Aplicativos de navegação, mapa e produção de vídeo do Google terão IA integrada. (Foto: Divulgação)
Numa ofensiva para ganhar mais espaço para a plataforma de inteligência artificial generativa Gemini, o Google está embutindo essa tecnologia em um número maior de seus outros produtos, com a medida alcançando usuários no Brasil a partir deste mês.
Após o anúncio de que a plataforma principal de busca do Google usará IA como padrão, agora ela passará a intermediar respostas também no Google Maps, nas ferramentas para criação de vídeos no Youtube e numa aba nova dentro do navegador Chrome. A caixa de buscas dessas outras ferramentas dará acesso a ações do Gemini e poderá responder a questões.
A decisão vem num momento em que a empresa enfrenta concorrência mais forte da rival Anthropic com a plataforma Claude e que a Meta, dona do Facebook, também avança essa estratégia de tornar IA onipresente em seus produtos. O anúncio de que essas medidas passam a valer para usuários brasileiros foi anunciado na quarta-feira em um evento anual do Google Brasil realizado em São Paulo.
“O Brasil é importante na nossa operação de IA porque está entre os três países no topo do mercado de usuários”, afirmou Jenny Blackburn, em apresentação no evento. “E por causa disso estamos priorizando o Brasil na rolagem desses novos recursos.”
“O navegador é onde trabalhamos, aprendemos e nos conectamos”,, afirmou a diretora de produto do Chrome, Charmaine D’Silva, em conversa com jornalistas por videoconferência antes do evento. “Para evitar que tarefas complexas atrasem o dia a dia, reimaginamos o Chrome com IA integrada para ajudar as pessoas a encontrar e entender informações de forma muito mais rápida.”
A mudança de interface, que está sendo liberada aos poucos para quem atualiza o aplicativo no computador ou no telefone, se manifesta na forma de uma assistente de IA integrada ao painel lateral
O recurso abre um chat com o Gemini para fazer tarefas como resumir conteúdo de uma página web ou realizar questões sobre o material que aparece na tela. A assistente, se liberada nas configurações de privacidade, também opera dados de email do Gmail e agenda do usuário.
No Google Maps, o principal recurso sendo liberado para usuários do Brasil agora é a capacidade de fazer perguntas dentro da caixa de busca. A resposta, processada pela IA do Gemini, é entregue dentro do próprio aplicativo.
“Você pode perguntar onde achar um hambúrguer vegano perto do trabalho ou pedir um roteiro de locais com arquitetura icônica na sua cidade”, afirma André Kowaltowski, gerente do Google Maps para a América Latina. “As respostas aparecem em formato de conversa, com um mapa personalizado para ajudar a visualizar as opções e planejar as ações, como, por exemplo, fazer uma reserva em um restaurante.”
No YouTube, a principal mudança não atinge quem é apenas espectador. O anúncio de hoje do Google é um recurso de IA dentro do YouTube Studio, aplicativo de assistência para quem produz conteúdo em vídeo.
Uma caixa de entrada chamada “Pergunte ao Studio” permite ao usuário tomar decisões para melhorar o engajamento de vídeos, monitorar audiência e obter dicas de formato de conteúdo.
Segundo Max Oliveira, gerente sênior de marketing de produto do YouTube para a América Latina, a medida faz parte da estratégia do grupo para atrair e manter criadores de conteúdo na plataforma, que é uma fonte importante de receita publicitária do Google hoje.
“Ao trazer esse recurso para o Brasil em português, estamos investindo na nossa creator economy, permitindo que canais de todos os tamanhos tenham acesso a uma poderosa ferramenta que pode ajudar diretamente na transformação de um canal em um negócio”, afirma.
Segundo Diogo Cortiz, especialista em tecnologia e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) essa nova ofensiva do Google já era esperada, e começou a se cristalizar há três semanas no Google/IO, evento global da empresa. Na ocasião, foi anunciado que os resumos automáticos gerados por buscas no site principal do Google, e o “modo IA”, em que o usuário conversa sobre a busca com a plataforma, serão padrão agora.
“Para além disso, as medidas anunciadas agora servem para tentar empurrar o usuário que já está dentro do ecossistema do Google para usar a ferramenta de inteligência artificial do Google, em vez de ir para o concorrente, seja o ChatGPT, o Claude ou algum outro”, diz Cortiz. “Isso não é muito diferente do que, por exemplo, a Meta está fazendo.”
Um efeito colateral dessa estratégia da empresa dona do Facebook é que ela abriu espaço para litigância judicial, porque concorrentes podem abrir processos alegando prática desleal. Após integrar sua IA ao WhatsApp, por exemplo, a empresa começou a banir outros chats no serviço.
Não está claro, porém, ainda quanto esse tipo de medida excludente virá a reboque da IA Google.
“O buscador do Google já é quase um monopólio dentro dos buscadores na web, e incluir o Gemini nesse processo é quase como uma compra casada”, afirma Pablo Nunes, pesquisador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec).
Para ele, a integração da IA com serviços do Google que armazenam dados sensíveis das pessoas, também abre uma brecha de risco à proteção de privacidade. Nem todos os usuários têm proficiência para gerenciar exposição de informações pessoais em uma multitude de plataformas, e adicionar IA a essa mistura pode ser complicado.
“É muito preocupante esse avanço muito irrefletido dessas soluções de IA por diversos serviços que nós usamos cotidianamente”, diz Nunes.
Em defesa da empresa, um executivo do Google presentes no evento disse ao GLOBO que a relativa demora da empresa em prosseguir com sua ofensiva de IA ocorreu para que a cautela com privacidade e facilidade de uso fosse tomada.
No evento em São Paulo, o Google anunciou que sua ofensiva de IA no país não ficará só na frente do consumo. A empresa anunciou a criação de um fundo de US$ 10 milhões para investir em startups no setor no país.
A iniciativa para capitalizar projetos em IA prevê aportes de até US$ 2 milhões por empresa inicialmente. Além do recurso financeiro, as companhias escolhidas terão acesso a modelos mais recentes da DeepMind, o braço de pesquisa em IA do Google, e mentoria com pesquisadores da empresa.
“O Brasil e os brasileiros estão adotando a IA de forma muito acelerada”, afirmou Fábio Coelho, presidente do Google Brasil. “Todos do Google que visitam o Brasil ficam encantados ao ver como os brasileiros são engenhosos e adotam tecnologia com facilidade.” As informações são do jornal O Globo.
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Google está embutindo sua assistente de inteligência artificial Gemini no Chrome, YouTube e no Maps
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Após o anúncio de que a plataforma principal de busca do Google usará IA como padrão, agora ela passará a intermediar respostas também no Google Maps, nas ferramentas para criação de vídeos no Youtube e numa aba nova dentro do navegador Chrome. A caixa de buscas dessas outras ferramentas dará acesso a ações do Gemini e poderá responder a questões.
A decisão vem num momento em que a empresa enfrenta concorrência mais forte da rival Anthropic com a plataforma Claude e que a Meta, dona do Facebook, também avança essa estratégia de tornar IA onipresente em seus produtos. O anúncio de que essas medidas passam a valer para usuários brasileiros foi anunciado na quarta-feira em um evento anual do Google Brasil realizado em São Paulo.
“O Brasil é importante na nossa operação de IA porque está entre os três países no topo do mercado de usuários”, afirmou Jenny Blackburn, em apresentação no evento. “E por causa disso estamos priorizando o Brasil na rolagem desses novos recursos.”
“O navegador é onde trabalhamos, aprendemos e nos conectamos”,, afirmou a diretora de produto do Chrome, Charmaine D’Silva, em conversa com jornalistas por videoconferência antes do evento. “Para evitar que tarefas complexas atrasem o dia a dia, reimaginamos o Chrome com IA integrada para ajudar as pessoas a encontrar e entender informações de forma muito mais rápida.”
A mudança de interface, que está sendo liberada aos poucos para quem atualiza o aplicativo no computador ou no telefone, se manifesta na forma de uma assistente de IA integrada ao painel lateral
O recurso abre um chat com o Gemini para fazer tarefas como resumir conteúdo de uma página web ou realizar questões sobre o material que aparece na tela. A assistente, se liberada nas configurações de privacidade, também opera dados de email do Gmail e agenda do usuário.
No Google Maps, o principal recurso sendo liberado para usuários do Brasil agora é a capacidade de fazer perguntas dentro da caixa de busca. A resposta, processada pela IA do Gemini, é entregue dentro do próprio aplicativo.
“Você pode perguntar onde achar um hambúrguer vegano perto do trabalho ou pedir um roteiro de locais com arquitetura icônica na sua cidade”, afirma André Kowaltowski, gerente do Google Maps para a América Latina. “As respostas aparecem em formato de conversa, com um mapa personalizado para ajudar a visualizar as opções e planejar as ações, como, por exemplo, fazer uma reserva em um restaurante.”
No YouTube, a principal mudança não atinge quem é apenas espectador. O anúncio de hoje do Google é um recurso de IA dentro do YouTube Studio, aplicativo de assistência para quem produz conteúdo em vídeo.
Uma caixa de entrada chamada “Pergunte ao Studio” permite ao usuário tomar decisões para melhorar o engajamento de vídeos, monitorar audiência e obter dicas de formato de conteúdo.
Segundo Max Oliveira, gerente sênior de marketing de produto do YouTube para a América Latina, a medida faz parte da estratégia do grupo para atrair e manter criadores de conteúdo na plataforma, que é uma fonte importante de receita publicitária do Google hoje.
“Ao trazer esse recurso para o Brasil em português, estamos investindo na nossa creator economy, permitindo que canais de todos os tamanhos tenham acesso a uma poderosa ferramenta que pode ajudar diretamente na transformação de um canal em um negócio”, afirma.
Segundo Diogo Cortiz, especialista em tecnologia e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) essa nova ofensiva do Google já era esperada, e começou a se cristalizar há três semanas no Google/IO, evento global da empresa. Na ocasião, foi anunciado que os resumos automáticos gerados por buscas no site principal do Google, e o “modo IA”, em que o usuário conversa sobre a busca com a plataforma, serão padrão agora.
“Para além disso, as medidas anunciadas agora servem para tentar empurrar o usuário que já está dentro do ecossistema do Google para usar a ferramenta de inteligência artificial do Google, em vez de ir para o concorrente, seja o ChatGPT, o Claude ou algum outro”, diz Cortiz. “Isso não é muito diferente do que, por exemplo, a Meta está fazendo.”
Um efeito colateral dessa estratégia da empresa dona do Facebook é que ela abriu espaço para litigância judicial, porque concorrentes podem abrir processos alegando prática desleal. Após integrar sua IA ao WhatsApp, por exemplo, a empresa começou a banir outros chats no serviço.
Não está claro, porém, ainda quanto esse tipo de medida excludente virá a reboque da IA Google.
“O buscador do Google já é quase um monopólio dentro dos buscadores na web, e incluir o Gemini nesse processo é quase como uma compra casada”, afirma Pablo Nunes, pesquisador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec).
Para ele, a integração da IA com serviços do Google que armazenam dados sensíveis das pessoas, também abre uma brecha de risco à proteção de privacidade. Nem todos os usuários têm proficiência para gerenciar exposição de informações pessoais em uma multitude de plataformas, e adicionar IA a essa mistura pode ser complicado.
“É muito preocupante esse avanço muito irrefletido dessas soluções de IA por diversos serviços que nós usamos cotidianamente”, diz Nunes.
Em defesa da empresa, um executivo do Google presentes no evento disse ao GLOBO que a relativa demora da empresa em prosseguir com sua ofensiva de IA ocorreu para que a cautela com privacidade e facilidade de uso fosse tomada.
No evento em São Paulo, o Google anunciou que sua ofensiva de IA no país não ficará só na frente do consumo. A empresa anunciou a criação de um fundo de US$ 10 milhões para investir em startups no setor no país.
A iniciativa para capitalizar projetos em IA prevê aportes de até US$ 2 milhões por empresa inicialmente. Além do recurso financeiro, as companhias escolhidas terão acesso a modelos mais recentes da DeepMind, o braço de pesquisa em IA do Google, e mentoria com pesquisadores da empresa.
“O Brasil e os brasileiros estão adotando a IA de forma muito acelerada”, afirmou Fábio Coelho, presidente do Google Brasil. “Todos do Google que visitam o Brasil ficam encantados ao ver como os brasileiros são engenhosos e adotam tecnologia com facilidade.” As informações são do jornal O Globo.
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