Ainda há dúvida sobre qual será o efeito das medidas eleitoreiras de Lula. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Às vésperas da sabatina de Jorge Messias, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), operou intensamente pela rejeição do nome ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, estranhamente, ele não apresentava um motivo nas conversas, segundo relato dos congressistas abordados.
Todos sabiam que não se tratava mais de insistir na indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga de ministro do STF. O que seria então?
Uma semana após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofrer sua maior derrota e humilhação no Congresso, vê-se que Alcolumbre estava um passo à frente.
O cenário nacional mostra que está se formando um ambiente sólido de oposição ao presidente Lula. Alcolumbre já identificou o isolamento do petista e enxerga a alternância de poder na marca do gol.
Nesse contexto, ele articulou um reposicionamento estratégico, estabelecendo novas pontes políticas de acordo com a conveniência eleitoral. Basta lembrar o abraço efusivo no presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em pleno plenário.
O quadro para a corrida ao Palácio do Planalto deste ano apresenta Lula isolado no campo da esquerda. Do outro lado, a oposição se pulveriza e tem pelo menos seis pré-candidatos: além de Flávio, Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Aldo Rebelo (Democracia Cristã).
Diferentemente da “onda vermelha” que levou Lula à sua primeira eleição presidencial em 2002, o que se desenha para um eventual segundo turno é uma maré, ainda sem coloração definida – tal qual o próprio Centrão –, unida pelo pragmatismo do “todos contra Lula”.
Vira-casaca
Alcolumbre, que orbitou o governo Jair Bolsonaro (PL) e migrou para o colo de Lula 3, agora dá sinais de virar a casaca novamente, sem constrangimentos, arrastando consigo seu grupamento político. A eficácia da articulação “daviniana” foi provada quando ele antecipou, com precisão, o placar da rejeição a Messias em um áudio vazado.
Restam poucas saídas para o Planalto. Os governistas até ensaiaram uma reprise do discurso “Congresso inimigo do povo”. Mas a retórica desta vez não prosperou, uma vez que a postura do Senado foi interpretada pela opinião pública como um contrapeso necessário a um STF em descrédito. O jeito é manter pontes com o presidente do Senado.
Como ainda há dúvida sobre qual será o efeito das medidas eleitoreiras de Lula com o Desenrola 2 e o fim da escala de trabalho 6×1 na popularidade do presidente, do governo e nas urnas, o atual líder maior do Centrão no Senado mantém um pé em cada canoa, mas o corpo quase inteiro no barco da oposição.
O realinhamento de Davi Alcolumbre retoma a discussão inicial sobre as vagas no STF. O cálculo é estratégico: o próximo presidente indicará pelo menos três ministros, podendo alterar a maioria e a correlação de forças na Corte caso a oposição vença. (Roseann Kennedy/Estadão Conteúdo)
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O quadro para a corrida ao Palácio do Planalto deste ano apresenta Lula isolado na esquerda; a oposição tem pelo menos seis pré-candidatos
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Às vésperas da sabatina de Jorge Messias, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), operou intensamente pela rejeição do nome ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, estranhamente, ele não apresentava um motivo nas conversas, segundo relato dos congressistas abordados.
Todos sabiam que não se tratava mais de insistir na indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga de ministro do STF. O que seria então?
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O cenário nacional mostra que está se formando um ambiente sólido de oposição ao presidente Lula. Alcolumbre já identificou o isolamento do petista e enxerga a alternância de poder na marca do gol.
Nesse contexto, ele articulou um reposicionamento estratégico, estabelecendo novas pontes políticas de acordo com a conveniência eleitoral. Basta lembrar o abraço efusivo no presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em pleno plenário.
O quadro para a corrida ao Palácio do Planalto deste ano apresenta Lula isolado no campo da esquerda. Do outro lado, a oposição se pulveriza e tem pelo menos seis pré-candidatos: além de Flávio, Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Aldo Rebelo (Democracia Cristã).
Diferentemente da “onda vermelha” que levou Lula à sua primeira eleição presidencial em 2002, o que se desenha para um eventual segundo turno é uma maré, ainda sem coloração definida – tal qual o próprio Centrão –, unida pelo pragmatismo do “todos contra Lula”.
Vira-casaca
Alcolumbre, que orbitou o governo Jair Bolsonaro (PL) e migrou para o colo de Lula 3, agora dá sinais de virar a casaca novamente, sem constrangimentos, arrastando consigo seu grupamento político. A eficácia da articulação “daviniana” foi provada quando ele antecipou, com precisão, o placar da rejeição a Messias em um áudio vazado.
Restam poucas saídas para o Planalto. Os governistas até ensaiaram uma reprise do discurso “Congresso inimigo do povo”. Mas a retórica desta vez não prosperou, uma vez que a postura do Senado foi interpretada pela opinião pública como um contrapeso necessário a um STF em descrédito. O jeito é manter pontes com o presidente do Senado.
Como ainda há dúvida sobre qual será o efeito das medidas eleitoreiras de Lula com o Desenrola 2 e o fim da escala de trabalho 6×1 na popularidade do presidente, do governo e nas urnas, o atual líder maior do Centrão no Senado mantém um pé em cada canoa, mas o corpo quase inteiro no barco da oposição.
O realinhamento de Davi Alcolumbre retoma a discussão inicial sobre as vagas no STF. O cálculo é estratégico: o próximo presidente indicará pelo menos três ministros, podendo alterar a maioria e a correlação de forças na Corte caso a oposição vença. (Roseann Kennedy/Estadão Conteúdo)
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