Ex-deputado anunciou que sairá candidato a suplente no Senado. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
O anúncio de que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sairá candidato ao Senado, como suplente na chapa do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL-SP), leva a uma inevitável discussão sobre a sua inelegibilidade. Além dos vários enroscos que tem na Justiça (como as ações criminais a que responde no STP), ele também foi cassado por faltas por um ato da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.
Na legislação brasileira, está explícito que a cassação de mandato só gera inelegibilidade em duas hipóteses: quando houver quebra de decoro parlamentar ou quando houver a prática de algum ato empresarial incompatível com o poder público (por exemplo, se um deputado for sócio de uma empresa que tem contratos ativos com a administração). Nessas duas hipóteses, a cassação precisa ser votada pelo plenário e atingir pelo menos a maioria absoluta (mais da metade do número de cadeiras).
No caso de Eduardo, a cassação foi por faltas. Autoexilado nos Estados Unidos, ele saiu do país no começo de 2025 com uma licença, que venceu e não foi renovada. A lei não diz que, em situações como a dele, o parlamentar fica inelegível. Essa configuração abre o caminho para que Eduardo registre uma candidatura a qualquer cargo nas eleições de outubro a lei não exige que o candidato esteja em solo nacional para fazer campanha.
A existência dessa lacuna legal deverá ser explorada pela oposição para fundamentar pedidos de impugnação da candidatura da chapa composta por Eduardo. “Não há uma clareza na legislação sobre essa cassação da Câmara também o deixar inelegível, como acontece com a cassação por quebra de decoro. Não tenho nenhuma dúvida: se ele se lançar candidato a uma chapa, vai haver pedido de impugnação”, afirma o advogado eleitoralista e professor Fernando Neisser.
No caso de Eduardo, uma possível linha de argumentação que seus adversários podem explorar é tentar equiparar o caso dele ao de quem renuncia para escapar da cassação. Ao permanecer nos EUA e faltar a sucessivas sessões da Casa, o Zero Três teria “provocado” a perda do seu mandato, antes mesmo da análise de outros pedidos de cassação por quebra de decoro parlamentar. Em seus anos de Câmara, Eduardo foi alvo de 17 pedidos, alguns arquivados depois que ele perdeu o mandato no fim do ano passado, por perda do objeto.
Como a chapa do Senado é registrada como uma unidade fechada na Justiça Eleitoral, todos os candidatos precisam preencher todos os requisitos legais, sob pena da chapa cair como um todo. Ou seja, se em uma eventual impugnação Eduardo for considerado inelegível, a candidatura de André do Prado não se sustenta sozinha. O caso começaria a ser analisado no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, com chance de recurso para o Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília. (Com informações da revista Veja)
Parlamentar apresentou projeto no para derrubar decreto que cria o “Plano Nacional de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos”. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado) A senadora Tereza Cristina (PP-MS) acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de legitimar politicamente invasões de terra por meio de um decreto que institui o …
Solicitações de visitas de dois senadores e dois deputados foram enviadas a Alexandre de Moraes. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil) A visita de Valadares foi marcada para o dia 22 de setembro e a de Sóstenes para o dia 24. Agora, a defesa solicitou a inversão das datas. Bolsonaro deu entrada na emergência do Hospital DF …
Ciro Nogueira (foto) diz que acordo só depende de o candidato do PL manter discurso de moderação. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado) O pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) reforçou as negociações para costurar uma aliança eleitoral com o Centrão e está próximo de fechar o apoio da federação União Progressista, formada pelo …
Na votação da medida, na semana passada, o Planalto se posicionou contra a aprovação. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado Na votação da medida, na semana passada, o Planalto se posicionou contra a aprovação. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado) Com a perspectiva de a votação do projeto de lei Antifacção na semana que vem no Senado, o Ministério …
Cassação de Eduardo Bolsonaro por faltas abre margem para questionamento sobre sua inelegibilidade
Ex-deputado anunciou que sairá candidato a suplente no Senado. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
O anúncio de que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sairá candidato ao Senado, como suplente na chapa do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL-SP), leva a uma inevitável discussão sobre a sua inelegibilidade. Além dos vários enroscos que tem na Justiça (como as ações criminais a que responde no STP), ele também foi cassado por faltas por um ato da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.
Na legislação brasileira, está explícito que a cassação de mandato só gera inelegibilidade em duas hipóteses: quando houver quebra de decoro parlamentar ou quando houver a prática de algum ato empresarial incompatível com o poder público (por exemplo, se um deputado for sócio de uma empresa que tem contratos ativos com a administração). Nessas duas hipóteses, a cassação precisa ser votada pelo plenário e atingir pelo menos a maioria absoluta (mais da metade do número de cadeiras).
No caso de Eduardo, a cassação foi por faltas. Autoexilado nos Estados Unidos, ele saiu do país no começo de 2025 com uma licença, que venceu e não foi renovada. A lei não diz que, em situações como a dele, o parlamentar fica inelegível. Essa configuração abre o caminho para que Eduardo registre uma candidatura a qualquer cargo nas eleições de outubro a lei não exige que o candidato esteja em solo nacional para fazer campanha.
A existência dessa lacuna legal deverá ser explorada pela oposição para fundamentar pedidos de impugnação da candidatura da chapa composta por Eduardo. “Não há uma clareza na legislação sobre essa cassação da Câmara também o deixar inelegível, como acontece com a cassação por quebra de decoro. Não tenho nenhuma dúvida: se ele se lançar candidato a uma chapa, vai haver pedido de impugnação”, afirma o advogado eleitoralista e professor Fernando Neisser.
No caso de Eduardo, uma possível linha de argumentação que seus adversários podem explorar é tentar equiparar o caso dele ao de quem renuncia para escapar da cassação. Ao permanecer nos EUA e faltar a sucessivas sessões da Casa, o Zero Três teria “provocado” a perda do seu mandato, antes mesmo da análise de outros pedidos de cassação por quebra de decoro parlamentar. Em seus anos de Câmara, Eduardo foi alvo de 17 pedidos, alguns arquivados depois que ele perdeu o mandato no fim do ano passado, por perda do objeto.
Como a chapa do Senado é registrada como uma unidade fechada na Justiça Eleitoral, todos os candidatos precisam preencher todos os requisitos legais, sob pena da chapa cair como um todo. Ou seja, se em uma eventual impugnação Eduardo for considerado inelegível, a candidatura de André do Prado não se sustenta sozinha. O caso começaria a ser analisado no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, com chance de recurso para o Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília. (Com informações da revista Veja)
Related Posts
Ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina acusa Lula de legitimar invasores de terra como defensores de direitos humanos
Parlamentar apresentou projeto no para derrubar decreto que cria o “Plano Nacional de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos”. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado) A senadora Tereza Cristina (PP-MS) acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de legitimar politicamente invasões de terra por meio de um decreto que institui o …
Após deixar hospital, Bolsonaro pede visita de deputados e senadores
Solicitações de visitas de dois senadores e dois deputados foram enviadas a Alexandre de Moraes. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil) A visita de Valadares foi marcada para o dia 22 de setembro e a de Sóstenes para o dia 24. Agora, a defesa solicitou a inversão das datas. Bolsonaro deu entrada na emergência do Hospital DF …
Flávio Bolsonaro tenta costurar uma aliança; PP e União Brasil sinalizam apoio à sua candidatura
Ciro Nogueira (foto) diz que acordo só depende de o candidato do PL manter discurso de moderação. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado) O pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) reforçou as negociações para costurar uma aliança eleitoral com o Centrão e está próximo de fechar o apoio da federação União Progressista, formada pelo …
Ministério da Justiça envia a relator do Senado dez pontos que considera “problemas essenciais” em PL Antifacção
Na votação da medida, na semana passada, o Planalto se posicionou contra a aprovação. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado Na votação da medida, na semana passada, o Planalto se posicionou contra a aprovação. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado) Com a perspectiva de a votação do projeto de lei Antifacção na semana que vem no Senado, o Ministério …