“Amadorismo” na forma de enfrentar escândalo decepcionou quem aposta na candidatura do PL. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Os áudios que vieram à tona neste mês entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, abalaram a confiança do mercado na pré-campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmam empresários ouvidos pela Folha de S.Paulo.
A reportagem conversou com sete empresários, quatro sob reserva, durante evento do grupo Esfera neste fim de semana no Guarujá (SP).
Quase todos afirmaram que as revelações impactaram a confiança no filho de Bolsonaro – se não por uma questão moral, pela impressão de que o amadorismo do episódio sinaliza que ele não teria a capacidade de liderar um projeto nacional.
“Muitas coisas irão aparecer ainda. As coisas estão vindo em doses”, afirmou Lírio Parisotto, fundador da Innova. “É uma promiscuidade total, né? Não é legal o presidente da República ter esse perfil.”
Um empresário disse acreditar que Flávio derreterá mais nas pesquisas, já que boa parte da população (36%, segundo o último Datafolha) ainda não ficou sabendo do caso.
Três ideias principais se repetiram entre as fontes abordadas pela reportagem. A primeira delas, que Flávio, assim como o presidente Lula (PT), ainda não apresentou um plano efetivo para a economia, que proponha soluções para garantir o equilíbrio fiscal.
“Só por carregar o sobrenome Bolsonaro não me parece ser a melhor opção para o Brasil, né?”, disse Parisotto. “Não vejo plano de governo nenhum dele, não aparece nada novo. Eu gostaria que se elegesse alguém que tivesse um plano de gestão para o país, para a nossa economia, nossa legislação, nossa Previdência.”
O filho de Bolsonaro vem tentando se aproximar da Faria Lima, mas ainda não anunciou quais propostas para a economia farão parte do seu plano de governo. Como mostrou a Folha, a equipe de Flávio planeja medidas de ajuste fiscal, mas não deu publicidade a elas por avaliar que a divulgação ofereceria munição política ao petista, que poderia falar em perdas aos aposentados e em redução de verbas para a saúde e a educação.
Empresários apostam que novos escândalos envolvendo os dois principais candidatos vão aparecer e que as irregularidades do caso Master envolvem figuras da direita e da esquerda.
Boa parte deles manifestou o desejo por um candidato da terceira via, ainda que a maioria avalie que isso não será factível no atual cenário.
“Rezo todo dia por uma terceira via”, disse Carlos Sanchez, do grupo EMS. “Tanto um lado quanto o outro são bons candidatos, mas eu acho que o Brasil merece uma mudança.”
Parisotto, da Innova, tem preferência pelo ex-governador Romeu Zema (Novo). Questionado sobre a viabilidade do pré-candidato, afirmou: “Acho que os tamborins estão sendo afinados ainda. Muita coisa vai acontecer”.
Sanchez disse que o empresariado está ansioso, mas que ainda é cedo para fazer previsões sobre o que de fato acontecerá nas eleições. “Muita água vai passar debaixo dessa ponte ainda. O Lula, seis meses atrás, estava eleito, depois ficou ruim para o lado dele, agora está bom de novo. Amanhã a gente não sabe.”
Segundo ele, a revelação dos áudios impactou o ânimo dos empresários em relação à pré-campanha de Flávio. “Eu acho que teve mais [impacto] no ânimo. Não que eles vão trocar o voto por causa disso, porque é o que eu disse, os dois lados têm problemas”, afirmou.
A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (22), mostrou que Lula abriu vantagem sobre o filho de Bolsonaro após a divulgação dos áudios com Vorcaro. Nas gravações, o senador cobrou do ex-banqueiro o pagamento de parcelas de financiamento do filme “Dark Horse”, uma ode ao ex-presidente.
No primeiro turno, Flávio caiu de 35 para 31 pontos percentuais, enquanto Lula passou de 38 para 40, na comparação com o levantamento divulgado no último dia 16. No segundo turno, o petista tem 47% das intenções de voto e o senador, 43%. Antes, eles estavam empatados. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Para João Camargo, do grupo Esfera, o filho de Bolsonaro deve se recuperar com o passar do tempo. “Datafolha realmente é a fotografia. O filme a gente tem que analisar com calma se o Flávio vai decantar e depurar. Agora, você tem o Lula, que é um grande líder, e a esquerda tem ideias retrógradas, e você tem o Flávio, que tem ideias inovadoras”, disse.
Camargo afirmou que é muito difícil “querer que a Faria Lima seja progressista” e que a preferência ali é pelos ex-governadores Zema e Ronaldo Caiado (PSD), além de Flávio Bolsonaro. Ele, porém, rejeita a chance de vitória de uma terceira via. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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A conversa de Flávio com Vorcaro abalou a confiança do mercado, afirmam empresários
“Amadorismo” na forma de enfrentar escândalo decepcionou quem aposta na candidatura do PL. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Os áudios que vieram à tona neste mês entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, abalaram a confiança do mercado na pré-campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmam empresários ouvidos pela Folha de S.Paulo.
A reportagem conversou com sete empresários, quatro sob reserva, durante evento do grupo Esfera neste fim de semana no Guarujá (SP).
Quase todos afirmaram que as revelações impactaram a confiança no filho de Bolsonaro – se não por uma questão moral, pela impressão de que o amadorismo do episódio sinaliza que ele não teria a capacidade de liderar um projeto nacional.
“Muitas coisas irão aparecer ainda. As coisas estão vindo em doses”, afirmou Lírio Parisotto, fundador da Innova. “É uma promiscuidade total, né? Não é legal o presidente da República ter esse perfil.”
Um empresário disse acreditar que Flávio derreterá mais nas pesquisas, já que boa parte da população (36%, segundo o último Datafolha) ainda não ficou sabendo do caso.
Três ideias principais se repetiram entre as fontes abordadas pela reportagem. A primeira delas, que Flávio, assim como o presidente Lula (PT), ainda não apresentou um plano efetivo para a economia, que proponha soluções para garantir o equilíbrio fiscal.
“Só por carregar o sobrenome Bolsonaro não me parece ser a melhor opção para o Brasil, né?”, disse Parisotto. “Não vejo plano de governo nenhum dele, não aparece nada novo. Eu gostaria que se elegesse alguém que tivesse um plano de gestão para o país, para a nossa economia, nossa legislação, nossa Previdência.”
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Segundo ele, a revelação dos áudios impactou o ânimo dos empresários em relação à pré-campanha de Flávio. “Eu acho que teve mais [impacto] no ânimo. Não que eles vão trocar o voto por causa disso, porque é o que eu disse, os dois lados têm problemas”, afirmou.
A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (22), mostrou que Lula abriu vantagem sobre o filho de Bolsonaro após a divulgação dos áudios com Vorcaro. Nas gravações, o senador cobrou do ex-banqueiro o pagamento de parcelas de financiamento do filme “Dark Horse”, uma ode ao ex-presidente.
No primeiro turno, Flávio caiu de 35 para 31 pontos percentuais, enquanto Lula passou de 38 para 40, na comparação com o levantamento divulgado no último dia 16. No segundo turno, o petista tem 47% das intenções de voto e o senador, 43%. Antes, eles estavam empatados. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Para João Camargo, do grupo Esfera, o filho de Bolsonaro deve se recuperar com o passar do tempo. “Datafolha realmente é a fotografia. O filme a gente tem que analisar com calma se o Flávio vai decantar e depurar. Agora, você tem o Lula, que é um grande líder, e a esquerda tem ideias retrógradas, e você tem o Flávio, que tem ideias inovadoras”, disse.
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