Nos quatro anos do governo Jair Bolsonaro (PL), a Total obteve contratos e aditamentos no valor de R$ 148 milhões.(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Os Correios ampliaram, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contratos com uma transportadora aérea comandada pelo empresário Paulo Almada, ex-assessor e amigo do senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPI do INSS. O parlamentar emplacou na estatal um diretor para a área responsável pelos contratos.
De 2023 até agora, a Total Linhas Aéreas assinou R$ 225 milhões em novos negócios e aditivos a contratos anteriores com os Correios. Os valores estão previstos para a prestação de serviços de transporte aéreo de cargas em linhas entre São Paulo e Belo Horizonte, Recife e São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre. Do montante, 98% foram firmados após Paulo Almada assumir a Total.
Nos quatro anos do governo Jair Bolsonaro (PL), a Total obteve contratos e aditamentos no valor de R$ 148 milhões. Os números são do Portal da Transparência da própria estatal.
Em nota, o senador Carlos Viana afirmou que os contratos dos Correios são feitos por pregão eletrônico e não há possibilidade de interferência. Almada declarou que não foi favorecido pela sua relação com o senador e que até foi prejudicado pelos Correios devido ao cancelamento de rotas pela estatal, que nega favorecimento à Total.
Paulo Almada apresentou-se ao mercado como novo chefe da Total em dezembro de 2023, em um evento público em Brasília. Ele dizia estar fazendo uma transição após mais de dez anos como consultor da companhia.
Na época, o empresário estava nomeado como assessor parlamentar do gabinete da Maioria, no Senado, cargo que ocupou de abril de 2023 a maio de 2024.
A partir da chega de Almada à Total, os negócios com os Correios, que já existiam com os antigos executivos, começaram a crescer. Foram assinados dez contratos e três aditamentos com a diretoria de Operações da estatal.
O contrato da Total mais recente e com valor mais alto durante a gestão Lula, no valor de R$ 76,6 milhões para prestação do serviço postal noturno, foi assinado dois meses depois de Sérgio Kennedy Soares Freitas assumir o comando da diretoria. Ele foi uma indicação feita por Viana ao governo do presidente Lula.
Servidor de carreira da Infraero, ele primeiro assumiu como chefe do Departamento de Transportes dos Correios, em outubro de 2024. Em junho de 2025, virou diretor de Operações. O Estadão procurou o executivo, mas ele não quis comentar. Os Correios afirmaram que não vão se manifestar em nome do quadro diretivo.
Soares Freitas chegou a ter a demissão anunciada na semana passada, como consequência de um processo de trocas deflagrado com a demissão do então presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos.
Entretanto, o substituto declinou do cargo alegando questões de ordem pessoal, e Freitas foi reconduzido para o posto de diretor de Operações.
Senador usou endereço de empresário em campanha
As relações comerciais e de amizade entre Carlos Viana e Paulo Almada se misturam há anos. O empresário ocupa cargos de livre indicação controlados pelo senador desde 2018, quando venceu a eleição para o mandato que exerce.
Viana também empregou uma irmã do amigo. E Gilmar Viana, irmão do senador, é um dos advogados da Total, empresa de Paulo Almada.
Presidente da CPI do INSS acumulou mandato com offshore
Além das relações comerciais e pessoais com Paulo Almada no Brasil, o presidente da CPI do INSS, Carlos Viana, atuou como gestor de uma offshore do empresário aberta na Flórida (EUA).
Offshore é uma empresa registrada em país diferente da residência dos donos ou do principal local onde o negócio opera. Geralmente, serve para aproveitar regime fiscal favorável, sigilo fiscal ou flexibilidade regulatória.
Ao longo de 2023, o senador acumulou o mandato com a função de diretor da Cliclog LLC, uma empresa que tem participação em outra companhia aérea, a Ecojet, registrada em Goiânia e com atuação na Bolívia.
A Constituição Federal permite o acúmulo com o cargo de senador, desde que a empresa não tenha contratos públicos. A relação de Almada com o governo se dá não pela Cliclog, mas pela Total Linhas Aéreas, que tem R$ 225 milhões em contratos firmados com os Correios.
Carlos Viana aparece nos registros oficiais da offshore como dirigente da firma entre março e setembro de 2023. Apesar de ter se retirado, o senador não deixou de se relacionar com ela. Com informações do portal Estadão.
https://www.osul.com.br/correios-ampliam-contratos-com-ex-assessor-de-presidente-da-cpi-do-inss/ Correios ampliam contratos com ex-assessor de presidente da CPI do INSS 2025-11-16
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De 2023 até agora, a Total Linhas Aéreas assinou R$ 225 milhões em novos negócios e aditivos a contratos anteriores com os Correios. Os valores estão previstos para a prestação de serviços de transporte aéreo de cargas em linhas entre São Paulo e Belo Horizonte, Recife e São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre. Do montante, 98% foram firmados após Paulo Almada assumir a Total.
Nos quatro anos do governo Jair Bolsonaro (PL), a Total obteve contratos e aditamentos no valor de R$ 148 milhões. Os números são do Portal da Transparência da própria estatal.
Em nota, o senador Carlos Viana afirmou que os contratos dos Correios são feitos por pregão eletrônico e não há possibilidade de interferência. Almada declarou que não foi favorecido pela sua relação com o senador e que até foi prejudicado pelos Correios devido ao cancelamento de rotas pela estatal, que nega favorecimento à Total.
Paulo Almada apresentou-se ao mercado como novo chefe da Total em dezembro de 2023, em um evento público em Brasília. Ele dizia estar fazendo uma transição após mais de dez anos como consultor da companhia.
Na época, o empresário estava nomeado como assessor parlamentar do gabinete da Maioria, no Senado, cargo que ocupou de abril de 2023 a maio de 2024.
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Servidor de carreira da Infraero, ele primeiro assumiu como chefe do Departamento de Transportes dos Correios, em outubro de 2024. Em junho de 2025, virou diretor de Operações. O Estadão procurou o executivo, mas ele não quis comentar. Os Correios afirmaram que não vão se manifestar em nome do quadro diretivo.
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Entretanto, o substituto declinou do cargo alegando questões de ordem pessoal, e Freitas foi reconduzido para o posto de diretor de Operações.
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https://www.osul.com.br/correios-ampliam-contratos-com-ex-assessor-de-presidente-da-cpi-do-inss/
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2025-11-16
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