No Rio Grande do Sul, o sexto maior colégio eleitoral do País, por exemplo, o PT não terá postulante ao Palácio Piratini. (Foto: Luís André/Secom)
Preparando-se para sua sétima candidatura ao Palácio do Planalto, Lula nunca teve pudor de imolar aliados para se livrar de problemas e fortalecer suas campanhas eleitorais. Em seu primeiro mandato presidencial, ao reagir à descoberta do mensalão, ele jurou inocência, declarou-se traído e comandou uma operação que resultou na demissão de José Dirceu, seu braço direito e ministro da Casa Civil. Foi um dos preços pagos para tentar virar a página do escândalo e permitir a reeleição em 2006.
Até a histórica derrota sofrida pelo presidente com a decisão do Senado de rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal tem uma raiz nos planos eleitorais de Lula. Quando a vaga no STF foi aberta, em outubro passado, o comandante do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), começou uma campanha a favor da indicação de seu antecessor no cargo, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para a Corte.
Como não tinha e ainda não tem um candidato forte ao governo de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, Lula rechaçou a sugestão do chefe do Legislativo e convidou Pacheco para disputar o governo mineiro, insinuando que o parlamentar poderia ser nomeado ao Supremo no futuro caso ele fosse reeleito. O cortejado Pacheco nunca aceitou nem recusou a proposta. Ele levou a negociação em banho-maria até a rejeição de Messias pelo Senado. Após essa decisão, a candidatura de Pacheco ao governo, segundo petistas, tornou-se menos provável, o que obrigou Lula a cogitar alternativas. Depois da desastrosa administração do petista Fernando Pimentel em Minas, um nome do PT está descartado.
A opção estudada por assessores do presidente é apoiar o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que aparece em segundo lugar na pesquisa Genial/Quaest para o governo, atrás do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que ainda não confirmou a candidatura, e à frente de Pacheco, o terceiro colocado.
No Rio Grande do Sul, o sexto maior colégio eleitoral do País, o PT também não terá postulante ao Palácio Piratini. Ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o petista Edegar Pretto pretendia concorrer ao governo gaúcho, mas foi pressionado por Lula a desistir e apoiar para o cargo Juliana Brizola (PDT). Depois de ensaiar uma resistência à ordem, Pretto capitulou e assumiu o posto de vice na chapa de Juliana, que lidera o páreo junto com o deputado Luciano Zucco (PL).
Ciente de que a próxima eleição será tão acirrada quanto a de 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno por menos de 2 pontos percentuais de vantagem, Lula mandou o PT ceder espaços a outras legendas numa tentativa de receber o apoio delas ou de parte de seus quadros na campanha.
No Rio de Janeiro, o terceiro maior colégio eleitoral do país, o candidato do presidente ao governo estadual será Eduardo Paes (PSD), que já havia sido apoiado pelos petistas, por determinação de Lula, quando disputou a prefeitura carioca em 2024.
“Nós estamos num esforço muito grande de juntar todas as forças progressistas, democráticas, populares, para derrotar o fascismo no Brasil”, diz o deputado Jilmar Tatto (SP), vice-presidente nacional do PT. Neste trabalho, todo companheiro é convocado a dar sua cota de contribuição. Um exemplo é o ministro da articulação política, o deputado licenciado José Guimarães, que estreou no cargo com a derrota histórica no caso da indicação de Messias ao STF.
Ex-líder do governo na Câmara, Guimarães pretendia concorrer ao Senado pelo Ceará. Ele dizia que nada, absolutamente nada, o faria desistir da ideia. No campo governista, havia mais outros três interessados nas duas vagas de senador em jogo, incluindo quadros do MDB e do PSB. Com o objetivo de diminuir as chances de atritos na sua própria base, Lula nomeou Guimarães para um ministério, o que o impede de disputar a eleição. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad também sabe disso. Ele não queria concorrer neste ano depois de ser derrotado em 2016, para a prefeitura de Paulo, em 2018, para a Presidência, e em 2022, para o governo paulista. Seu objetivo era trabalhar na campanha do chefe de preferência, na elaboração do programa de governo. O plano foi frustrado por Lula, que preferiu escalar um time de peso para a eleição em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País. (Com informações da revista Veja)
Participaram da reunião os ministros da Justiça, da Fazenda, das Relações Institucionais e outros seis que já foram governadores. (Foto: Pedro França/Agência Senado) Em Brasília (DF), ainda não existe consenso sobre o projeto que trata do combate às facções criminosas. Essa quinta-feira (13) foi de reuniões, mas, de novo, sem avanços. Especialistas criticam essa demora …
Flávio (foto) é contra a estratégia de Eduardo de ir para o tudo ou nada em defesa da anistia ao pai. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil) O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem conversado com políticos do Centrão nos últimos dias pedindo votos para o projeto de redução de penas dos condenados pelos atos do 8 de …
O relator da proposta, Paulinho da Força, está ouvindo bancadas de direita e de esquerda Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados O relator da proposta, Paulinho da Força, está ouvindo bancadas de direita e de esquerda. (Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados) O relator do PL (Projeto de Lei) da Dosimetria – antes chamado de PL da Anistia –, …
Nova plataforma política do partido, que passará pelo crivo do 8º Congresso petista, também prega “mecanismos internos de autocorreção”. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil) Depois do escândalo do Banco Master, que atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF) e provocou impacto na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT decidiu defender a adoção de …
Em prol do objetivo eleitoral, Lula “sacrifica” aliados e interesses partidários
No Rio Grande do Sul, o sexto maior colégio eleitoral do País, por exemplo, o PT não terá postulante ao Palácio Piratini. (Foto: Luís André/Secom)
Preparando-se para sua sétima candidatura ao Palácio do Planalto, Lula nunca teve pudor de imolar aliados para se livrar de problemas e fortalecer suas campanhas eleitorais. Em seu primeiro mandato presidencial, ao reagir à descoberta do mensalão, ele jurou inocência, declarou-se traído e comandou uma operação que resultou na demissão de José Dirceu, seu braço direito e ministro da Casa Civil. Foi um dos preços pagos para tentar virar a página do escândalo e permitir a reeleição em 2006.
Até a histórica derrota sofrida pelo presidente com a decisão do Senado de rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal tem uma raiz nos planos eleitorais de Lula. Quando a vaga no STF foi aberta, em outubro passado, o comandante do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), começou uma campanha a favor da indicação de seu antecessor no cargo, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para a Corte.
Como não tinha e ainda não tem um candidato forte ao governo de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, Lula rechaçou a sugestão do chefe do Legislativo e convidou Pacheco para disputar o governo mineiro, insinuando que o parlamentar poderia ser nomeado ao Supremo no futuro caso ele fosse reeleito. O cortejado Pacheco nunca aceitou nem recusou a proposta. Ele levou a negociação em banho-maria até a rejeição de Messias pelo Senado. Após essa decisão, a candidatura de Pacheco ao governo, segundo petistas, tornou-se menos provável, o que obrigou Lula a cogitar alternativas.
Depois da desastrosa administração do petista Fernando Pimentel em Minas, um nome do PT está descartado.
A opção estudada por assessores do presidente é apoiar o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que aparece em segundo lugar na pesquisa Genial/Quaest para o governo, atrás do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que ainda não confirmou a candidatura, e à frente de Pacheco, o terceiro colocado.
No Rio Grande do Sul, o sexto maior colégio eleitoral do País, o PT também não terá postulante ao Palácio Piratini. Ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o petista Edegar Pretto pretendia concorrer ao governo gaúcho, mas foi pressionado por Lula a desistir e apoiar para o cargo Juliana Brizola (PDT). Depois de ensaiar uma resistência à ordem, Pretto capitulou e assumiu o posto de vice na chapa de Juliana, que lidera o páreo junto com o deputado Luciano Zucco (PL).
Ciente de que a próxima eleição será tão acirrada quanto a de 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno por menos de 2 pontos percentuais de vantagem, Lula mandou o PT ceder espaços a outras legendas numa tentativa de receber o apoio delas ou de parte de seus quadros na campanha.
No Rio de Janeiro, o terceiro maior colégio eleitoral do país, o candidato do presidente ao governo estadual será Eduardo Paes (PSD), que já havia sido apoiado pelos petistas, por determinação de Lula, quando disputou a prefeitura carioca em 2024.
“Nós estamos num esforço muito grande de juntar todas as forças progressistas, democráticas, populares, para derrotar o fascismo no Brasil”, diz o deputado Jilmar Tatto (SP), vice-presidente nacional do PT. Neste trabalho, todo companheiro é convocado a dar sua cota de contribuição. Um exemplo é o ministro da articulação política, o deputado licenciado José Guimarães, que estreou no cargo com a derrota histórica no caso da indicação de Messias ao STF.
Ex-líder do governo na Câmara, Guimarães pretendia concorrer ao Senado pelo Ceará. Ele dizia que nada, absolutamente nada, o faria desistir da ideia. No campo governista, havia mais outros três interessados nas duas vagas de senador em jogo, incluindo quadros do MDB e do PSB. Com o objetivo de diminuir as chances de atritos na sua própria base, Lula nomeou Guimarães para um ministério, o que o impede de disputar a eleição. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad também sabe disso. Ele não queria concorrer neste ano depois de ser derrotado em 2016, para a prefeitura de Paulo, em 2018, para a Presidência, e em 2022, para o governo paulista. Seu objetivo era trabalhar na campanha do chefe de preferência, na elaboração do programa de governo. O plano foi frustrado por Lula, que preferiu escalar um time de peso para a eleição em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País. (Com informações da revista Veja)
Related Posts
Reunião entre Lula e ministros tem cobranças por empenho em avanços na segurança pública
Participaram da reunião os ministros da Justiça, da Fazenda, das Relações Institucionais e outros seis que já foram governadores. (Foto: Pedro França/Agência Senado) Em Brasília (DF), ainda não existe consenso sobre o projeto que trata do combate às facções criminosas. Essa quinta-feira (13) foi de reuniões, mas, de novo, sem avanços. Especialistas criticam essa demora …
Flávio e o “maluco do meu irmão” Eduardo Bolsonaro
Flávio (foto) é contra a estratégia de Eduardo de ir para o tudo ou nada em defesa da anistia ao pai. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil) O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem conversado com políticos do Centrão nos últimos dias pedindo votos para o projeto de redução de penas dos condenados pelos atos do 8 de …
Após semana de articulações, Projeto de Lei da Dosimetria segue sem previsão de votação no Congresso
O relator da proposta, Paulinho da Força, está ouvindo bancadas de direita e de esquerda Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados O relator da proposta, Paulinho da Força, está ouvindo bancadas de direita e de esquerda. (Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados) O relator do PL (Projeto de Lei) da Dosimetria – antes chamado de PL da Anistia –, …
PT prega Código de Ética para o Supremo e revisão de privilégios no tribunal, após desgaste na imagem de Lula
Nova plataforma política do partido, que passará pelo crivo do 8º Congresso petista, também prega “mecanismos internos de autocorreção”. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil) Depois do escândalo do Banco Master, que atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF) e provocou impacto na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT decidiu defender a adoção de …