Guilherme Horn alerta que a responsabilidade das ações não pode ser delegada à tecnologia. (Foto: Reprodução)
Guilherme Horn é um dos principais nomes na inovação no Brasil. Com histórico ligado ao mercado financeiro, sendo cofundador da corretora Órama, ele levou sua expertise para o WhatsApp há quatro anos, onde atua como head do aplicativo para Brasil, Índia e Indonésia. Horn diz ver a inteligência artificial (IA) como indispensável para o futuro do trabalho, mas alerta que a responsabilidade das ações não pode ser delegada à tecnologia.
“Se você está numa cidade que você sabe que tem locais perigosos e coloca uma rota no Google Maps para ir de um ponto ao outro, você vai confiar cegamente naquela rota que o aplicativo traçou ou vai dar uma olhada para ver se ele está te mandando por algum caminho perigoso? É mais ou menos o que você precisa fazer com a IA. Você delega, sim, mas não pode esquecer que essa capacidade de julgamento é sua, e a responsabilidade pela decisão, também”, diz Horn.
Em seu livro intitulado O Mindset da IA: Ela Pensa, Você Decide, lançado em março deste ano, o executivo fala sobre a importância de uma mentalidade inovadora para lidar com os desafios transformadores trazidos pela nova tecnologia. Também avisa sobre o risco dos vieses cognitivos, que distorcem a percepção sobre algoritmos, para que os líderes empresariais evitem ser direcionados pelas IAs.
Sobre inovação dentro de uma big tech, Horn diz que o trabalho feito por ele tem desafios diferentes de tirar uma empresa do zero, por não precisar construir marca ou atrair uma base de clientes. “Na Meta, por exemplo, o WhatsApp não tem o desafio de engajar os usuários. Não tem quem não seja usuário do WhatsApp (no Brasil)”, diz. Leia a seguir alguns trechos da entrevista que ele concedeu ao jornal O Estado de S. Paulo.
– A IA amplia ou encurta a distância entre o nível de desenvolvimento e de lucratividade das empresas? “A IA traz essa possibilidade de quase igualar o momento das empresas dentro do processo de transformação digital. Nos últimos 20 anos, vimos as empresas investirem no processo de transformação digital, mas com resultados muito diferentes. Algumas avançaram mais, outras menos, e umas que se tornaram realmente empresas quase nativamente digitais. Quando chega a IA, ela traz essa possibilidade de igualar esses diferentes estágios onde elas estão. É como quando há, por exemplo, um ‘circuit breaker’ na Bolsa de Valores. Quando uma ação está caindo muito, de repente a Bolsa interrompe aquela negociação e todo mundo que estava em posições diferentes meio que se iguala. Quando recomeçar a negociação, todo mundo recomeça da mesma situação. É mais ou menos isso. As empresas têm a possibilidade de partir de um ponto parecido nesse momento, mas isso vai durar pouco, porque a velocidade é tão grande que aquelas que não começarem logo a se engajar nesse tema rapidamente vão perder essa vantagem. A janela de oportunidade dessa equalização vai ser curta.”
– Como os empreendedores estão lidando com a IA? Onde estão acertando ou errando? “A grande maioria ainda está numa fase inicial. A IA tem diferentes estágios de uso. Desde a simples automação de um processo existente até o redesenho de novos processos, novos produtos e novos modelos de negócio. A grande maioria ainda está nesse estágio de automatização dos processos existentes, que é uma porta de entrada natural para a tecnologia. Você começa automatizando tudo que já tem, e consegue auferir ganhos de produtividade e eficiência. Aí, vai conhecendo também mais sobre a tecnologia, se engajando mais com ela e se aprofundando no assunto. Aí, sim, vão aumentando as possibilidades, até chegar ao nível da criação dos agentes de IA e do que realmente a IA pode trazer como geração de valor.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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“A inteligência artificial pode pensar, mas quem decide é o humano”
Guilherme Horn alerta que a responsabilidade das ações não pode ser delegada à tecnologia. (Foto: Reprodução)
Guilherme Horn é um dos principais nomes na inovação no Brasil. Com histórico ligado ao mercado financeiro, sendo cofundador da corretora Órama, ele levou sua expertise para o WhatsApp há quatro anos, onde atua como head do aplicativo para Brasil, Índia e Indonésia. Horn diz ver a inteligência artificial (IA) como indispensável para o futuro do trabalho, mas alerta que a responsabilidade das ações não pode ser delegada à tecnologia.
“Se você está numa cidade que você sabe que tem locais perigosos e coloca uma rota no Google Maps para ir de um ponto ao outro, você vai confiar cegamente naquela rota que o aplicativo traçou ou vai dar uma olhada para ver se ele está te mandando por algum caminho perigoso? É mais ou menos o que você precisa fazer com a IA. Você delega, sim, mas não pode esquecer que essa capacidade de julgamento é sua, e a responsabilidade pela decisão, também”, diz Horn.
Em seu livro intitulado O Mindset da IA: Ela Pensa, Você Decide, lançado em março deste ano, o executivo fala sobre a importância de uma mentalidade inovadora para lidar com os desafios transformadores trazidos pela nova tecnologia. Também avisa sobre o risco dos vieses cognitivos, que distorcem a percepção sobre algoritmos, para que os líderes empresariais evitem ser direcionados pelas IAs.
Sobre inovação dentro de uma big tech, Horn diz que o trabalho feito por ele tem desafios diferentes de tirar uma empresa do zero, por não precisar construir marca ou atrair uma base de clientes. “Na Meta, por exemplo, o WhatsApp não tem o desafio de engajar os usuários. Não tem quem não seja usuário do WhatsApp (no Brasil)”, diz. Leia a seguir alguns trechos da entrevista que ele concedeu ao jornal O Estado de S. Paulo.
– A IA amplia ou encurta a distância entre o nível de desenvolvimento e de lucratividade das empresas? “A IA traz essa possibilidade de quase igualar o momento das empresas dentro do processo de transformação digital. Nos últimos 20 anos, vimos as empresas investirem no processo de transformação digital, mas com resultados muito diferentes. Algumas avançaram mais, outras menos, e umas que se tornaram realmente empresas quase nativamente digitais. Quando chega a IA, ela traz essa possibilidade de igualar esses diferentes estágios onde elas estão. É como quando há, por exemplo, um ‘circuit breaker’ na Bolsa de Valores. Quando uma ação está caindo muito, de repente a Bolsa interrompe aquela negociação e todo mundo que estava em posições diferentes meio que se iguala. Quando recomeçar a negociação, todo mundo recomeça da mesma situação. É mais ou menos isso. As empresas têm a possibilidade de partir de um ponto parecido nesse momento, mas isso vai durar pouco, porque a velocidade é tão grande que aquelas que não começarem logo a se engajar nesse tema rapidamente vão perder essa vantagem. A janela de oportunidade dessa equalização vai ser curta.”
– Como os empreendedores estão lidando com a IA? Onde estão acertando ou errando? “A grande maioria ainda está numa fase inicial. A IA tem diferentes estágios de uso. Desde a simples automação de um processo existente até o redesenho de novos processos, novos produtos e novos modelos de negócio. A grande maioria ainda está nesse estágio de automatização dos processos existentes, que é uma porta de entrada natural para a tecnologia. Você começa automatizando tudo que já tem, e consegue auferir ganhos de produtividade e eficiência. Aí, vai conhecendo também mais sobre a tecnologia, se engajando mais com ela e se aprofundando no assunto. Aí, sim, vão aumentando as possibilidades, até chegar ao nível da criação dos agentes de IA e do que realmente a IA pode trazer como geração de valor.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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