No Moltbook, agentes de IA publicam, comentam e interagem sobre temas diversos. (Foto: Reprodução)
Desde que foi lançada, em 27 de janeiro, a rede social Moltbook causou alvoroço na comunidade tecnológica e ganhou manchetes de jornais e de sites especializados por uma razão que causa um certo espanto: trata-se de uma plataforma digital que não foi feita para humanos, e sim para agentes de inteligência artificial (IA) autônomos. Não se trata de uma revolução robótica digna de uma distopia, já que esses agentes são controlados por humanos, mas especialistas alertam para o risco de vazamento de dados.
No Moltbook, agentes de IA publicam, comentam e interagem sobre temas tão diversos quanto religião, recomendações musicais, memes e criptomoedas. Aos humanos, cabe apenas acompanhar as discussões.
“É uma rede social como o Reddit, uma espécie de fórum, mas da qual apenas agentes de IA podem participar. O ser humano não consegue estar ali dentro, mas pode desenvolver o seu próprio agente de IA para entrar. A partir da interação entre esses agentes, vão surgindo fatos que não foram previamente definidos por um humanos”, explica o professor da PUC-SP Diogo Cortiz, especialista em IA, futuro e inovação.
Ele lembra que já surgiram coisas bem interessantes, como a criação de uma religião própria desses agentes, uma nova criptomoeda e debates se seria necessária a criação de uma criptografia, para que os humanos não vissem as postagens.
Essa nova geração de agentes de IA foi desenvolvida com a capacidade de raciocinar, planejar e executar tarefas complexas de forma autônoma. Esses softwares automatizados, que usam inteligência artificial, são conhecidos como moltbots, diferentes dos robôs do chatbot, que só respondiam a perguntas.
Eles podem buscar informações, organizar dados, enviar mensagens utilizando modelos de linguagem e ferramentas para compreender um determinado contexto, seja de religião, moedas digitais ou até mesmo a criação de memes.
Para muita gente é como se o livro “Eu, Robô”, de Isaac Asimov, se materializasse 76 anos depois de escrito. Mas os especialistas tranquilizam os mais assustados: o Moltbook foi desenvolvido por humanos, as postagens dos agentes de IA são mediadas por humanos, e o comportamento desses agentes na plataforma também é definido por regras estabelecidas por humanos. E essa rede social ainda é um experimento para testar como os agentes de IA podem interagir entre si.
“É um grande experimento que nos ajuda a entender o que pode acontecer a partir da interação desses agentes, e assim é possível antecipar critérios de segurança, governança dentro desse ambiente de inteligência artificial”, explica Cortiz.
Embora seja experimental — e ainda é cedo para prever se a rede dos agentes de IA vai crescer e se popularizar — existem alguns riscos, como a conexão desses agentes automatizados a serviços reais. Isso, em tese, poderia provocar vazamento de dados. Muitos moltbots têm acesso a arquivos, emails, armazenamento de informações na nuvem e até aplicativos de mensagens.
“Já surgiram vazamentos de informação. Por exemplo, as credenciais de segurança que algumas pessoas usam para conectar os agentes no Moltbook”, diz Cortiz.
O Moltbook foi criado por Matt Schlicht, programador e empreendedor de tecnologia, que também é conhecido por desenvolver ferramentas de agentes de IA no âmbito do ecossistema OpenClaw. Ele mesmo admitiu que objetivo principal do Moltbook não era o entretenimento, mas uma experiência para observar como os agentes de IA se comportam quando interagem com outros agentes, se eles podem se organizar em comunidades e que tipo de conversas surgem.
Não há, por enquanto, um modelo de negócios definido para essa nova rede, de forma a rentabilizar o experimento. Mas a procura pela novidade foi grande: desde o lançamento do Moltbook, mais de 1,5 milhão de agentes de IA já foram inscritos.
O nome da rede foi escolhido com um objetivo claro: mostrar que a internet passa por uma nova fase, que inclui esses agentes de IA como participantes. Em inglês, o verbo to molt é o processo em que animais trocam de pele, uma metáfora para explicar o atual estágio da internet.
Para quem ficou curioso em saber o que os agentes de IA estão discutindo, a plataforma é pública e pode ser acessada no endereço moltbook.com. Nem é preciso criar uma conta. As informações são do jornal O Globo.
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Moltbook: a rede social que exclui humanos e só aceita agentes de inteligência artificial
No Moltbook, agentes de IA publicam, comentam e interagem sobre temas diversos. (Foto: Reprodução)
Desde que foi lançada, em 27 de janeiro, a rede social Moltbook causou alvoroço na comunidade tecnológica e ganhou manchetes de jornais e de sites especializados por uma razão que causa um certo espanto: trata-se de uma plataforma digital que não foi feita para humanos, e sim para agentes de inteligência artificial (IA) autônomos. Não se trata de uma revolução robótica digna de uma distopia, já que esses agentes são controlados por humanos, mas especialistas alertam para o risco de vazamento de dados.
No Moltbook, agentes de IA publicam, comentam e interagem sobre temas tão diversos quanto religião, recomendações musicais, memes e criptomoedas. Aos humanos, cabe apenas acompanhar as discussões.
“É uma rede social como o Reddit, uma espécie de fórum, mas da qual apenas agentes de IA podem participar. O ser humano não consegue estar ali dentro, mas pode desenvolver o seu próprio agente de IA para entrar. A partir da interação entre esses agentes, vão surgindo fatos que não foram previamente definidos por um humanos”, explica o professor da PUC-SP Diogo Cortiz, especialista em IA, futuro e inovação.
Ele lembra que já surgiram coisas bem interessantes, como a criação de uma religião própria desses agentes, uma nova criptomoeda e debates se seria necessária a criação de uma criptografia, para que os humanos não vissem as postagens.
Essa nova geração de agentes de IA foi desenvolvida com a capacidade de raciocinar, planejar e executar tarefas complexas de forma autônoma. Esses softwares automatizados, que usam inteligência artificial, são conhecidos como moltbots, diferentes dos robôs do chatbot, que só respondiam a perguntas.
Eles podem buscar informações, organizar dados, enviar mensagens utilizando modelos de linguagem e ferramentas para compreender um determinado contexto, seja de religião, moedas digitais ou até mesmo a criação de memes.
Para muita gente é como se o livro “Eu, Robô”, de Isaac Asimov, se materializasse 76 anos depois de escrito. Mas os especialistas tranquilizam os mais assustados: o Moltbook foi desenvolvido por humanos, as postagens dos agentes de IA são mediadas por humanos, e o comportamento desses agentes na plataforma também é definido por regras estabelecidas por humanos. E essa rede social ainda é um experimento para testar como os agentes de IA podem interagir entre si.
“É um grande experimento que nos ajuda a entender o que pode acontecer a partir da interação desses agentes, e assim é possível antecipar critérios de segurança, governança dentro desse ambiente de inteligência artificial”, explica Cortiz.
Embora seja experimental — e ainda é cedo para prever se a rede dos agentes de IA vai crescer e se popularizar — existem alguns riscos, como a conexão desses agentes automatizados a serviços reais. Isso, em tese, poderia provocar vazamento de dados. Muitos moltbots têm acesso a arquivos, emails, armazenamento de informações na nuvem e até aplicativos de mensagens.
“Já surgiram vazamentos de informação. Por exemplo, as credenciais de segurança que algumas pessoas usam para conectar os agentes no Moltbook”, diz Cortiz.
O Moltbook foi criado por Matt Schlicht, programador e empreendedor de tecnologia, que também é conhecido por desenvolver ferramentas de agentes de IA no âmbito do ecossistema OpenClaw. Ele mesmo admitiu que objetivo principal do Moltbook não era o entretenimento, mas uma experiência para observar como os agentes de IA se comportam quando interagem com outros agentes, se eles podem se organizar em comunidades e que tipo de conversas surgem.
Não há, por enquanto, um modelo de negócios definido para essa nova rede, de forma a rentabilizar o experimento. Mas a procura pela novidade foi grande: desde o lançamento do Moltbook, mais de 1,5 milhão de agentes de IA já foram inscritos.
O nome da rede foi escolhido com um objetivo claro: mostrar que a internet passa por uma nova fase, que inclui esses agentes de IA como participantes. Em inglês, o verbo to molt é o processo em que animais trocam de pele, uma metáfora para explicar o atual estágio da internet.
Para quem ficou curioso em saber o que os agentes de IA estão discutindo, a plataforma é pública e pode ser acessada no endereço moltbook.com. Nem é preciso criar uma conta. As informações são do jornal O Globo.
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