Gabriel Galípolo assumiu o órgão em janeiro de 2025 e tem mandato até 2028.(Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, está sob forte pressão política do PT e do entorno de Luiz Inácio Lula da Silva após declarar que as investigações internas do órgão não apontaram “culpa” do seu antecessor no BC, Roberto Campos Neto, no caso do Banco Master. A declaração de Galípolo foi mal digerida no Palácio do Planalto que tenta, como estratégia eleitoral, responsabilizar a gestão de Jair Bolsonaro, que indicou Campos Neto, pelo escândalo.
No fim do ano passado, preocupados com os efeitos da taxa Selic (básica de juros) em 15% sobre os planos de reeleição de Lula, o alto escalão do governo já começou a mostrar descontentamento com Galípolo.
Houve novos atritos este ano com a indicação do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad a Lula para que Guilherme Mello assumisse uma das diretorias vagas do BC. Mas agora a relação chegou ao pior momento, ainda que o presidente da República adote um tom mais ameno, pelo menos publicamente.
Em depoimento à CPI do Crime Organizado, Galípolo afirmou a senadores que não foi encontrada “qualquer culpa” por parte de Campos Neto nas investigações internas do BC sobre o caso Master.
O atual presidente assumiu o órgão em janeiro de 2025 e tem mandato até 2028. Campos Neto ficou no cargo entre 2019 e 2024.
“Não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos (Neto)”, disse.
Integrantes do governo manifestaram nos bastidores irritação com o fato de o presidente do BC não ter apontado responsabilidade de seu antecessor no escândalo do Master. Lula havia debatido com auxiliares a pertinência da ida de Galípolo à CPI e a conclusão foi que valeria a pena se fosse para falar de Campos Neto.
Alguns aliados do presidente da República apontam que faltou habilidade política a Galípolo para tratar do tema. Politicamente, o ideal para o Planalto era que o chefe do BC tivesse replicado a “linha do tempo” que mostra o crescimento do Master durante a gestão Campos Neto e o governo Bolsonaro.
Mas, questionado sobre se havia “culpa” de Campos Neto, Galípolo respondeu objetivamente que as investigações não apontam dolo de seu antecessor, o que, para o entorno de Lula, acabou dificultando qualquer questionamento sobre eventual incompetência do ex-presidente do BC.
Oficialmente, porém, será mantido o discurso de que o presidente do BC está cumprindo o papel institucional que lhe cabe. Dentro do Banco Central, a avaliação é de que Galípolo acerta em manter a postura técnica para não ferir a autonomia ou afetar a credibilidade do órgão.
O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), escalou o tom das críticas. Segundo Uczai, a postura de Galípolo na CPI foi a gota d’água na relação com o partido e com o governo.
“Traidor. Não traidor de um governo, não de um presidente. O presidente (Lula) indicou, mas traidor do que se definiu em uma nova política. Bolsonaro e Paulo Guedes definiram um presidente do Banco Central numa perspectiva neoliberal monetarista. O presidente Lula foi eleito com política de crescimento econômico”, afirmou.
Uczai disse que não conversou com Lula sobre as declarações de Galípolo, mas avaliou que o presidente “certamente não está contente” com a postura do presidente do BC em relação ao seu antecessor.
“Não é que Galípolo tinha que mentir sobre o Campos Neto. Mas qualquer cidadão que faz o primeiro período de economia sabe que foi uma gestão temerária em relação ao Banco Master”, afirmou. “Era só falar a verdade. Ele omitiu, quando ele disse que Campos Neto não tem nenhuma responsabilidade sobre o caso Master.”
Antes de Uczai, Galípolo já havia recebido críticas do presidente do PT, Edinho Silva, e do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que disse que o chefe do BC “escolheu blindar” Campos Neto e o acusou de “corporativismo”. (Com informações do jornal O Globo)
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Mesmo indicado por Lula, presidente do Banco Central vive maior pressão à frente da instituição: “Traidor”, diz líder do PT da Câmara dos Deputados
Gabriel Galípolo assumiu o órgão em janeiro de 2025 e tem mandato até 2028.(Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, está sob forte pressão política do PT e do entorno de Luiz Inácio Lula da Silva após declarar que as investigações internas do órgão não apontaram “culpa” do seu antecessor no BC, Roberto Campos Neto, no caso do Banco Master. A declaração de Galípolo foi mal digerida no Palácio do Planalto que tenta, como estratégia eleitoral, responsabilizar a gestão de Jair Bolsonaro, que indicou Campos Neto, pelo escândalo.
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Houve novos atritos este ano com a indicação do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad a Lula para que Guilherme Mello assumisse uma das diretorias vagas do BC. Mas agora a relação chegou ao pior momento, ainda que o presidente da República adote um tom mais ameno, pelo menos publicamente.
Em depoimento à CPI do Crime Organizado, Galípolo afirmou a senadores que não foi encontrada “qualquer culpa” por parte de Campos Neto nas investigações internas do BC sobre o caso Master.
O atual presidente assumiu o órgão em janeiro de 2025 e tem mandato até 2028. Campos Neto ficou no cargo entre 2019 e 2024.
“Não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos (Neto)”, disse.
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Alguns aliados do presidente da República apontam que faltou habilidade política a Galípolo para tratar do tema. Politicamente, o ideal para o Planalto era que o chefe do BC tivesse replicado a “linha do tempo” que mostra o crescimento do Master durante a gestão Campos Neto e o governo Bolsonaro.
Mas, questionado sobre se havia “culpa” de Campos Neto, Galípolo respondeu objetivamente que as investigações não apontam dolo de seu antecessor, o que, para o entorno de Lula, acabou dificultando qualquer questionamento sobre eventual incompetência do ex-presidente do BC.
Oficialmente, porém, será mantido o discurso de que o presidente do BC está cumprindo o papel institucional que lhe cabe. Dentro do Banco Central, a avaliação é de que Galípolo acerta em manter a postura técnica para não ferir a autonomia ou afetar a credibilidade do órgão.
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“Traidor. Não traidor de um governo, não de um presidente. O presidente (Lula) indicou, mas traidor do que se definiu em uma nova política. Bolsonaro e Paulo Guedes definiram um presidente do Banco Central numa perspectiva neoliberal monetarista. O presidente Lula foi eleito com política de crescimento econômico”, afirmou.
Uczai disse que não conversou com Lula sobre as declarações de Galípolo, mas avaliou que o presidente “certamente não está contente” com a postura do presidente do BC em relação ao seu antecessor.
“Não é que Galípolo tinha que mentir sobre o Campos Neto. Mas qualquer cidadão que faz o primeiro período de economia sabe que foi uma gestão temerária em relação ao Banco Master”, afirmou. “Era só falar a verdade. Ele omitiu, quando ele disse que Campos Neto não tem nenhuma responsabilidade sobre o caso Master.”
Antes de Uczai, Galípolo já havia recebido críticas do presidente do PT, Edinho Silva, e do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que disse que o chefe do BC “escolheu blindar” Campos Neto e o acusou de “corporativismo”. (Com informações do jornal O Globo)
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