Lula ameaça reciprocidade contra os Estados Unidos no caso de delegado federal brasileiro envolvido na prisão de Alexandre de Ramagem, considerado foragido no Brasil
“Não podemos aceitar esse abuso de autoridade que algumas personagens americanas querem ter com relação ao Brasil”, disse o presidente. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil vai adotar a reciprocidade caso seja constatado abuso do governo Donald Trump em expulsar dos Estados Unidos o delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho, que atuou na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território americano.
Os Estados Unidos mandaram Carvalho deixar o país, e a medida foi anunciada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo Trump. Sem citar diretamente o delegado, o órgão afirmou, por meio de postagem na rede social X, que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”.
O delegado participou junto com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) da ação que levou à prisão do bolsonarista Ramagem, na última segunda-feira. O ex-deputado foi solto dois dias depois.
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na mesma ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. Ele foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro e foi eleito deputado em 2022, mas teve seu mandato cassado em dezembro passado após o STF determinar a perda de mandato por sua condenação.
Ramagem é considerado foragido pela Justiça brasileira. De acordo com a Polícia Federal, ele fugiu do Brasil pela divisa do País com a Guiana, de onde pegou um voo para os Estados Unidos e está lá desde o ano passado.
Sobre o tema, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que o governo tomou conhecimento pelas redes sociais da decisão dos EUA de mandar embora o agente brasileiro. O chanceler afirmou que a ação americana não tem fundamento:
Ao ser questionado sobre a realização de um pedido antecipado para a remoção do delegado, antes do anúncio americano, Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, negou e disse que Carvalho estava dentro do prazo de três anos (para a estadia).
“É um prazo de três anos, ele está nessa missão e é a troca natural dos nossos. Esse colega é um oficial, já está há mais de dois anos nos Estados Unidos, fazendo atividade de cooperação policial como fazemos com 34 países. Então, como o ministro disse, agora é aguardar formalmente algum esclarecimento para a partir disso adotarmos qualquer (medida)”, disse.
Lula desembargou nessa terça em Lisboa para um encontro com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, e com o presidente, António Seguro. Ele embarca ainda nesta terça de volta ao Brasil, encerrando seu giro na Europa.
A viagem de Lula à Europa teve início na semana passada na Espanha. No domingo (19), ele chegou à Alemanha, para participar da feira industrial de Hanôver, ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz. (Com informações do jornal O Globo)
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O delegado participou junto com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) da ação que levou à prisão do bolsonarista Ramagem, na última segunda-feira. O ex-deputado foi solto dois dias depois.
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na mesma ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. Ele foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro e foi eleito deputado em 2022, mas teve seu mandato cassado em dezembro passado após o STF determinar a perda de mandato por sua condenação.
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