Presidente tem cobrado maior mobilização do PT em torno da campanha. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende adiar o lançamento oficial de sua pré-candidatura à reeleição até enxergar um cenário mais favorável para si e para o governo. O cálculo político ocorre em um momento em que o próprio chefe do Executivo passou a cobrar uma atuação mais incisiva do PT na preparação da disputa de 2026. Segundo auxiliares, Lula espera maior mobilização e iniciativa da legenda no esforço pré-eleitoral.
Em 2022, a pré-candidatura do petista foi lançada em 7 de maio. Neste ano, porém, em meio a especulações rechaçadas por aliados de que Lula pode não se candidatar novamente, interlocutores do partido também rejeitam a avaliação de atraso. Eles argumentam que, diferentemente da eleição passada, Lula está na Presidência e dispõe da estrutura do governo, o que reduziria a necessidade de antecipar movimentos eleitorais. Nos bastidores, a leitura é de que não há pressa, mas sim a busca pelo “timing” político mais adequado.
Apesar disso, parte do entorno do presidente demonstra incômodo com o ritmo adotado pelo PT. Integrantes próximos a Lula avaliam que o partido demorou a reagir ao avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como o principal adversário do presidente neste momento.
Também há críticas à baixa mobilização da militância, considerada aquém do esperado por aliados.
Ofensiva
Para tentar reverter esse cenário, o PT prepara uma ofensiva nacional de mobilização em defesa da reeleição de Lula, prevista para ser lançada nos próximos 15 dias. A iniciativa terá como mote “levar a verdade às ruas” e buscará destacar ações e resultados do governo federal. A estratégia já vinha sendo estimulada entre militantes e apoiadores, sobretudo nas redes sociais, mas agora deve ganhar escala nacional. A previsão é que o ato de lançamento da mobilização, que já reúne cerca de 10 mil inscritos, seja em Brasília.
A agenda será voltada a parlamentares, pré-candidatos e integrantes da pré-campanha, com o objetivo de estruturar uma rede de divulgação das ações do governo Lula. A partir disso, deverão ser definidos comandos de mobilização para militantes e apoiadores. Entre as ações previstas estão visitas a obras federais para apresentar resultados da gestão e comparações de indicadores econômicos e sociais com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na visão de Lula, é preciso intensificar esse discurso junto ao eleitorado.
Dentro do governo, a percepção é de que medidas vêm sendo tomadas para recuperar a aprovação do presidente, mas que o PT ainda não conseguiu engrenar plenamente a pré-campanha. Auxiliares avaliam que a legenda demorou a intensificar ataques a Flávio Bolsonaro, mesmo diante do crescimento do senador nas pesquisas. Embora esse movimento tenha aumentado nos últimos dois meses, persiste a avaliação de que ministros e integrantes do Palácio do Planalto poderiam se engajar mais diretamente na articulação eleitoral.
Mesmo mantendo conversas frequentes com o presidente do PT, Edinho Silva, Lula prefere fazer cobranças pontuais e deixar sob responsabilidade do partido a condução dos movimentos políticos, enquanto mantém o foco na agenda de governo. A interlocutores, o presidente afirma que a estratégia precisa ser coordenada e evitar iniciativas dispersas.
Militantes
O sentimento foi explicitado em um vídeo gravado por Lula e exibido na abertura do 8º Congresso Nacional do PT. Na mensagem, o presidente pediu que os militantes “levantem do sofá” para ter contato direto com os eleitores. Também defendeu que o partido apresente propostas “sérias” e “factíveis”.
Enquanto persiste a avaliação de que o PT ainda carece de maior combatividade, Lula tenta ampliar as frentes de atuação para melhorar seu momento político. O encontro entre o chefe do Executivo brasileiro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é visto por auxiliares como uma dessas oportunidades para enaltecer a soberania nacional e melhorar a popularidade.
“Momento ruim”
Rodrigo Prando, cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, avalia que uma postergação do anúncio da pré-candidatura não deve ter impacto negativo para a campanha, especialmente após a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
“O governo está em um momento ruim. Embora a economia não esteja tão ruim quanto a oposição gostaria que estivesse, o governo precisa melhorar bastante a sua articulação. Acho que o momento é esse, de esperar um pouquinho e postergar”, disse o cientista político.
Para ele, “se tem alguém que entende de tempo, de timing’ político, é o Lula”. “Claro que não é infalível, porque já houve derrotas, mas me parece uma decisão acertada”, comentou.
“Acredito que existe uma expectativa de que a situação melhore para ele (Lula), ou seja, há um esforço, uma estratégia de diminuir, quem sabe, a sua desaprovação e, ao mesmo tempo, de desgastar Flávio Bolsonaro.” (Com informações do Valor Econômico)
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Lula espera cenário mais favorável para se lançar pré-candidato
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Em 2022, a pré-candidatura do petista foi lançada em 7 de maio. Neste ano, porém, em meio a especulações rechaçadas por aliados de que Lula pode não se candidatar novamente, interlocutores do partido também rejeitam a avaliação de atraso. Eles argumentam que, diferentemente da eleição passada, Lula está na Presidência e dispõe da estrutura do governo, o que reduziria a necessidade de antecipar movimentos eleitorais. Nos bastidores, a leitura é de que não há pressa, mas sim a busca pelo “timing” político mais adequado.
Apesar disso, parte do entorno do presidente demonstra incômodo com o ritmo adotado pelo PT. Integrantes próximos a Lula avaliam que o partido demorou a reagir ao avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como o principal adversário do presidente neste momento.
Também há críticas à baixa mobilização da militância, considerada aquém do esperado por aliados.
Ofensiva
Para tentar reverter esse cenário, o PT prepara uma ofensiva nacional de mobilização em defesa da reeleição de Lula, prevista para ser lançada nos próximos 15 dias. A iniciativa terá como mote “levar a verdade às ruas” e buscará destacar ações e resultados do governo federal. A estratégia já vinha sendo estimulada entre militantes e apoiadores, sobretudo nas redes sociais, mas agora deve ganhar escala nacional. A previsão é que o ato de lançamento da mobilização, que já reúne cerca de 10 mil inscritos, seja em Brasília.
A agenda será voltada a parlamentares, pré-candidatos e integrantes da pré-campanha, com o objetivo de estruturar uma rede de divulgação das ações do governo Lula. A partir disso, deverão ser definidos comandos de mobilização para militantes e apoiadores. Entre as ações previstas estão visitas a obras federais para apresentar resultados da gestão e comparações de indicadores econômicos e sociais com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na visão de Lula, é preciso intensificar esse discurso junto ao eleitorado.
Dentro do governo, a percepção é de que medidas vêm sendo tomadas para recuperar a aprovação do presidente, mas que o PT ainda não conseguiu engrenar plenamente a pré-campanha. Auxiliares avaliam que a legenda demorou a intensificar ataques a Flávio Bolsonaro, mesmo diante do crescimento do senador nas pesquisas. Embora esse movimento tenha aumentado nos últimos dois meses, persiste a avaliação de que ministros e integrantes do Palácio do Planalto poderiam se engajar mais diretamente na articulação eleitoral.
Mesmo mantendo conversas frequentes com o presidente do PT, Edinho Silva, Lula prefere fazer cobranças pontuais e deixar sob responsabilidade do partido a condução dos movimentos políticos, enquanto mantém o foco na agenda de governo. A interlocutores, o presidente afirma que a estratégia precisa ser coordenada e evitar iniciativas dispersas.
Militantes
O sentimento foi explicitado em um vídeo gravado por Lula e exibido na abertura do 8º Congresso Nacional do PT. Na mensagem, o presidente pediu que os militantes “levantem do sofá” para ter contato direto com os eleitores. Também defendeu que o partido apresente propostas “sérias” e “factíveis”.
Enquanto persiste a avaliação de que o PT ainda carece de maior combatividade, Lula tenta ampliar as frentes de atuação para melhorar seu momento político. O encontro entre o chefe do Executivo brasileiro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é visto por auxiliares como uma dessas oportunidades para enaltecer a soberania nacional e melhorar a popularidade.
“Momento ruim”
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“O governo está em um momento ruim. Embora a economia não esteja tão ruim quanto a oposição gostaria que estivesse, o governo precisa melhorar bastante a sua articulação. Acho que o momento é esse, de esperar um pouquinho e postergar”, disse o cientista político.
Para ele, “se tem alguém que entende de tempo, de timing’ político, é o Lula”. “Claro que não é infalível, porque já houve derrotas, mas me parece uma decisão acertada”, comentou.
“Acredito que existe uma expectativa de que a situação melhore para ele (Lula), ou seja, há um esforço, uma estratégia de diminuir, quem sabe, a sua desaprovação e, ao mesmo tempo, de desgastar Flávio Bolsonaro.” (Com informações do Valor Econômico)
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