Silêncio de advogados desmonta o discurso de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o deputado tem repetido a narrativa de perseguição. (Foto: Reprodução)
No 1º dia de sustentações orais no julgamento da trama golpista, um ponto ficou evidente: as defesas não negaram a existência dos fatos relatados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O esforço foi outro — tentar restringir a participação de cada réu, questionar a suficiência das provas apresentadas e, em alguns casos, pedir a absorção de crimes para reduzir as penas.
Chamou atenção a ausência de um dos principais argumentos usados pelo clã Bolsonaro fora do Brasil e que resultou em sanções ao País: a ideia de que haveria uma “ditadura judicial” e de que os processos representam perseguição política. Nenhum advogado dos réus levou essa tese ao Supremo Tribunal Federal.
Esse silêncio desmonta o discurso de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o deputado tem repetido a narrativa de perseguição para justificar acusações contra o pai e aliados. No tribunal, porém, prevaleceu a estratégia técnica: questionar provas, relativizar atos e apontar a falta de participação direta dos clientes.
Admissão
Outro ponto relevante foi a admissão, pelas próprias defesas, da existência de reuniões em que se discutiu a reversão do resultado eleitoral. O argumento central, contudo, foi individualizar condutas: “meu cliente estava, mas não falou nada”; “meu cliente não participou”; “meu cliente não colocou as tropas à disposição”.
O advogado Demóstenes Torres, por exemplo, que representa o almirante Almir Garnier, reconheceu a reunião entre Bolsonaro e ministros militares. Mas sustentou que seu cliente não manifestou apoio explícito ao golpe.
Demóstenes foi além ao afirmar que houve uma “desistência voluntária” por parte de comandantes, argumento que buscaria afastar a tipificação penal. Para ele, sem o apoio do Exército — a maior tropa — não havia condições de golpe. Por isso, a retirada configuraria desistência legítima.
Retrato ou filme?
A queda de braço entre acusação e defesa ficou evidente. Enquanto advogados buscam fragmentar os episódios para reduzir a gravidade, a PGR insiste na análise do conjunto. Como destacou o procurador-geral Paulo Gonet, “se você analisar cada ato separado, pode ser que não dê importância; mas é preciso observar os elementos de maneira globalizada”.
Essa diferença de abordagem — olhar o retrato ou o filme inteiro — será decisiva para a interpretação dos ministros.
Para a PGR, portanto, não se trata de meros atos preparatórios, mas de execução em curso.
https://www.osul.com.br/julgamento-no-supremo-defesas-nao-negam-reunioes-e-esvaziam-discurso-usado-pelo-cla-bolsonaro-no-exterior/ Julgamento no Supremo: defesas não negam reuniões e esvaziam discurso usado pelo clã Bolsonaro no exterior 2025-09-02
Deputado, que está nos Estados Unidos, já acumula 37 faltas não justificadas. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) A 70 dias do fim do ano, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) precisaria comparecer a, pelo menos, mais 60 sessões da Câmara para ficar dentro do limite de faltas permitido e não correr o risco de perder o …
Homem foi condenado no Brasil a 13 anos e seis meses de prisão e teve extradição decretada pela Justiça argentina a pedido de Alexandre de Moraes Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Homem foi condenado no Brasil a 13 anos e seis meses de prisão e teve extradição decretada pela Justiça argentina a pedido de Alexandre de …
Eduardo Leite busca solução estruturada para endividamento do setor agropecuário do RS. Foto: Maurício Tonetto/Secom. Eduardo Leite busca solução estruturada para endividamento do setor agropecuário do RS. (Foto: Maurício Tonetto/Secom) Em meio a uma das maiores crises do agronegócio gaúcho nas últimas décadas, o governador Eduardo Leite intensificou sua articulação política em Brasília para buscar …
Dentro do mar, ela diz que o ministro passou a se aproximar fisicamente. (Foto: José Alberto/STJ) A jovem de 18 anos que acusa de assédio o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, de 68 anos, detalhou como e quando aconteceu o abuso em depoimento à Polícia Civil de São Paulo. Conforme o …
Julgamento no Supremo: defesas não negam reuniões e esvaziam discurso usado pelo clã Bolsonaro no exterior
Silêncio de advogados desmonta o discurso de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o deputado tem repetido a narrativa de perseguição. (Foto: Reprodução)
No 1º dia de sustentações orais no julgamento da trama golpista, um ponto ficou evidente: as defesas não negaram a existência dos fatos relatados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O esforço foi outro — tentar restringir a participação de cada réu, questionar a suficiência das provas apresentadas e, em alguns casos, pedir a absorção de crimes para reduzir as penas.
Chamou atenção a ausência de um dos principais argumentos usados pelo clã Bolsonaro fora do Brasil e que resultou em sanções ao País: a ideia de que haveria uma “ditadura judicial” e de que os processos representam perseguição política. Nenhum advogado dos réus levou essa tese ao Supremo Tribunal Federal.
Esse silêncio desmonta o discurso de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o deputado tem repetido a narrativa de perseguição para justificar acusações contra o pai e aliados. No tribunal, porém, prevaleceu a estratégia técnica: questionar provas, relativizar atos e apontar a falta de participação direta dos clientes.
Admissão
Outro ponto relevante foi a admissão, pelas próprias defesas, da existência de reuniões em que se discutiu a reversão do resultado eleitoral. O argumento central, contudo, foi individualizar condutas: “meu cliente estava, mas não falou nada”; “meu cliente não participou”; “meu cliente não colocou as tropas à disposição”.
O advogado Demóstenes Torres, por exemplo, que representa o almirante Almir Garnier, reconheceu a reunião entre Bolsonaro e ministros militares. Mas sustentou que seu cliente não manifestou apoio explícito ao golpe.
Demóstenes foi além ao afirmar que houve uma “desistência voluntária” por parte de comandantes, argumento que buscaria afastar a tipificação penal. Para ele, sem o apoio do Exército — a maior tropa — não havia condições de golpe. Por isso, a retirada configuraria desistência legítima.
Retrato ou filme?
A queda de braço entre acusação e defesa ficou evidente. Enquanto advogados buscam fragmentar os episódios para reduzir a gravidade, a PGR insiste na análise do conjunto. Como destacou o procurador-geral Paulo Gonet, “se você analisar cada ato separado, pode ser que não dê importância; mas é preciso observar os elementos de maneira globalizada”.
Essa diferença de abordagem — olhar o retrato ou o filme inteiro — será decisiva para a interpretação dos ministros.
Para a PGR, portanto, não se trata de meros atos preparatórios, mas de execução em curso.
https://www.osul.com.br/julgamento-no-supremo-defesas-nao-negam-reunioes-e-esvaziam-discurso-usado-pelo-cla-bolsonaro-no-exterior/
Julgamento no Supremo: defesas não negam reuniões e esvaziam discurso usado pelo clã Bolsonaro no exterior
2025-09-02
Related Posts
Para não ter risco de perder o mandato, Eduardo Bolsonaro precisaria comparecer a mais 60 sessões neste ano
Deputado, que está nos Estados Unidos, já acumula 37 faltas não justificadas. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) A 70 dias do fim do ano, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) precisaria comparecer a, pelo menos, mais 60 sessões da Câmara para ficar dentro do limite de faltas permitido e não correr o risco de perder o …
Pela primeira vez, Argentina concede refúgio político para foragido do 8 de Janeiro
Homem foi condenado no Brasil a 13 anos e seis meses de prisão e teve extradição decretada pela Justiça argentina a pedido de Alexandre de Moraes Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Homem foi condenado no Brasil a 13 anos e seis meses de prisão e teve extradição decretada pela Justiça argentina a pedido de Alexandre de …
Eduardo Leite articula em Brasília solução para dívidas do agro e pressiona Senado
Eduardo Leite busca solução estruturada para endividamento do setor agropecuário do RS. Foto: Maurício Tonetto/Secom. Eduardo Leite busca solução estruturada para endividamento do setor agropecuário do RS. (Foto: Maurício Tonetto/Secom) Em meio a uma das maiores crises do agronegócio gaúcho nas últimas décadas, o governador Eduardo Leite intensificou sua articulação política em Brasília para buscar …
Jovem diz que ministro a levou até ponto afastado de praia antes de assédio, a chamou de “muito bonita” e apalpou suas nádegas
Dentro do mar, ela diz que o ministro passou a se aproximar fisicamente. (Foto: José Alberto/STJ) A jovem de 18 anos que acusa de assédio o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, de 68 anos, detalhou como e quando aconteceu o abuso em depoimento à Polícia Civil de São Paulo. Conforme o …