A aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso deixa o Supremo desfalcado, com um magistrado a menos na corte até que o presidente Lula indique um substituto e o Senado o aprove
A saída de Barroso implica a situação de plenário com dez ministros e turmas com quatro.
Foto: Fellipe Sampaio/STF
A saída de Barroso implica a situação de plenário com dez ministros e turmas com quatro. (Foto: Fellipe Sampaio/STF)
A aposentadoria repentina do agora ex-ministro Luís Roberto Barroso deixou o STF (Supremo Tribunal Federal) desfalcado, com um magistrado a menos na corte até que o presidente Lula (PT) indique um substituto e o Senado aprove o nome.
A saída de Barroso implica a situação de plenário com dez ministros e turmas com quatro. Embora seja algo recorrente, pode causar sobrecarga em gabinetes e impasses em julgamentos a depender da demora.
Sem Barroso, a composição do STF fica com André Mendonça, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques, além de Edson Fachin, presidente da corte, e Alexandre de Moraes, vice.
Luiz Fernando Esteves, professor de direito do Insper, lembra que, quando um ministro do Supremo se aposenta, deixa um acervo de processos. O atraso na indicação pode fazer com que esses casos fiquem congelados à espera do sucessor.
Além disso, até que o magistrado seja empossado, os novos processos que chegam ao tribunal serão distribuídos apenas para os ministros que já estão no cargo, o que também pode impor um fardo a mais a eles.
Um cenário assim se desenhou entre a indicação e a posse de ministro André Mendonça no tribunal. Foram mais de quatro meses de disputa para que a sabatina no Senado fosse marcada, causando situações de empate e mal-estar dentro da corte.
De acordo com Esteves, outro problema que pode surgir com a demora na indicação é a criação de uma “situação indesejada de que todo o processo de nomeação pode girar em torno do voto que o ministro escolhido daria no desempate”.
O presidente Lula disse a aliados que pretende indicar o titular da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, para o STF. Há mecanismos para evitar impasses no caso de empate em julgamentos.
No caso das turmas, por exemplo, o regimento da corte prevê que, se isso ocorrer, a decisão deve ser adiada até que se tome o voto do ministro faltante. Se vaga permanecer aberta por mais de um mês, convoca-se um ministro de outra turma.
A exceção à regra são processos de habeas corpus e recursos em matéria criminal, com exceção de recursos extraordinários. Nesse caso, prevalece a decisão mais favorável ao réu.
No plenário, as regras dizem que, em julgamentos que exijam maioria absoluta, considera-se julgada aquela questão na contramão do pedido. Em casos de habeas corpus e recursos criminais, continua a prevalecer a decisão mais favorável ao pedido.
Daniel Sarmento, professor de direito constitucional da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), afirma que o impasse é mais complexo em ações de controle de constitucionalidade, como as diretas ou declaratórias.
Isso porque, por lei, só se reconhece a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de uma norma ou uma disposição se pelo menos seis ministros votarem no mesmo sentido. Daí a complicação.
Ela não vale para julgamentos de controle de constitucionalidade nem para casos penais. Assim, o voto de Minerva só pode ser usado em processos menos centrais no STF, em hipóteses residuais.
Na prática, existem outras medidas que podem ser adotadas, como o pedido de vista, que suspende a análise e dá mais tempo para que o caso seja examinado.
https://www.osul.com.br/a-aposentadoria-do-ministro-luis-roberto-barroso-deixa-o-supremo-desfalcado-com-um-magistrado-a-menos-na-corte-ate-que-o-presidente-lula-indique-um-substituto-e-o-senado-o-aprove/ A aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso deixa o Supremo desfalcado, com um magistrado a menos na corte até que o presidente Lula indique um substituto e o Senado o aprove 2025-10-19
“A pacificação do País, que é o desejo de todos nós, depende do respeito à Constituição, da aplicação das leis e do fortalecimento das instituições, não havendo possibilidade de se confundir a saudável e necessária pacificação com a covardia do apaziguamento, que significa impunidade”, argumentou.
Costa Neto ainda ponderou que agora não é um “bom momento” para trabalhar articulações. (Foto: Reprodução) O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nessa terça-feira (16) que o Centrão precisa “pôr a cabeça no lugar” e apoiar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República. “Vamos trabalhar muito nisso …
O magistrado é alvo de ao menos duas denúncias. (Foto: José Alberto/STJ) Os ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) devem usar os últimos julgamentos sobre casos de assédio realizados pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para embasar a análise do caso Marco Buzzi. O magistrado é alvo de ao menos duas denúncias. Os ministros …
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A saída de Barroso implica a situação de plenário com dez ministros e turmas com quatro.
Foto: Fellipe Sampaio/STF
A saída de Barroso implica a situação de plenário com dez ministros e turmas com quatro. (Foto: Fellipe Sampaio/STF)
A aposentadoria repentina do agora ex-ministro Luís Roberto Barroso deixou o STF (Supremo Tribunal Federal) desfalcado, com um magistrado a menos na corte até que o presidente Lula (PT) indique um substituto e o Senado aprove o nome.
A saída de Barroso implica a situação de plenário com dez ministros e turmas com quatro. Embora seja algo recorrente, pode causar sobrecarga em gabinetes e impasses em julgamentos a depender da demora.
Sem Barroso, a composição do STF fica com André Mendonça, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques, além de Edson Fachin, presidente da corte, e Alexandre de Moraes, vice.
Luiz Fernando Esteves, professor de direito do Insper, lembra que, quando um ministro do Supremo se aposenta, deixa um acervo de processos. O atraso na indicação pode fazer com que esses casos fiquem congelados à espera do sucessor.
Além disso, até que o magistrado seja empossado, os novos processos que chegam ao tribunal serão distribuídos apenas para os ministros que já estão no cargo, o que também pode impor um fardo a mais a eles.
Um cenário assim se desenhou entre a indicação e a posse de ministro André Mendonça no tribunal. Foram mais de quatro meses de disputa para que a sabatina no Senado fosse marcada, causando situações de empate e mal-estar dentro da corte.
De acordo com Esteves, outro problema que pode surgir com a demora na indicação é a criação de uma “situação indesejada de que todo o processo de nomeação pode girar em torno do voto que o ministro escolhido daria no desempate”.
O presidente Lula disse a aliados que pretende indicar o titular da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, para o STF. Há mecanismos para evitar impasses no caso de empate em julgamentos.
No caso das turmas, por exemplo, o regimento da corte prevê que, se isso ocorrer, a decisão deve ser adiada até que se tome o voto do ministro faltante. Se vaga permanecer aberta por mais de um mês, convoca-se um ministro de outra turma.
A exceção à regra são processos de habeas corpus e recursos em matéria criminal, com exceção de recursos extraordinários. Nesse caso, prevalece a decisão mais favorável ao réu.
No plenário, as regras dizem que, em julgamentos que exijam maioria absoluta, considera-se julgada aquela questão na contramão do pedido. Em casos de habeas corpus e recursos criminais, continua a prevalecer a decisão mais favorável ao pedido.
Daniel Sarmento, professor de direito constitucional da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), afirma que o impasse é mais complexo em ações de controle de constitucionalidade, como as diretas ou declaratórias.
Isso porque, por lei, só se reconhece a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de uma norma ou uma disposição se pelo menos seis ministros votarem no mesmo sentido. Daí a complicação.
Ela não vale para julgamentos de controle de constitucionalidade nem para casos penais. Assim, o voto de Minerva só pode ser usado em processos menos centrais no STF, em hipóteses residuais.
Na prática, existem outras medidas que podem ser adotadas, como o pedido de vista, que suspende a análise e dá mais tempo para que o caso seja examinado.
https://www.osul.com.br/a-aposentadoria-do-ministro-luis-roberto-barroso-deixa-o-supremo-desfalcado-com-um-magistrado-a-menos-na-corte-ate-que-o-presidente-lula-indique-um-substituto-e-o-senado-o-aprove/
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2025-10-19
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