Segundo a PF, Ciro é apontado como possível “destinatário central” de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas ao Master.
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Segundo a PF, Ciro é apontado como possível “destinatário central” de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas ao Master. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) decidiu trocar a equipe responsável por sua defesa no caso envolvendo o Banco Master quatro dias após ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal (PF). A saída da banca Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados foi comunicada nesta segunda-feira em nota assinada pelo criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, e demais integrantes do escritório. Quem assume a defesa é Conrado Gontijo.
“O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados vem comunicar que, em comum acordo com o senador Ciro Nogueira, não seguirá atuando para o parlamentar neste caso”, diz a nota.
Nos bastidores, interlocutores do senador afirmam que a mudança também foi influenciada por avaliações políticas sobre a condução da defesa. Pessoas próximas a Ciro relatam que ele vinha sendo aconselhado a substituir Kakay por considerar que o perfil do criminalista — historicamente próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e conhecido pela forte exposição pública — poderia gerar ruídos na estratégia do caso.
Segundo aliados, havia ainda receio de que a atuação de Kakay pudesse ser mal recebida no entorno do ministro André Mendonça, relator da investigação no STF e indicado à Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Interlocutores também mencionam preocupação com possíveis conflitos de interesse, já que Kakay atua na defesa de outros personagens ligados ao caso Master, além de representar o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
Paralelamente à troca de advogados, interlocutores de Ciro passaram a discutir cenários eleitorais para 2026. Segundo aliados, o senador vem sendo aconselhado por integrantes de seu entorno político a desistir de disputar a reeleição ao Senado e concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados, movimento que permitiria manter o foro privilegiado no STF em caso de eleição.
A avaliação entre pessoas próximas é que a permanência do caso no Supremo pode ser considerada mais previsível politicamente do que uma eventual remessa para instâncias inferiores no futuro. Em paralelo a isso, interlocutores afirmam que a repercussão das acusações fragilizou o senador, o que reduziria sua chance de ser reeleito.
A operação da PF produziu forte impacto político no entorno do senador. Ciro passou o dia da ação recluso em sua residência em Brasília, orientado por advogados a evitar deslocamentos públicos. Recebeu ligações de praticamente toda a bancada do PP na Câmara e no Senado, além de visitas de aliados próximos, entre eles o líder da legenda na Câmara, Doutor Luizinho.
Apesar da mobilização interna do partido, lideranças do Centrão passaram a adotar cautela pública diante da investigação, evitando associação direta ao senador em meio ao temor de novos desdobramentos do caso Master.
Na sexta-feira, Ciro reagiu publicamente pela primeira vez após a operação e afirmou haver uma tentativa de “manchar” sua honra pessoal. Em publicação nas redes sociais, associou a investigação a episódios anteriores que classificou como perseguições políticas e indicou que não pretende deixar a vida pública.
A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Master. Entre os elementos citados pela Polícia Federal está uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apelidada nos bastidores de “emenda Master”. Segundo a PF, mensagens apreendidas indicam que o texto teria sido elaborado dentro do banco e encaminhado ao senador.
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Senador Ciro Nogueira troca de advogado após ser alvo de operação da Polícia Federal
Segundo a PF, Ciro é apontado como possível “destinatário central” de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas ao Master.
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Segundo a PF, Ciro é apontado como possível “destinatário central” de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas ao Master. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) decidiu trocar a equipe responsável por sua defesa no caso envolvendo o Banco Master quatro dias após ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal (PF). A saída da banca Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados foi comunicada nesta segunda-feira em nota assinada pelo criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, e demais integrantes do escritório. Quem assume a defesa é Conrado Gontijo.
“O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados vem comunicar que, em comum acordo com o senador Ciro Nogueira, não seguirá atuando para o parlamentar neste caso”, diz a nota.
Nos bastidores, interlocutores do senador afirmam que a mudança também foi influenciada por avaliações políticas sobre a condução da defesa. Pessoas próximas a Ciro relatam que ele vinha sendo aconselhado a substituir Kakay por considerar que o perfil do criminalista — historicamente próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e conhecido pela forte exposição pública — poderia gerar ruídos na estratégia do caso.
Segundo aliados, havia ainda receio de que a atuação de Kakay pudesse ser mal recebida no entorno do ministro André Mendonça, relator da investigação no STF e indicado à Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Interlocutores também mencionam preocupação com possíveis conflitos de interesse, já que Kakay atua na defesa de outros personagens ligados ao caso Master, além de representar o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
Paralelamente à troca de advogados, interlocutores de Ciro passaram a discutir cenários eleitorais para 2026. Segundo aliados, o senador vem sendo aconselhado por integrantes de seu entorno político a desistir de disputar a reeleição ao Senado e concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados, movimento que permitiria manter o foro privilegiado no STF em caso de eleição.
A avaliação entre pessoas próximas é que a permanência do caso no Supremo pode ser considerada mais previsível politicamente do que uma eventual remessa para instâncias inferiores no futuro. Em paralelo a isso, interlocutores afirmam que a repercussão das acusações fragilizou o senador, o que reduziria sua chance de ser reeleito.
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Apesar da mobilização interna do partido, lideranças do Centrão passaram a adotar cautela pública diante da investigação, evitando associação direta ao senador em meio ao temor de novos desdobramentos do caso Master.
Na sexta-feira, Ciro reagiu publicamente pela primeira vez após a operação e afirmou haver uma tentativa de “manchar” sua honra pessoal. Em publicação nas redes sociais, associou a investigação a episódios anteriores que classificou como perseguições políticas e indicou que não pretende deixar a vida pública.
A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Master. Entre os elementos citados pela Polícia Federal está uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apelidada nos bastidores de “emenda Master”. Segundo a PF, mensagens apreendidas indicam que o texto teria sido elaborado dentro do banco e encaminhado ao senador.
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