidente do PP e vice-presidente da Federação União-Progressista, a maior do Congresso com 111 deputados e 14 senadores, Nogueira é um dos rostos do bolsonarismo. Tempos atrás, se quisesse, podia impor seu nome como candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro. Agora, virou a primeira peça de dominó a cair no Congresso.
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A Polícia Federal descobriu que o jabuti pendurado por Ciro Nogueira no projeto de independência do Banco Central, que aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aos investimentos em títulos bancários, foi escrito por funcionários do Banco Master. Na prática, o rombo de R$ 50 bilhões gerado pelas fraudes do Master no mercado financeiro poderia ter quadruplicado se a emenda de Ciro fosse aprovada.
No domingo (10), o repórter Renan Porto, do portal Metrópoles, revelou que três meses depois do negócio entre a empresa da família Nogueira e o Banco Master e 26 dias depois de apresentar a emenda, o senador comprou por R$ 22 milhões uma cobertura triplex de mais de 550 metros quadrados na elegante Rua Oscar Freire, em São Paulo. No mesmo ano, Ciro trocou a cobertura por uma casa de 878 metros na região do dinheiro velho de São Paulo, o Jardim Europa.
Como lembrou a repórter Adriana Fernandes, da Folha de S.Paulo, em abril de 2025 Ciro Nogueira havia apresentado, cinco dias após o anúncio da compra do Banco Master pelo BRB, uma proposta para aumentar a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) exclusivamente dos grandes bancos. A proposta, uma emenda no projeto que isentava o IR para quem ganha até R$ 5 mil, era catastrófica para os grandes bancos que pressionavam o Banco Central a limitar as ações do Master no FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Em português claro, era uma chantagem para manter os concorrentes quietos.
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