Diplomatas atribuem à relação pessoal construída nos últimos meses entre Lula e Trump
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação
Diplomatas atribuem à relação pessoal construída nos últimos meses entre Lula e Trump. (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação)
A percepção do governo federal sobre como a Casa Branca deve se comportar diante das eleições brasileiras mudou. Neste momento, diplomatas avaliam que, diante da estabilidade na relação entre Lula e Donald Trump, a tendência é de que não haja tentativas de influência no processo eleitoral nem um movimento explícito para apoiar um candidato do campo da direita.
Apesar do otimismo, há no entorno de Lula o entendimento de que o presidente americano tem como característica ser volúvel, o que obriga o Brasil a não baixar a guarda e a atuar de forma estratégica para preservar a proximidade entre os dois mandatários.
“Acho que a tendência até a eleição é de uma postura mais recatada do lado do Executivo americano”, afirmou uma fonte do governo que acompanha as tratativas com a Casa Branca.
Diplomatas atribuem a redução do risco de interferência à relação pessoal construída nos últimos meses entre Lula e Trump. Essas fontes citam a forma cortês — e, em alguns momentos, até carinhosa — com que o presidente americano tem tratado o petista. Na avaliação desses diplomatas, a boa relação pessoal funciona como um fator de blindagem, mesmo diante de pressões internas e externas para que a Casa Branca favoreça uma candidatura de direita.
Quando o tarifaço de Trump foi imposto ao Brasil, em julho do ano passado, ministros e diplomatas brasileiros interpretaram a decisão como uma tentativa de forçar uma mudança de regime no país — seja para reabilitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, seja para desgastar o governo Lula em ano pré-eleitoral.
No fim do ano passado, mesmo após Washington relaxar as tarifas e recuar na aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, persistia no entorno de Lula a desconfiança de que, mais adiante, a gestão Trump voltaria a agir para favorecer um candidato direitista, mais alinhado às posições da Casa Branca. Naquele momento, Lula e Trump já haviam conversado por telefone e se encontrado pessoalmente na Malásia.
Em dezembro, o Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou sua nova doutrina de segurança nacional, que prevê um mundo organizado por zonas de influência, com a América Latina subordinada aos interesses de Washington.
Nessa configuração, os EUA passam a se atribuir o direito de interferir em processos internos de qualquer país inserido em sua área de influência. Naquele mês, um diplomata próximo ao governo afirmou não ter ilusões sobre a volatilidade da relação bilateral. “Os americanos querem uma zona de influência totalmente subordinada. Não podemos achar que todas as nossas preocupações se dissiparam.”
Daqui até as eleições, o esforço da diplomacia brasileira será manter a proximidade com a Casa Branca como uma espécie de vacina contra movimentos da oposição bolsonarista. Nesse sentido, o governo tem insistido na necessidade de tirar do papel ações de cooperação com os Estados Unidos para combater o crime organizado.
A ênfase no tema tem relação com o cenário eleitoral. O Palácio do Planalto prevê que segurança pública seja um debate central no pleito e que a oposição tentará desgastar Lula com esse assunto. (Com informações do portal g1)
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Governo Lula muda percepção e prevê postura “recatada” de Trump nas eleições brasileiras
Diplomatas atribuem à relação pessoal construída nos últimos meses entre Lula e Trump
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação
Diplomatas atribuem à relação pessoal construída nos últimos meses entre Lula e Trump. (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação)
A percepção do governo federal sobre como a Casa Branca deve se comportar diante das eleições brasileiras mudou. Neste momento, diplomatas avaliam que, diante da estabilidade na relação entre Lula e Donald Trump, a tendência é de que não haja tentativas de influência no processo eleitoral nem um movimento explícito para apoiar um candidato do campo da direita.
Apesar do otimismo, há no entorno de Lula o entendimento de que o presidente americano tem como característica ser volúvel, o que obriga o Brasil a não baixar a guarda e a atuar de forma estratégica para preservar a proximidade entre os dois mandatários.
“Acho que a tendência até a eleição é de uma postura mais recatada do lado do Executivo americano”, afirmou uma fonte do governo que acompanha as tratativas com a Casa Branca.
Diplomatas atribuem a redução do risco de interferência à relação pessoal construída nos últimos meses entre Lula e Trump. Essas fontes citam a forma cortês — e, em alguns momentos, até carinhosa — com que o presidente americano tem tratado o petista. Na avaliação desses diplomatas, a boa relação pessoal funciona como um fator de blindagem, mesmo diante de pressões internas e externas para que a Casa Branca favoreça uma candidatura de direita.
Quando o tarifaço de Trump foi imposto ao Brasil, em julho do ano passado, ministros e diplomatas brasileiros interpretaram a decisão como uma tentativa de forçar uma mudança de regime no país — seja para reabilitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, seja para desgastar o governo Lula em ano pré-eleitoral.
No fim do ano passado, mesmo após Washington relaxar as tarifas e recuar na aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, persistia no entorno de Lula a desconfiança de que, mais adiante, a gestão Trump voltaria a agir para favorecer um candidato direitista, mais alinhado às posições da Casa Branca. Naquele momento, Lula e Trump já haviam conversado por telefone e se encontrado pessoalmente na Malásia.
Em dezembro, o Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou sua nova doutrina de segurança nacional, que prevê um mundo organizado por zonas de influência, com a América Latina subordinada aos interesses de Washington.
Nessa configuração, os EUA passam a se atribuir o direito de interferir em processos internos de qualquer país inserido em sua área de influência. Naquele mês, um diplomata próximo ao governo afirmou não ter ilusões sobre a volatilidade da relação bilateral. “Os americanos querem uma zona de influência totalmente subordinada. Não podemos achar que todas as nossas preocupações se dissiparam.”
Daqui até as eleições, o esforço da diplomacia brasileira será manter a proximidade com a Casa Branca como uma espécie de vacina contra movimentos da oposição bolsonarista. Nesse sentido, o governo tem insistido na necessidade de tirar do papel ações de cooperação com os Estados Unidos para combater o crime organizado.
A ênfase no tema tem relação com o cenário eleitoral. O Palácio do Planalto prevê que segurança pública seja um debate central no pleito e que a oposição tentará desgastar Lula com esse assunto. (Com informações do portal g1)
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