Apesar de terem convicção de que Alexandre de Moraes atuou para que o advogado-geral da União, Jorge Messias, fosse rejeitado pelo Senado pessoas próximas a Lula têm agido nos bastidores para promover uma reaproximação entre eles
Interlocutores do petista avaliam que ambos saem perdendo com rompimento. (Foto: Fabio Pozzebom/ABr)
Mesmo convictos de que o ministro Alexandre de Moraes atuou para que o advogado-geral da União, Jorge Messias, fosse rejeitado pelo Senado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), impondo uma derrota histórica ao governo, pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm agido nos bastidores. O objetivo é promover uma reaproximação entre eles.
As desconfianças contra Moraes são motivadas pela sua grande proximidade com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O ministro teria ficado contrariado porque Messias, durante o período antes de ser sabatinado, mostrou uma relação estreita com André Mendonça, relator do caso Master na Corte e seu adversário interno no STF. A escolha do AGU para o Supremo poderia mexer na correlação de forças do Supremo. Assim como Mendonça, Messias é evangélico.
Pela avaliação de petistas, um rompimento definitivo entre Lula e Moraes não seria conveniente para nenhuma das partes. O ministro passou a ser considerado um aliado próximo durante a eleição de 2022, apesar de ter feito carreira em um campo político oposto ao do PT. Sua indicação para o Supremo foi feita por Michel Temer, presidente chamado de “golpista” por Lula por ter assumido o cargo depois do impeachment de Dilma Rousseff.
Pelo acordo que leva em conta a antiguidade, estabelecido entre os ministros do Supremo, Moraes deve assumir a presidência da Corte em setembro do ano que vem. Caso Lula seja reeleito em outubro, os dois teriam que conviver como chefes de Poderes.
Com Lula em dificuldades com o Congresso ao longo de todo este terceiro mandato, a avaliação é que o presidente buscou no STF o apoio necessário para governar que não tinha entre os parlamentares.
Grupo de encontros
Ao longo dos três anos, foram comuns encontros de Lula com um grupo de ministros da Corte, do qual Moraes faz parte juntamente com Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Um desses encontros aconteceu, por exemplo, em fevereiro, quando Moraes e Dino, depois de assistirem à final da Supercopa entre Corinthians e Flamengo, em Brasília, estiveram com o presidente.
O afastamento começou com a eclosão do caso Master. Integrantes do governo diziam que a divulgação que colocavam Moraes com suspeitos de ligação com Daniel Vorcaro acabavam respingando no Planalto justamente por causa da proximidade entre o ministro, que foi o relator do processo que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, e Lula.
Em conversas privadas, o presidente já manifestou incredulidade com os valores do contrato (R$ 130 milhões) entre o escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci, e o banco. Diante disso, no começo de abril, em entrevista ao site ICL Notícias, Lula afirmou ter aconselhado o ministro do STF a se declarar impedido em um eventual julgamento, pela Suprema Corte, de ações relacionadas às fraudes do Master.
Petistas que têm contato com Moraes relatam que o ministro enviou sinais de que não gostou da fala. Já pessoas próximas ao ministro dizem que, apesar de obviamente não ter achado boa a declaração, ele compreendeu que Lula agiu de forma pragmática porque tinha que fazer um movimento de olho na eleição.
O ministro do Supremo costuma afirmar que Lula não tem como romper com ele. Moraes considera que criou as condições para que o petista assumisse o poder, desde o período em que presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), diante da tentativa de golpe que foi arquitetada pelo então presidente Jair Bolsonaro. Durante as investigações sobre a tentativa de golpe, foi revelada a existência de um plano chamado Punhal Verde e Amarelo, que segundo a Procuradoria-Geral da República, teria sido “arquitetado e levado ao conhecimento” de Bolsonaro para matar Moraes, Lula e Alckmin.
Por outro lado, o entorno do atual presidente entende que Moraes sabe que caso Flávio Bolsonaro vença as eleições serão criadas condições políticas para que a sua cabeça esteja a prêmio com risco de sofrer impeachment no Senado. Assim, também seria conveniente para o ministro do Supremo se reaproximar de Lula.
Contato restrito
O argumento de pessoas próximas a Moraes é que ele não tem trânsito no Senado suficiente para agir em votações na Casa. Seus únicos contatos são Alcolumbre e o ex-presidente Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Reconhecem, porém, que o ministro não tentou dissuadir o presidente do Senado de concretizar a rejeição do indicado de Lula.
Na posse de Nunes Marques como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira (13), Lula e Moraes estiveram no mesmo ambiente. A primeira-dama Janja da Silva abraçou o ministro do Supremo efusivamente. (Com informações de O Globo)
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Interlocutores do petista avaliam que ambos saem perdendo com rompimento. (Foto: Fabio Pozzebom/ABr)
Mesmo convictos de que o ministro Alexandre de Moraes atuou para que o advogado-geral da União, Jorge Messias, fosse rejeitado pelo Senado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), impondo uma derrota histórica ao governo, pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm agido nos bastidores. O objetivo é promover uma reaproximação entre eles.
As desconfianças contra Moraes são motivadas pela sua grande proximidade com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O ministro teria ficado contrariado porque Messias, durante o período antes de ser sabatinado, mostrou uma relação estreita com André Mendonça, relator do caso Master na Corte e seu adversário interno no STF. A escolha do AGU para o Supremo poderia mexer na correlação de forças do Supremo. Assim como Mendonça, Messias é evangélico.
Pela avaliação de petistas, um rompimento definitivo entre Lula e Moraes não seria conveniente para nenhuma das partes. O ministro passou a ser considerado um aliado próximo durante a eleição de 2022, apesar de ter feito carreira em um campo político oposto ao do PT. Sua indicação para o Supremo foi feita por Michel Temer, presidente chamado de “golpista” por Lula por ter assumido o cargo depois do impeachment de Dilma Rousseff.
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Com Lula em dificuldades com o Congresso ao longo de todo este terceiro mandato, a avaliação é que o presidente buscou no STF o apoio necessário para governar que não tinha entre os parlamentares.
Grupo de encontros
Ao longo dos três anos, foram comuns encontros de Lula com um grupo de ministros da Corte, do qual Moraes faz parte juntamente com Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Um desses encontros aconteceu, por exemplo, em fevereiro, quando Moraes e Dino, depois de assistirem à final da Supercopa entre Corinthians e Flamengo, em Brasília, estiveram com o presidente.
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Por outro lado, o entorno do atual presidente entende que Moraes sabe que caso Flávio Bolsonaro vença as eleições serão criadas condições políticas para que a sua cabeça esteja a prêmio com risco de sofrer impeachment no Senado. Assim, também seria conveniente para o ministro do Supremo se reaproximar de Lula.
Contato restrito
O argumento de pessoas próximas a Moraes é que ele não tem trânsito no Senado suficiente para agir em votações na Casa. Seus únicos contatos são Alcolumbre e o ex-presidente Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Reconhecem, porém, que o ministro não tentou dissuadir o presidente do Senado de concretizar a rejeição do indicado de Lula.
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