Aliados citam conluio entre presidente do Senado (D), Moraes e Pacheco (E). (Foto: Roque de Sá/Agência Brasil)
Horas depois da derrota no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados mapearam traições na votação que culminou na rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira (29).
O dia seguinte foi marcado por mal-estar entre aliados sob suspeita. Na véspera, durante reunião no Palácio da Alvorada, logo após o fim da votação, integrantes do governo e aliados identificaram dissidências no MDB e no PSD, em um conluio conduzido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Depois, porém, dirigentes do MDB fizeram chegar à Presidência a informação de que o partido apoiou a escolha de Messias. Nesse cálculo, a dissidência seria da senadora Ivete da Silveira (SC), suplente do governador bolsonarista Jorginho Mello (PL).
Além da atuação de Alcolumbre, colaboradores do presidente apontam a participação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em um “conluio”, nas palavras de um deles, para impedir a nomeação de Messias.
Articuladores do governo relatam que o acordo entre o grupo de Moraes e Alcolumbre teria sido selado durante um jantar na noite de terça (28). O encontro ocorreu na casa do ministro do STF.
Em nota, Moraes afirmou que, naquela noite, estava em casa com um grupo de pessoas, entre eles, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ex-ministro Ricardo Lewandowski, em uma homenagem ao ex-secretário nacional de segurança pública, Mário Sarrubo.
Ao manifestar simpatia pela adoção de um código de ética no tribunal, como deseja o presidente do STF, Edson Fachin, Messias teria contrariado o grupo de ministros crítico à iniciativa.
Pacheco era o escolhido de Alcolumbre para pleitear a vaga no Supremo, enquanto Lula reiterava a intenção de ter o senador como seu candidato ao Governo de Minas Gerais, em busca de um palanque forte no Estado. Lula acabou por indicar Messias após conversas com os envolvidos, mas ainda a contragosto do chefe do Senado.
No calor da derrota, suspeitas pairavam sobre o ex-ministro dos Transportes Renan Filho e seu pai, o senador Renan Calheiros, ambos do MDB de Alagoas. A desconfiança era de que teriam votado contra a indicação de Messias em solidariedade a Bruno Dantas, ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) que cobiçava a vaga do tribunal.
Dissipadas as suspeitas sobre o MDB, veio à tona a suposição de que a senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), suplente do ministro Flávio Dino, tenha votado contra a nomeação de Messias. No Palácio do Planalto, seu nome é computado como voto contrário à escolha de Lula.
Aliados do presidente apostam na exoneração de indicados de Alcolumbre, como o ministro Frederico Siqueira (Comunicações) e parte da diretoria da estatal Codevasf ( Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba). Segundo participantes da reunião, Lula mostrava serenidade, enquanto buscava confortar Messias.
O advogado-geral da União (AGU) teve 34 votos a favor da indicação (sete a menos que o necessário) e 42 votos contrários. Essa foi a primeira rejeição a um indicado do presidente da República ao STF desde 1894.
Entre o fim da votação no Senado e convocação da reunião entre os membros do governo, Lula e Messias se falaram por telefone. Além da preocupação com o estado emocional de Messias, aliados do presidente contam que ele costuma repetir que “não se deve tomar decisões a 39 graus de febre”.
Por conta disso, qualquer reação é esperada para a semana que vem, após o feriado e a identificação dos responsáveis pela derrota.
Na saída do Congresso, a caminho do Alvorada, o ministro José Guimarães (Relações Institucionais) afirmou que o momento é de agir com inteligência, não com fígado. Ainda durante a sabatina, Guimarães esteve no Palácio da Alvorada para conversar com o presidente. No Congresso, chegou a dar como certa a aprovação do AGU com mais de 41 votos, o mínimo necessário.
Com a rejeição de Messias, Guimarães enfrenta uma derrota em uma de suas principais missões desde que assumiu a chefia da articulação política do governo no lugar de Gleisi Hoffmann (PT).
Durante a sabatina, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) também visitou Lula. O presidente teria questionado ao senador como estaria o clima para a sabatina e para a aprovação, ao que Wagner informou que tudo corria bem.
O jantar que reuniu Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre ocorreu na casa do ministro do STF, não na residência oficial do Senado, como afirmado anteriormente. (Com informações da Folha de S.Paulo)
Quando decretou a prisão de Vorcaro e seus aliados, Mendonça destacou que os crimes sob suspeita envolvem “valores bilionários”. Foto: Reprodução Quando decretou a prisão de Vorcaro e seus aliados, Mendonça destacou que os crimes sob suspeita envolvem “valores bilionários”. (Foto: Reprodução) O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (13) para manter a …
Foram 48 votos a favor, 25 contrários e 1 abstenção. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado) O plenário do Senado aprovou na quarta-feira (17) um projeto de lei que permite reduzir a pena de condenados pelos ataques golpistas de 8 de Janeiro e beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O texto foi aprovado com uma emenda do …
O documento ainda traz as acusações de envolvimento com milícias, tráfico de drogas, corrupção, entre outros. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil O documento ainda traz as acusações de envolvimento com milícias, tráfico de drogas, corrupção, entre outros. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil) O documento foi assinado em 23 de janeiro de 2026 pela procuradora Luciana Furtado de …
O deputado Mário Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”. Foto: Reprodução/Redes Sociais O deputado Mário Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”. (Foto: Reprodução/Redes Sociais) A GOUP Entertainment, …
Horas depois da derrota no Senado, Lula e aliados mapearam traições na votação que culminou na rejeição de Jorge Messias para o Supremo
Aliados citam conluio entre presidente do Senado (D), Moraes e Pacheco (E). (Foto: Roque de Sá/Agência Brasil)
Horas depois da derrota no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados mapearam traições na votação que culminou na rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira (29).
O dia seguinte foi marcado por mal-estar entre aliados sob suspeita. Na véspera, durante reunião no Palácio da Alvorada, logo após o fim da votação, integrantes do governo e aliados identificaram dissidências no MDB e no PSD, em um conluio conduzido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Depois, porém, dirigentes do MDB fizeram chegar à Presidência a informação de que o partido apoiou a escolha de Messias. Nesse cálculo, a dissidência seria da senadora Ivete da Silveira (SC), suplente do governador bolsonarista Jorginho Mello (PL).
Além da atuação de Alcolumbre, colaboradores do presidente apontam a participação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em um “conluio”, nas palavras de um deles, para impedir a nomeação de Messias.
Articuladores do governo relatam que o acordo entre o grupo de Moraes e Alcolumbre teria sido selado durante um jantar na noite de terça (28). O encontro ocorreu na casa do ministro do STF.
Em nota, Moraes afirmou que, naquela noite, estava em casa com um grupo de pessoas, entre eles, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ex-ministro Ricardo Lewandowski, em uma homenagem ao ex-secretário nacional de segurança pública, Mário Sarrubo.
Ao manifestar simpatia pela adoção de um código de ética no tribunal, como deseja o presidente do STF, Edson Fachin, Messias teria contrariado o grupo de ministros crítico à iniciativa.
Pacheco era o escolhido de Alcolumbre para pleitear a vaga no Supremo, enquanto Lula reiterava a intenção de ter o senador como seu candidato ao Governo de Minas Gerais, em busca de um palanque forte no Estado. Lula acabou por indicar Messias após conversas com os envolvidos, mas ainda a contragosto do chefe do Senado.
No calor da derrota, suspeitas pairavam sobre o ex-ministro dos Transportes Renan Filho e seu pai, o senador Renan Calheiros, ambos do MDB de Alagoas. A desconfiança era de que teriam votado contra a indicação de Messias em solidariedade a Bruno Dantas, ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) que cobiçava a vaga do tribunal.
Dissipadas as suspeitas sobre o MDB, veio à tona a suposição de que a senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), suplente do ministro Flávio Dino, tenha votado contra a nomeação de Messias. No Palácio do Planalto, seu nome é computado como voto contrário à escolha de Lula.
Aliados do presidente apostam na exoneração de indicados de Alcolumbre, como o ministro Frederico Siqueira (Comunicações) e parte da diretoria da estatal Codevasf ( Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba). Segundo participantes da reunião, Lula mostrava serenidade, enquanto buscava confortar Messias.
O advogado-geral da União (AGU) teve 34 votos a favor da indicação (sete a menos que o necessário) e 42 votos contrários. Essa foi a primeira rejeição a um indicado do presidente da República ao STF desde 1894.
Entre o fim da votação no Senado e convocação da reunião entre os membros do governo, Lula e Messias se falaram por telefone. Além da preocupação com o estado emocional de Messias, aliados do presidente contam que ele costuma repetir que “não se deve tomar decisões a 39 graus de febre”.
Por conta disso, qualquer reação é esperada para a semana que vem, após o feriado e a identificação dos responsáveis pela derrota.
Na saída do Congresso, a caminho do Alvorada, o ministro José Guimarães (Relações Institucionais) afirmou que o momento é de agir com inteligência, não com fígado. Ainda durante a sabatina, Guimarães esteve no Palácio da Alvorada para conversar com o presidente. No Congresso, chegou a dar como certa a aprovação do AGU com mais de 41 votos, o mínimo necessário.
Com a rejeição de Messias, Guimarães enfrenta uma derrota em uma de suas principais missões desde que assumiu a chefia da articulação política do governo no lugar de Gleisi Hoffmann (PT).
Durante a sabatina, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) também visitou Lula. O presidente teria questionado ao senador como estaria o clima para a sabatina e para a aprovação, ao que Wagner informou que tudo corria bem.
O jantar que reuniu Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre ocorreu na casa do ministro do STF, não na residência oficial do Senado, como afirmado anteriormente. (Com informações da Folha de S.Paulo)
Related Posts
Supremo forma maioria para manter prisão de Vorcaro após Polícia Federal apontar “braço armado” contra adversários
Quando decretou a prisão de Vorcaro e seus aliados, Mendonça destacou que os crimes sob suspeita envolvem “valores bilionários”. Foto: Reprodução Quando decretou a prisão de Vorcaro e seus aliados, Mendonça destacou que os crimes sob suspeita envolvem “valores bilionários”. (Foto: Reprodução) O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (13) para manter a …
Entenda o projeto de lei que reduz penas de prisão aprovado pelo Senado e os próximos passos
Foram 48 votos a favor, 25 contrários e 1 abstenção. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado) O plenário do Senado aprovou na quarta-feira (17) um projeto de lei que permite reduzir a pena de condenados pelos ataques golpistas de 8 de Janeiro e beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O texto foi aprovado com uma emenda do …
Bolsonaro se livra de crime de genocídio
O documento ainda traz as acusações de envolvimento com milícias, tráfico de drogas, corrupção, entre outros. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil O documento ainda traz as acusações de envolvimento com milícias, tráfico de drogas, corrupção, entre outros. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil) O documento foi assinado em 23 de janeiro de 2026 pela procuradora Luciana Furtado de …
Produtora de filme de Bolsonaro nega ter recebido dinheiro de Vorcaro: “Não consta um único centavo”
O deputado Mário Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”. Foto: Reprodução/Redes Sociais O deputado Mário Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”. (Foto: Reprodução/Redes Sociais) A GOUP Entertainment, …