A pedido do Planalto, partido decide empurrar discussão de temas mais polêmicos para depois das eleições. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
A divisão no PT sobre os rumos do partido e do governo – somada ao receio do Palácio do Planalto de que a exposição das divergências prejudique a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – fez a sigla empurrar as discussões mais polêmicas de seu 8° Congresso para depois das eleições.
Apesar do racha, porém, o grupo de Lula diz ter maioria para aprovar, neste fim de semana, a recomendação para alianças estratégicas com a direita, com o objetivo de enfrentar o bolsonarismo nas eleições de outubro.
Planejado para discutir diretrizes do programa de governo do presidente, o encontro do PT, aberto nessa sexta-feira (24), em Brasília, reúne dirigentes, governadores, prefeitos, parlamentares e ministros até este domingo (26), em um momento político complicado. Até agora, pesquisas têm mostrado o avanço do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto, e o impacto do escândalo do Banco Master, do desvio de aposentadorias do INSS e da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a popularidade de Lula.
Na primeira versão das propostas para a nova plataforma do presidente, porém, a fraude no INSS não é nem mesmo citada. A estratégia da campanha petista será bater na tecla de que a “captura institucional do INSS” tomou forma no governo de Jair Bolsonaro e foi “encerrada” na gestão Lula, embora os desvios também tenham continuado por mais de um ano neste mandato.
A crise do Master, por sua vez, ganhou duas referências no texto sobre o programa partidário, que deverá ser discutido somente depois das eleições. No documento, o PT defende a reforma do sistema financeiro para “enfrentar o rentismo e ampliar a regulação, supervisão e transparência do mercado (…) fortalecendo os instrumentos de controle público e prevenindo riscos, especialmente à luz das lições deixadas pelo caso Master”.
Desde que as irregularidades do banco de Daniel Vorcaro vieram a público, a ordem no Planalto e na cúpula do PT foi colar o escândalo a Bolsonaro e ao Centrão – daí o carimbo “Bolsomaster” –, destacando que as investigações da Polícia Federal ocorreram na gestão Lula.
Na tentativa de evitar problemas para a campanha de Lula, que deve participar apenas do encerramento do 8º Congresso, no domingo, o Diretório Nacional do PT decidiu fazer o encontro do partido em duas etapas. A decisão atendeu a um pedido do próprio Lula e a orientações do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira.
Se o presidente ganhar a eleição, o PT terá mais autonomia para discutir o seu papel, o que espera do novo governo e até mesmo iniciar o debate sobre o “pós-Lula”; se perder, dirigentes do PT admitem que haverá uma “caça às bruxas”, em busca de culpados.
Propostas genéricas para o programa do quarto mandato – como revisão da meta de inflação para compatibilizá-la com os objetivos de crescimento e geração de emprego, redefinição do papel do Banco Central e juros abaixo de 10% – podem até entrar agora em discussão. Mas o debate das divergências mais ruidosas, como as referentes aos rumos do partido após a última campanha da qual Lula vai participar, foi transferido para uma segunda fase do 8.º Congresso, ainda sem data marcada e, provavelmente, apenas no primeiro semestre de 2027.
Mesmo sem apresentar medidas mais detalhadas, no entanto, o encontro do PT discute a tática eleitoral para as disputas de outubro e dá sinais de que o pragmatismo falará mais alto. Na prática, a cúpula petista não espera uma aliança formal com o PSD de Gilberto Kassab e partidos do Centrão, como o PP, mas aposta na divisão dessas legendas em relação à candidatura de Flávio para que seus diretórios liberem os votos dos filiados.
Ex-chefe da Casa Civil, Dirceu integra a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), a mesma de Lula, majoritária no PT. Militantes da tendência Articulação de Esquerda (AE) apresentaram uma emenda a esse texto. Ao discordarem de alianças com a direita, dirigentes da AE escreveram que “justamente pela magnitude da crise, do ponto de vista do programa e da estratégia partidária, seria vital apontar para uma ruptura com este sistema”. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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Eleições 2026: para não prejudicar a campanha eleitoral de Lula, debate sobre alianças e modelo econômico faz o PT dividir seu congresso
A pedido do Planalto, partido decide empurrar discussão de temas mais polêmicos para depois das eleições. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
A divisão no PT sobre os rumos do partido e do governo – somada ao receio do Palácio do Planalto de que a exposição das divergências prejudique a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – fez a sigla empurrar as discussões mais polêmicas de seu 8° Congresso para depois das eleições.
Apesar do racha, porém, o grupo de Lula diz ter maioria para aprovar, neste fim de semana, a recomendação para alianças estratégicas com a direita, com o objetivo de enfrentar o bolsonarismo nas eleições de outubro.
Planejado para discutir diretrizes do programa de governo do presidente, o encontro do PT, aberto nessa sexta-feira (24), em Brasília, reúne dirigentes, governadores, prefeitos, parlamentares e ministros até este domingo (26), em um momento político complicado. Até agora, pesquisas têm mostrado o avanço do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto, e o impacto do escândalo do Banco Master, do desvio de aposentadorias do INSS e da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a popularidade de Lula.
Na primeira versão das propostas para a nova plataforma do presidente, porém, a fraude no INSS não é nem mesmo citada. A estratégia da campanha petista será bater na tecla de que a “captura institucional do INSS” tomou forma no governo de Jair Bolsonaro e foi “encerrada” na gestão Lula, embora os desvios também tenham continuado por mais de um ano neste mandato.
A crise do Master, por sua vez, ganhou duas referências no texto sobre o programa partidário, que deverá ser discutido somente depois das eleições. No documento, o PT defende a reforma do sistema financeiro para “enfrentar o rentismo e ampliar a regulação, supervisão e transparência do mercado (…) fortalecendo os instrumentos de controle público e prevenindo riscos, especialmente à luz das lições deixadas pelo caso Master”.
Desde que as irregularidades do banco de Daniel Vorcaro vieram a público, a ordem no Planalto e na cúpula do PT foi colar o escândalo a Bolsonaro e ao Centrão – daí o carimbo “Bolsomaster” –, destacando que as investigações da Polícia Federal ocorreram na gestão Lula.
Na tentativa de evitar problemas para a campanha de Lula, que deve participar apenas do encerramento do 8º Congresso, no domingo, o Diretório Nacional do PT decidiu fazer o encontro do partido em duas etapas. A decisão atendeu a um pedido do próprio Lula e a orientações do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira.
Se o presidente ganhar a eleição, o PT terá mais autonomia para discutir o seu papel, o que espera do novo governo e até mesmo iniciar o debate sobre o “pós-Lula”; se perder, dirigentes do PT admitem que haverá uma “caça às bruxas”, em busca de culpados.
Propostas genéricas para o programa do quarto mandato – como revisão da meta de inflação para compatibilizá-la com os objetivos de crescimento e geração de emprego, redefinição do papel do Banco Central e juros abaixo de 10% – podem até entrar agora em discussão. Mas o debate das divergências mais ruidosas, como as referentes aos rumos do partido após a última campanha da qual Lula vai participar, foi transferido para uma segunda fase do 8.º Congresso, ainda sem data marcada e, provavelmente, apenas no primeiro semestre de 2027.
Mesmo sem apresentar medidas mais detalhadas, no entanto, o encontro do PT discute a tática eleitoral para as disputas de outubro e dá sinais de que o pragmatismo falará mais alto. Na prática, a cúpula petista não espera uma aliança formal com o PSD de Gilberto Kassab e partidos do Centrão, como o PP, mas aposta na divisão dessas legendas em relação à candidatura de Flávio para que seus diretórios liberem os votos dos filiados.
Ex-chefe da Casa Civil, Dirceu integra a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), a mesma de Lula, majoritária no PT. Militantes da tendência Articulação de Esquerda (AE) apresentaram uma emenda a esse texto. Ao discordarem de alianças com a direita, dirigentes da AE escreveram que “justamente pela magnitude da crise, do ponto de vista do programa e da estratégia partidária, seria vital apontar para uma ruptura com este sistema”. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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