Foram diversas reuniões entre senadores e a Fazenda, mas não houve acordo. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
O Senado ignorou apelos do governo Luiz Inácio Lula da Silva e avançou ontem com três propostas consideradas “pautas-bomba” pelo Executivo e com custo total estimado em R$ 215 bilhões. A de maior impacto é a renegociação de dívidas rurais, aprovada pelo plenário da Casa depois que senadores e equipe econômica não fecharam acordo em torno do tema.
Logo após a votação, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo avalia vetar ou acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) caso o projeto seja validado pela Câmara dos Deputados. Segundo ele, o impacto da proposta é de R$ 140 bilhões em dez anos, caso haja renegociação integral das dívidas. O número é menor que um valor de R$ 817 bilhões mencionado pela equipe econômica com base em uma versão anterior do texto, que foi modificado.
Durigan afirmou que a renegociação abrange um universo de R$ 200 bilhões em dívidas, dos quais 70% serão bancados pelo Tesouro em dez anos.
— (O impacto) Não é suportado pelas contas — disse.
O relator da proposta, senador Renan Calheiros (MDB-AL), no entanto, afirmou que o impacto será menor, da ordem de R$ 120 bilhões nos próximos dez anos. Segundo ele, o projeto se limita a dívidas atrasadas do setor, e não a todo o estoque.
Sem dinheiro para pagar Durigan afirmou que uma renegociação mais ampla, que ultrapasse os limites, pode, inclusive, trazer prejuízo aos agricultores por meio de restrições de crédito, o que tem sido alertado, segundo ele, não só pelo Ministério da Fazenda, mas por uma série de outras associações do setor privado e instituições financeiras que operam muito com o setor do agro:
— Nosso objetivo é, sim, ajudar aqueles agricultores que mais precisam, que comprovem as perdas, que tenham problemas com as dívidas, e não fazer aí uma espécie de nova linha que atenda quem não precisa. Quem precisa está sendo atendido dentro do que o governo tinha construído. Quem não precisa é que vai onerar o restante da sociedade como um todo.
Foram diversas reuniões entre senadores e a Fazenda, mas não houve acordo. Durante a sessão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), relatou ter recebido telefonema de Durigan informando não ter conseguido fechar um entendimento sobre o tema.
— Eu fiz um compromisso público, aguardando há alguns meses para a deliberação deste assunto no Senado — disse.
O governo aposta ainda nas próximas fases da tramitação para mudar o projeto. A equipe econômica tenta limitar o acesso aos programas de renegociação a produtores efetivamente afetados por perdas climáticas ou crises econômicas. A intenção é evitar que o benefício seja utilizado de forma indiscriminada.
O ministro da Fazenda manteve conversas com três ministros do STF sobre os riscos em torno da renegociação de dívidas rurais e outras pautas com elevado impacto fiscal que estão avançando no Congresso. Além do decano, Gilmar Mendes, Durigan conversou com Cristiano Zanin e o próprio presidente do STF, Edson Fachin.
A prioridade da equipe econômica é frear o avanço dos temas no Congresso. Apesar das derrotas de hoje no Senado, há uma leitura de que é possível evitar o pior nas negociações com os parlamentares, mesmo com o clima deteriorado em razão das eleições, que estimula ímpetos mais populistas de deputados e senadores.
O principal argumento jurídico é que essas matérias estão sendo aprovadas sem estimativas de impacto fiscal e análises sobre se há espaço no Orçamento — mesmo no caso em que o custo é financeiro, isso precisa ser considerado na equação orçamentária. Com informações do portal O Globo.
Porta-voz da Casa Branca disse que até o momento, não há previsão de medidas adicionais contra o governo brasileiro. (Foto: Reprodução/YouTube) A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse nessa terça-feira (9) que o presidente dos EUA, Donald Trump, não tem medo de usar recursos militares e econômicos para “proteger a liberdade de …
O vice-presidente da Abras, Márcio Milan, celebrou a aprovação do texto, assim como a associação de farmácias, em comunicado. (Foto: Reprodução) Após divergências públicas, as associações de supermercadistas e de farmácias sinalizam ter chegado a um consenso sobre o modelo de venda de medicamentos no varejo alimentar. A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou …
Expectativa é de duas votações unânimes: uma para negar o recurso do ex-presidente e a outra, para abrir ação penal contra o filho “zero três”. (Foto: Beto Barata/PL) O Supremo Tribunal Federal (STF) fechou o cerco contra a família Bolsonaro. A Primeira Turma vai julgar a partir do dia 7 o recurso apresentado por Jair. …
Com a oferta inicial de dez cursos, a previsão é de oferecer até 48 cursos de graduação e atender aproximadamente 2,8 mil estudantes indígenas nos primeiros quatro anos de implantação. (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil) “Isso faz parte da consolidação dos campus já existentes, mas também da criação dos 11 novos campus que o presidente Lula …
“Bombas” fiscais em série: como o governo foi novamente surpreendido pelo presidente do Senado e pretende reagir
Foram diversas reuniões entre senadores e a Fazenda, mas não houve acordo. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
O Senado ignorou apelos do governo Luiz Inácio Lula da Silva e avançou ontem com três propostas consideradas “pautas-bomba” pelo Executivo e com custo total estimado em R$ 215 bilhões. A de maior impacto é a renegociação de dívidas rurais, aprovada pelo plenário da Casa depois que senadores e equipe econômica não fecharam acordo em torno do tema.
Logo após a votação, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo avalia vetar ou acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) caso o projeto seja validado pela Câmara dos Deputados. Segundo ele, o impacto da proposta é de R$ 140 bilhões em dez anos, caso haja renegociação integral das dívidas. O número é menor que um valor de R$ 817 bilhões mencionado pela equipe econômica com base em uma versão anterior do texto, que foi modificado.
Durigan afirmou que a renegociação abrange um universo de R$ 200 bilhões em dívidas, dos quais 70% serão bancados pelo Tesouro em dez anos.
— (O impacto) Não é suportado pelas contas — disse.
O relator da proposta, senador Renan Calheiros (MDB-AL), no entanto, afirmou que o impacto será menor, da ordem de R$ 120 bilhões nos próximos dez anos. Segundo ele, o projeto se limita a dívidas atrasadas do setor, e não a todo o estoque.
Sem dinheiro para pagar
Durigan afirmou que uma renegociação mais ampla, que ultrapasse os limites, pode, inclusive, trazer prejuízo aos agricultores por meio de restrições de crédito, o que tem sido alertado, segundo ele, não só pelo Ministério da Fazenda, mas por uma série de outras associações do setor privado e instituições financeiras que operam muito com o setor do agro:
— Nosso objetivo é, sim, ajudar aqueles agricultores que mais precisam, que comprovem as perdas, que tenham problemas com as dívidas, e não fazer aí uma espécie de nova linha que atenda quem não precisa. Quem precisa está sendo atendido dentro do que o governo tinha construído. Quem não precisa é que vai onerar o restante da sociedade como um todo.
Foram diversas reuniões entre senadores e a Fazenda, mas não houve acordo. Durante a sessão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), relatou ter recebido telefonema de Durigan informando não ter conseguido fechar um entendimento sobre o tema.
— Eu fiz um compromisso público, aguardando há alguns meses para a deliberação deste assunto no Senado — disse.
O governo aposta ainda nas próximas fases da tramitação para mudar o projeto. A equipe econômica tenta limitar o acesso aos programas de renegociação a produtores efetivamente afetados por perdas climáticas ou crises econômicas. A intenção é evitar que o benefício seja utilizado de forma indiscriminada.
O ministro da Fazenda manteve conversas com três ministros do STF sobre os riscos em torno da renegociação de dívidas rurais e outras pautas com elevado impacto fiscal que estão avançando no Congresso. Além do decano, Gilmar Mendes, Durigan conversou com Cristiano Zanin e o próprio presidente do STF, Edson Fachin.
A prioridade da equipe econômica é frear o avanço dos temas no Congresso. Apesar das derrotas de hoje no Senado, há uma leitura de que é possível evitar o pior nas negociações com os parlamentares, mesmo com o clima deteriorado em razão das eleições, que estimula ímpetos mais populistas de deputados e senadores.
O principal argumento jurídico é que essas matérias estão sendo aprovadas sem estimativas de impacto fiscal e análises sobre se há espaço no Orçamento — mesmo no caso em que o custo é financeiro, isso precisa ser considerado na equação orçamentária. Com informações do portal O Globo.
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