Projeto foi aprovado durante a madrugada dessa quarta (10) pela Câmara e ainda será analisado no Senado. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou ministros e parlamentares aliados a se manifestaram contra a aprovação na Câmara dos Deputados do projeto de dosimetria, que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro e demais condenados na trama golpista com a redução de penas. De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, caso o texto avance também no Senado, a tendência é que sejam vetados privilégios para os integrantes da cúpula da tentativa de golpe.
Lula reiterou a pessoas próximas que é preciso se colocar publicamente contra o andamento do texto. Internamente, Lula classificou a aprovação como um “absurdo”.
O Planalto calcula, com base em métricas das redes sociais, que há no momento impacto negativo para o Congresso. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, punição que passaria para 22 anos, segundo a proposta aprovada na Câmara. Ele poderia deixar o regime fechado em cerca de três anos.
A avaliação inicial é que a tendência é vetar benefícios a Bolsonaro e todo núcleo principal da trama golpista, que inclui os ex-ministros Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Anderson Torres; o ex-comandante da Marinha Almir Garnier; e o deputado federal Alexandre Ramagem. O ex-ajudante de ordens Mauro Cid também integra o grupo, mas foi sentenciado com uma pena mais baixa por ter se tornado colaborador e já deixou o regime fechado.
Integrantes do governo ponderam, no entanto, que a tramitação no Congresso ainda está em andamento e que qualquer decisão sobre um eventual veto é precedida de análises jurídicas e políticas detalhadas.
O peso da discussão faz com que já exista uma divisão entre alas do governo. Um grupo capitaneado pelo líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), defende que benefícios a condenados que não planejaram o golpe e tiveram penas menores, como os participantes dos atos do 8 de Janeiro, devem ser mantidos. Porém, não há consenso sobre o tema, e o próprio entorno presidencial duvida que Lula opte por esse caminho.
Um receio levado em conta pelo governo é que, ao não vetar, o Planalto atue diretamente para interferir no Judiciário, que estabeleceu as penas. Segundo essa interpretação, isso abriria um precedente perigoso de que toda vez que o Congresso avaliasse que uma pena é excessiva, poderia agir para reduzi-la. Auxiliares do presidente consideram “difícil” Lula se colocar ao lado disso.
Centrão
O governo vê empenho do Centrão em pautar e votar o projeto da dosimetria para fazer um afago a Bolsonaro depois de ter reagido mal publicamente ao lançamento da pré-candidatura de Flavio Bolsonaro à Presidência da República.
Na avaliação do governo, parte significativa do Centrão precisa do apoio do ex-presidente em muitos estados para as eleições de 2026. Assim, parlamentares terão como dizer em suas bases que entregaram a redução de pena dos condenados de 8/1.
Alas do governo entendem que há pouco espaço para brecar o andamento do projeto no Senado se houver acordo entre Centrão e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (Uniao-AP), para votar o texto, embora o melhor cenário seria deixar o tema para fevereiro. O projeto passará pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Porém, mesmo que Senado aprove a dosimetria este ano, Lula não terá pressa para sancionar ou vetar. A partir da aprovação no Senado, o presidente terá quinze dias para a tomada de decisão. Com os intervalos das festas de final de ano, a análise já seria empurrada para o início de 2026. (Com informações do jornal O Globo)
https://www.osul.com.br/lula-cobra-ministros-a-se-manifestarem-contra-a-reducao-da-pena-de-prisao-de-bolsonaro/ Lula cobra ministros a se manifestarem contra a redução da pena de prisão de Bolsonaro 2025-12-10
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou a aliados ter 60 votos para rejeitar a indicação de Jorge Messias. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado) Um episódio envolvendo Jorge Messias deu a dimensão do problema do Planalto na articulação política. Um senador que o indicado de Lula para o STF havia acabado de visitar recebeu, …
Governador de Minas Gerais disse que a sua intenção para 2026 segue firme e defendeu que “quanto mais candidatos à direita, melhor” Foto: Reprodução (Foto: Reprodução) O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta sábado (6) que sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026 segue inalterada, mesmo após o anúncio do senador …
Diferença entre o presidente (D) e o senador (E) era de dez pontos na pesquisa de dezembro. (Fotos: Saulo Cruz/Agência Senado e Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil) Pesquisa Quaest divulgada nessa quarta-feira (11) mostra que o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão empatados numericamente, ambos com 41% das intenções de voto, no cenário …
Coronel Etevaldo sugeriu que regulamentos militares poderiam ser ‘desconsiderados em determinadas situações’ e que a ‘hierarquia e a disciplina poderiam ser rompidas’. (Foto: Reprodução/YouTube) A primeira instância da Justiça Militar da União em Juiz de Fora (MG) – 4ª Circunscrição Judiciária Militar – condenou o coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, reformado, acusado …
Lula cobra ministros a se manifestarem contra a redução da pena de prisão de Bolsonaro
Projeto foi aprovado durante a madrugada dessa quarta (10) pela Câmara e ainda será analisado no Senado. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou ministros e parlamentares aliados a se manifestaram contra a aprovação na Câmara dos Deputados do projeto de dosimetria, que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro e demais condenados na trama golpista com a redução de penas. De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, caso o texto avance também no Senado, a tendência é que sejam vetados privilégios para os integrantes da cúpula da tentativa de golpe.
Lula reiterou a pessoas próximas que é preciso se colocar publicamente contra o andamento do texto. Internamente, Lula classificou a aprovação como um “absurdo”.
O Planalto calcula, com base em métricas das redes sociais, que há no momento impacto negativo para o Congresso. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, punição que passaria para 22 anos, segundo a proposta aprovada na Câmara. Ele poderia deixar o regime fechado em cerca de três anos.
A avaliação inicial é que a tendência é vetar benefícios a Bolsonaro e todo núcleo principal da trama golpista, que inclui os ex-ministros Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Anderson Torres; o ex-comandante da Marinha Almir Garnier; e o deputado federal Alexandre Ramagem. O ex-ajudante de ordens Mauro Cid também integra o grupo, mas foi sentenciado com uma pena mais baixa por ter se tornado colaborador e já deixou o regime fechado.
Integrantes do governo ponderam, no entanto, que a tramitação no Congresso ainda está em andamento e que qualquer decisão sobre um eventual veto é precedida de análises jurídicas e políticas detalhadas.
O peso da discussão faz com que já exista uma divisão entre alas do governo. Um grupo capitaneado pelo líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), defende que benefícios a condenados que não planejaram o golpe e tiveram penas menores, como os participantes dos atos do 8 de Janeiro, devem ser mantidos. Porém, não há consenso sobre o tema, e o próprio entorno presidencial duvida que Lula opte por esse caminho.
Um receio levado em conta pelo governo é que, ao não vetar, o Planalto atue diretamente para interferir no Judiciário, que estabeleceu as penas. Segundo essa interpretação, isso abriria um precedente perigoso de que toda vez que o Congresso avaliasse que uma pena é excessiva, poderia agir para reduzi-la. Auxiliares do presidente consideram “difícil” Lula se colocar ao lado disso.
Centrão
O governo vê empenho do Centrão em pautar e votar o projeto da dosimetria para fazer um afago a Bolsonaro depois de ter reagido mal publicamente ao lançamento da pré-candidatura de Flavio Bolsonaro à Presidência da República.
Na avaliação do governo, parte significativa do Centrão precisa do apoio do ex-presidente em muitos estados para as eleições de 2026. Assim, parlamentares terão como dizer em suas bases que entregaram a redução de pena dos condenados de 8/1.
Alas do governo entendem que há pouco espaço para brecar o andamento do projeto no Senado se houver acordo entre Centrão e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (Uniao-AP), para votar o texto, embora o melhor cenário seria deixar o tema para fevereiro. O projeto passará pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Porém, mesmo que Senado aprove a dosimetria este ano, Lula não terá pressa para sancionar ou vetar. A partir da aprovação no Senado, o presidente terá quinze dias para a tomada de decisão. Com os intervalos das festas de final de ano, a análise já seria empurrada para o início de 2026. (Com informações do jornal O Globo)
https://www.osul.com.br/lula-cobra-ministros-a-se-manifestarem-contra-a-reducao-da-pena-de-prisao-de-bolsonaro/
Lula cobra ministros a se manifestarem contra a redução da pena de prisão de Bolsonaro
2025-12-10
Related Posts
Presidente do Senado pressiona colegas a votar contra Jorge Messias para ministro do Supremo
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou a aliados ter 60 votos para rejeitar a indicação de Jorge Messias. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado) Um episódio envolvendo Jorge Messias deu a dimensão do problema do Planalto na articulação política. Um senador que o indicado de Lula para o STF havia acabado de visitar recebeu, …
Decisão do clã Bolsonaro não altera pré-candidatura do governador Romeu Zema: “Muda nada”
Governador de Minas Gerais disse que a sua intenção para 2026 segue firme e defendeu que “quanto mais candidatos à direita, melhor” Foto: Reprodução (Foto: Reprodução) O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta sábado (6) que sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026 segue inalterada, mesmo após o anúncio do senador …
Pesquisa Quaest, 2º turno: Lula e Flávio estão empatados com 41% das intenções de voto
Diferença entre o presidente (D) e o senador (E) era de dez pontos na pesquisa de dezembro. (Fotos: Saulo Cruz/Agência Senado e Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil) Pesquisa Quaest divulgada nessa quarta-feira (11) mostra que o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão empatados numericamente, ambos com 41% das intenções de voto, no cenário …
Indisciplina: justiça condena coronel por ofensas às Forças Armadas
Coronel Etevaldo sugeriu que regulamentos militares poderiam ser ‘desconsiderados em determinadas situações’ e que a ‘hierarquia e a disciplina poderiam ser rompidas’. (Foto: Reprodução/YouTube) A primeira instância da Justiça Militar da União em Juiz de Fora (MG) – 4ª Circunscrição Judiciária Militar – condenou o coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, reformado, acusado …