Edinho Silva coordena campanha de Lula à reeleição e foi ministro da Secom de Dilma. (Foto: Divulgação/PT)
Em uma semana de derrotas históricas para o governo, o presidente do PT, Edinho Silva, classificou como “erro” o fato de parlamentares de seu partido não terem assinado o requerimento pedindo a instalação da CPI do Banco Master. “O PT deveria ter assinado a CPI do Banco Master. Foi um erro que o PT cometeu”, disse Edinho em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. “É evidente que, diante da gravidade das denúncias, as bancadas deveriam ter liderado a formação das comissões de investigação.”
“O modelo político brasileiro ruiu. Está totalmente destruído”, completou o presidente do PT, candidato a deputado federal. A seguir os principais trechos da entrevista:
1. O governo sofreu duas importantes derrotas nesta semana. Que influência essa queda de braço entre governo e Congresso terá na campanha?
Penso que são duas questões distintas. Sobre a rejeição ao nome do ministro Messias, o Senado comete um grave erro e gera importante instabilidade institucional. É mais uma atribuição do Poder Executivo esvaziada pelo Legislativo. Messias é um jurista sério e a rejeição do nome dele revela a disposição de setores do Congresso de enfraquecer o Judiciário e transformar uma indicação qualificada em disputa política.
2. Mas nessa disputa política também houve a derrubada do veto do presidente Lula ao projeto que diminui a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro…
Mais uma vez, o Congresso vira as costas para a sociedade, que, em sua maioria, rejeita a proposta. Os responsáveis pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 planejaram assassinar o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o presidente do TSE na época, Alexandre de Moraes. Aliviar a punição de crimes dessa natureza é ignorar a gravidade da tentativa de ruptura institucional.
3. Desde os atos do 8 de Janeiro, o STF tem sido aliado do governo Lula. O PT e o presidente só adotaram essa posição agora porque o Judiciário enfrenta crise de credibilidade, não?
4. E ruiu por quê? Por causa das emendas?
As emendas são um sintoma do desgaste do modelo político. Quando você torna a emenda uma moeda de troca para votar projetos, é um sintoma gravíssimo. Nós temos que recuperar a credibilidade do Legislativo. Por que a sociedade não pode escolher o que é prioridade para o Orçamento? Podemos regulamentar o plebiscito e chamar a sociedade para o jogo democrático. Nós queremos o fim desse modelo de emendas que está aí. Não pode o Congresso executar, como está previsto no Orçamento de 2026, R$ 60 bilhões.
5. O presidente fica refém do Congresso…
Fica refém e se estabelece um balcão de negociação que enfraquece o sistema político inteiro. E, seja o presidente, o governador, o prefeito, onde existe emenda impositiva ele tem o seu poder usurpado.
6. O PT divulgou um vídeo nas redes sociais que associa o senador Flávio Bolsonaro ao escândalo do Banco Master. Só que ele não é investigado nesse caso e o Centrão saiu em sua defesa. Uma estratégia assim não atrapalha alianças do PT com esses setores nas eleições?
7. E por que o PT não assinou a CPI do Banco Master?
Não sei. Acho que foi um erro. O PT deveria ter assinado a CPI do Banco Master. O PT deveria ter liderado a criação da CPMI do INSS. O presidente Lula defendeu isso para as lideranças do PT o tempo todo. Foi um erro que o PT cometeu, porque a gente tem uma concepção, e de todo não está errado, que as comissões de inquérito paralisam o Congresso, impedem a aprovação dos projetos. Portanto, elas paralisam o governo também. Mas é evidente que, diante da gravidade das denúncias, as bancadas deveriam ter liderado a formação das comissões de investigação.
O líder do PT na Câmara acredita que os vetos nem sequer serão pautados em 2026, em razão da impopularidade do tema. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados) Líderes partidários divergem sobre o futuro dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a dispositivos com “penduricalhos” que elevariam os salários de servidores da Câmara dos …
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Ala tem se mantido distante de qualquer negociação com o Legislativo. (Foto: Luiz Silveira/STF) Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) indicam reservadamente que podem ajustar as condenações dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, caso o Congresso aprove um texto que altere as penas dos crimes imputados a eles. Apesar disso, …
A investigação contra Carlos Bolsonaro havia sido arquivada pelo próprio Ministério Público em setembro de 2024. Foto: Caio Cesar/CMRJ A investigação contra Carlos Bolsonaro havia sido arquivada pelo próprio Ministério Público em setembro de 2024. (Foto: Caio Cesar/CMRJ) O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) reabriu a investigação contra o ex-vereador do Rio de …
“PT cometeu um erro ao não assinar a CPI do Banco Master”, diz o presidente do partido
Edinho Silva coordena campanha de Lula à reeleição e foi ministro da Secom de Dilma. (Foto: Divulgação/PT)
Em uma semana de derrotas históricas para o governo, o presidente do PT, Edinho Silva, classificou como “erro” o fato de parlamentares de seu partido não terem assinado o requerimento pedindo a instalação da CPI do Banco Master. “O PT deveria ter assinado a CPI do Banco Master. Foi um erro que o PT cometeu”, disse Edinho em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. “É evidente que, diante da gravidade das denúncias, as bancadas deveriam ter liderado a formação das comissões de investigação.”
“O modelo político brasileiro ruiu. Está totalmente destruído”, completou o presidente do PT, candidato a deputado federal. A seguir os principais trechos da entrevista:
1. O governo sofreu duas importantes derrotas nesta semana. Que influência essa queda de braço entre governo e Congresso terá na campanha?
Penso que são duas questões distintas. Sobre a rejeição ao nome do ministro Messias, o Senado comete um grave erro e gera importante instabilidade institucional. É mais uma atribuição do Poder Executivo esvaziada pelo Legislativo. Messias é um jurista sério e a rejeição do nome dele revela a disposição de setores do Congresso de enfraquecer o Judiciário e transformar uma indicação qualificada em disputa política.
2. Mas nessa disputa política também houve a derrubada do veto do presidente Lula ao projeto que diminui a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro…
Mais uma vez, o Congresso vira as costas para a sociedade, que, em sua maioria, rejeita a proposta. Os responsáveis pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 planejaram assassinar o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o presidente do TSE na época, Alexandre de Moraes. Aliviar a punição de crimes dessa natureza é ignorar a gravidade da tentativa de ruptura institucional.
3. Desde os atos do 8 de Janeiro, o STF tem sido aliado do governo Lula. O PT e o presidente só adotaram essa posição agora porque o Judiciário enfrenta crise de credibilidade, não?
4. E ruiu por quê? Por causa das emendas?
As emendas são um sintoma do desgaste do modelo político. Quando você torna a emenda uma moeda de troca para votar projetos, é um sintoma gravíssimo. Nós temos que recuperar a credibilidade do Legislativo. Por que a sociedade não pode escolher o que é prioridade para o Orçamento? Podemos regulamentar o plebiscito e chamar a sociedade para o jogo democrático. Nós queremos o fim desse modelo de emendas que está aí. Não pode o Congresso executar, como está previsto no Orçamento de 2026, R$ 60 bilhões.
5. O presidente fica refém do Congresso…
Fica refém e se estabelece um balcão de negociação que enfraquece o sistema político inteiro. E, seja o presidente, o governador, o prefeito, onde existe emenda impositiva ele tem o seu poder usurpado.
6. O PT divulgou um vídeo nas redes sociais que associa o senador Flávio Bolsonaro ao escândalo do Banco Master. Só que ele não é investigado nesse caso e o Centrão saiu em sua defesa. Uma estratégia assim não atrapalha alianças do PT com esses setores nas eleições?
7. E por que o PT não assinou a CPI do Banco Master?
Não sei. Acho que foi um erro. O PT deveria ter assinado a CPI do Banco Master. O PT deveria ter liderado a criação da CPMI do INSS. O presidente Lula defendeu isso para as lideranças do PT o tempo todo. Foi um erro que o PT cometeu, porque a gente tem uma concepção, e de todo não está errado, que as comissões de inquérito paralisam o Congresso, impedem a aprovação dos projetos. Portanto, elas paralisam o governo também. Mas é evidente que, diante da gravidade das denúncias, as bancadas deveriam ter liderado a formação das comissões de investigação.
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