Executivo é suspeito de ter participado de um suposto esquema de lavagem de dinheiro no escândalo do Banco Master; ele nega. (Foto: Agência Brasília)
A investigação da Polícia Federal (PF) que levou à prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa aponta indícios de uma operação financeira de R$ 12,2 bilhões arquitetada pelo banco público e o Master por “pura camaradagem” como “tentativa de abafar a fiscalização” feita pelo Banco Central (BC).
Ao todo, a PF cumpriu dois mandados de prisão preventiva e sete busca e apreensão, no Distrito Federal e em São Paulo. O executivo é suspeito de ter participado de um suposto esquema “esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos” no escândalo do Banco Master. Ele nega qualquer irregularidade.
De acordo com o inquérito, o BRB realizou operações inconsistentes com o Master numa tentativa de dar uma sobrevivida à instituição financeira de Daniel Vorcaro enquanto o Banco Central analisava a proposta de venda do banco. Em março deste ano, o BRB propôs a compra do Master, mas o negócio foi vetado pelo BC.
Em sua manifestação sobre o caso, o Ministério Público Federal afirmou que o Master “teria adquirido carteiras de crédito” de uma empresa dirigida por um ex-funcionário “sem realizar qualquer pagamento” e, logo em seguida, revendeu esses títulos ao BRB, recebendo pagamento imediato, “resultando na transferência, de janeiro a maio de 2025, de R$ 12,2 bilhões”.
Ao justificar essa operação ao BC, o Master informou em 25 de março deste ano que a carteira de crédito tinha como origem duas associações de servidores do estado da Bahia, que teriam sido criadas por um diretor do banco privado.
Diante dessa suspeita, o Banco Central passou a fazer um pente-fino numa amostra de 30 supostos clientes tomadores de créditos das operações cedidas pelo Master ao BRB em janeiro de 2025. A instituição constatou que não foi possível estabelecer qualquer correspondência das transações com o fluxo financeiro, o que “corrobora os indícios de insubsistência”. O termo significa inconsistência ou falta de fundamento que comprove existência de algo.
“Empresa de prateleira”
Após o questionamento do BC, a titularidade desses títulos passou a ser atribuída à Tirreno, criada no final de 2024 por uma pessoa que registrou outras firmas semelhantes. Segundo os investigadores, esse é um indício de que se tratava de uma “empresa de prateleira” para viabilizar a operação de socorro ao Master.
Tão logo foi lançada no mercado, a Tirreno ampliou o seu capital para R$ 30 milhões, passou a ter como diretor um ex-funcionário do Master e realizou mudanças societárias – que, de acordo com a PF, foram formalizadas somente após o início da operação financeira envolvendo o BRB.
O Ministério Público Federal destaca que o contrato inicial de parceria entre Master e Tirreno e um dos instrumentos de cessão de crédito “sequer estão autenticados em cartório”, enquanto os demais documentos da operação foram registrados formalmente apenas alguns meses depois da transação.
“Mostra-se atípico e desarrazoado que somente após a provocação do Banco Central sobre as informações, o BRB passou a exigir documentos adicionais, situação bastante suspeita para quem realizaria operação neste montante (R$ 12,2 bilhões) e que deveria se cercar de cuidados objetivos e mínimos para a viabilidade deste tipo de transação”, afirmam os investigadores.
Mudança de rumo
Para corrigir as falhas identificadas pelo Banco Central, o BRB decidiu interromper diretamente a operação com Tirreno, responsável pela emissão dos títulos que eram repassados pelo Master. A instituição financeira do governo do Distrito Federal optou por substituir as carteiras compradas por outros ativos de Daniel Vorcaro.
A finalidade era reduzir o saldo da operação, que somava R$ 12,2 bilhões. Contudo, de acordo com o inquérito, essa movimentação extrapolou o limite legal de exposição a um único cliente, estimado em R$ 1,1 bilhão.
De acordo com a investigação, entre julho de 2024 e outubro de 2025, BRB e Master realizaram operações que somaram R$ 16,7 bilhões. Essas transações ocorreram mesmo “diante de ressalvas formuladas pelo Banco Central”. (Com informações do jornal O Globo)
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“Pura camaradagem” e fraude de R$ 12,2 bilhões com o Banco Master: a investigação que levou à prisão de ex-presidente do Banco de Brasília
Executivo é suspeito de ter participado de um suposto esquema de lavagem de dinheiro no escândalo do Banco Master; ele nega. (Foto: Agência Brasília)
A investigação da Polícia Federal (PF) que levou à prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa aponta indícios de uma operação financeira de R$ 12,2 bilhões arquitetada pelo banco público e o Master por “pura camaradagem” como “tentativa de abafar a fiscalização” feita pelo Banco Central (BC).
Ao todo, a PF cumpriu dois mandados de prisão preventiva e sete busca e apreensão, no Distrito Federal e em São Paulo. O executivo é suspeito de ter participado de um suposto esquema “esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos” no escândalo do Banco Master. Ele nega qualquer irregularidade.
De acordo com o inquérito, o BRB realizou operações inconsistentes com o Master numa tentativa de dar uma sobrevivida à instituição financeira de Daniel Vorcaro enquanto o Banco Central analisava a proposta de venda do banco. Em março deste ano, o BRB propôs a compra do Master, mas o negócio foi vetado pelo BC.
Em sua manifestação sobre o caso, o Ministério Público Federal afirmou que o Master “teria adquirido carteiras de crédito” de uma empresa dirigida por um ex-funcionário “sem realizar qualquer pagamento” e, logo em seguida, revendeu esses títulos ao BRB, recebendo pagamento imediato, “resultando na transferência, de janeiro a maio de 2025, de R$ 12,2 bilhões”.
Ao justificar essa operação ao BC, o Master informou em 25 de março deste ano que a carteira de crédito tinha como origem duas associações de servidores do estado da Bahia, que teriam sido criadas por um diretor do banco privado.
Diante dessa suspeita, o Banco Central passou a fazer um pente-fino numa amostra de 30 supostos clientes tomadores de créditos das operações cedidas pelo Master ao BRB em janeiro de 2025. A instituição constatou que não foi possível estabelecer qualquer correspondência das transações com o fluxo financeiro, o que “corrobora os indícios de insubsistência”. O termo significa inconsistência ou falta de fundamento que comprove existência de algo.
“Empresa de prateleira”
Após o questionamento do BC, a titularidade desses títulos passou a ser atribuída à Tirreno, criada no final de 2024 por uma pessoa que registrou outras firmas semelhantes. Segundo os investigadores, esse é um indício de que se tratava de uma “empresa de prateleira” para viabilizar a operação de socorro ao Master.
Tão logo foi lançada no mercado, a Tirreno ampliou o seu capital para R$ 30 milhões, passou a ter como diretor um ex-funcionário do Master e realizou mudanças societárias – que, de acordo com a PF, foram formalizadas somente após o início da operação financeira envolvendo o BRB.
O Ministério Público Federal destaca que o contrato inicial de parceria entre Master e Tirreno e um dos instrumentos de cessão de crédito “sequer estão autenticados em cartório”, enquanto os demais documentos da operação foram registrados formalmente apenas alguns meses depois da transação.
“Mostra-se atípico e desarrazoado que somente após a provocação do Banco Central sobre as informações, o BRB passou a exigir documentos adicionais, situação bastante suspeita para quem realizaria operação neste montante (R$ 12,2 bilhões) e que deveria se cercar de cuidados objetivos e mínimos para a viabilidade deste tipo de transação”, afirmam os investigadores.
Mudança de rumo
Para corrigir as falhas identificadas pelo Banco Central, o BRB decidiu interromper diretamente a operação com Tirreno, responsável pela emissão dos títulos que eram repassados pelo Master. A instituição financeira do governo do Distrito Federal optou por substituir as carteiras compradas por outros ativos de Daniel Vorcaro.
A finalidade era reduzir o saldo da operação, que somava R$ 12,2 bilhões. Contudo, de acordo com o inquérito, essa movimentação extrapolou o limite legal de exposição a um único cliente, estimado em R$ 1,1 bilhão.
De acordo com a investigação, entre julho de 2024 e outubro de 2025, BRB e Master realizaram operações que somaram R$ 16,7 bilhões. Essas transações ocorreram mesmo “diante de ressalvas formuladas pelo Banco Central”. (Com informações do jornal O Globo)
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