Os idealizadores dos “candidatos influencers” classificam a iniciativa como um movimento de renovação do PT. (Foto: Freepik)
“Agora tem uma profissão chamada influencer. Um cara que trabalha na internet e tem 3 milhões de seguidores. Não conheço ninguém que ensina uma coisa séria que tem 4 milhões, mas, se fala bobagem, pode ter até 20 milhões”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro deste ano. Em abril, diante da rejeição crescente a sua candidatura à reeleição, o PT cedeu aos tais ‘influencers’ e prepara 37 nomes ligada ao partido e com presença digital para disputar cargos de deputados estadual e federal nas eleições deste ano.
A iniciativa surgiu de baixo para cima, capitaneada pelo segmento jovem da legenda. Segundo o Estadão, o movimento conta atualmente com 13 pré-candidatos anunciados, quatro confirmados em vias de divulgação e outros 20 em fase de negociação. A lista inclui nomes que oscilam entre 100 mil e 800 mil seguidores nas redes sociais.
Um dos mais famosos é Thiago Reis, produtor de conteúdo com mais de 1 bilhão de views no YouTube, que, conforme o Estadão, mistura fake news com informações descontextualizadas para reter o seu público.
Os idealizadores dos “candidatos influencers” classificam a iniciativa como um movimento de renovação do PT. Um dos responsáveis pela articulação política das pré-candidaturas é o professor e pesquisador Vinicios Betiol, que também se classifica como influenciador e pretende disputar uma cadeira de deputado estadual na Assembleia do Rio de Janeiro.
No dia 15 de abril, ele fez uma publicação no X para anunciar os 13 pré-candidatos já confirmados: “O PT lançará um grande projeto de pré-candidaturas de seus principais influenciadores. É a nova geração do partido!”, escreveu.
Em conversa com a reportagem, Betiol minimizou a crítica de Lula aos influenciadores digitais como propagadores de “bobagens e” defendeu a iniciativa como uma tentativa dos quadros mais jovens do PT de renovar o partido no Congresso. Isso a despeito de eventuais resistências de nomes das gerações passadas que, segundo ele, “não compreendem” a importância das redes sociais.
O grupo que articula a investida eleitoral projeta candidaturas em todos os Estados. Nas eleições municipais de 2024, a iniciativa teve uma primeira experiência com nomes como Pedro Rousseff e Kari Santos, que foram eleitos vereadores.
Militâncias
O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que o partido “incorporou que não há divórcio entre a militância de rua e a das redes”. Ele afirma que a Secretaria e o presidente da sigla, Edinho Silva, “tem mantido diálogo constante com os comunicadores populares e influenciadores digitais sobre militância virtual e a necessidade de mobilização”.
“A dimensão da nossa vida ‘real’ se funde e confunde com a vida digital. O celular virou praticamente uma extensão dos nossos corpos e as telas, as diferentes telas, arenas importantes de disputa de valores e princípios. Portanto, termos candidaturas fortes que compreenda essa nova dinâmica da comunicação pode abrir sim perspectiva de crescimento para o partido”, afirmou.
Dentre os nomes anunciados há até parlamentares eleitos, mas que se notabilizam pela forte presença nas redes e tentarão outros cargos neste ano. Um deles é o vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff, que conta com 170 mil seguidores no X e 799 mil no Instagram. Ele deve concorrer a deputado federal neste ano. Um exemplo semelhante é Leonel Radde, deputado estadual no Rio Grande do Sul com 610 mil seguidores no Instagram. Ele também deve buscar uma cadeira na Câmara.
Há também figuras exclusivamente digitais, que se notabilizam apenas como influenciadores. É o caso de Thiago Foltran, detentor de 639 mil seguidores no Instagram e 1,6 mil no X, que pretende concorrer a deputado estadual no Paraná. Ele foi um dos influencers que recebeu cachês do governo federal para divulgar políticas públicas.
Foram R$ 15 mil pagos pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência para que ele publicasse quatro vídeos sobre ações do governo federal. Foltran foi o único do grupo de pré-candidatos influencers a receber repasses do Palácio do Planalto.
Apesar das críticas de Lula aos influenciadores, a Secom gastou R$ 1,1 milhão com 77 deles em 2025 para que promovessem nas redes sociais os programas do governo nas redes. Os cachês foram, em média, de R$ 21 mil para que os influencers publicassem de um a quatro vídeos. Nomes como Milton Cunha e o comediante Matheus Buente, porém, receberam, respectivamente, R$ 310 mil e R$ 124 mil para produzir um vídeo cada.
Prioridade
A ampliação do foco na comunicação digital tem sido uma das prioridades do PT recentemente após anos de reveses nesse flanco para o bolsonarismo.
Em julho do ano passado, o partido reuniu 270 influenciadores num encontro digital para incentivá-los a dar gás à “campanha taxação BBB” (bilionários, bancos e bets). A iniciativa foi intitulada de projeto “Pode Espalhar” e foi instituída em parceria com a Fundação Perseu Abramo. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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Eleições 2026: após desdém de Lula, PT investe em “influencers” nas eleições legislativas
Os idealizadores dos “candidatos influencers” classificam a iniciativa como um movimento de renovação do PT. (Foto: Freepik)
“Agora tem uma profissão chamada influencer. Um cara que trabalha na internet e tem 3 milhões de seguidores. Não conheço ninguém que ensina uma coisa séria que tem 4 milhões, mas, se fala bobagem, pode ter até 20 milhões”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro deste ano. Em abril, diante da rejeição crescente a sua candidatura à reeleição, o PT cedeu aos tais ‘influencers’ e prepara 37 nomes ligada ao partido e com presença digital para disputar cargos de deputados estadual e federal nas eleições deste ano.
A iniciativa surgiu de baixo para cima, capitaneada pelo segmento jovem da legenda. Segundo o Estadão, o movimento conta atualmente com 13 pré-candidatos anunciados, quatro confirmados em vias de divulgação e outros 20 em fase de negociação. A lista inclui nomes que oscilam entre 100 mil e 800 mil seguidores nas redes sociais.
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Os idealizadores dos “candidatos influencers” classificam a iniciativa como um movimento de renovação do PT. Um dos responsáveis pela articulação política das pré-candidaturas é o professor e pesquisador Vinicios Betiol, que também se classifica como influenciador e pretende disputar uma cadeira de deputado estadual na Assembleia do Rio de Janeiro.
No dia 15 de abril, ele fez uma publicação no X para anunciar os 13 pré-candidatos já confirmados: “O PT lançará um grande projeto de pré-candidaturas de seus principais influenciadores. É a nova geração do partido!”, escreveu.
Em conversa com a reportagem, Betiol minimizou a crítica de Lula aos influenciadores digitais como propagadores de “bobagens e” defendeu a iniciativa como uma tentativa dos quadros mais jovens do PT de renovar o partido no Congresso. Isso a despeito de eventuais resistências de nomes das gerações passadas que, segundo ele, “não compreendem” a importância das redes sociais.
O grupo que articula a investida eleitoral projeta candidaturas em todos os Estados. Nas eleições municipais de 2024, a iniciativa teve uma primeira experiência com nomes como Pedro Rousseff e Kari Santos, que foram eleitos vereadores.
Militâncias
O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que o partido “incorporou que não há divórcio entre a militância de rua e a das redes”. Ele afirma que a Secretaria e o presidente da sigla, Edinho Silva, “tem mantido diálogo constante com os comunicadores populares e influenciadores digitais sobre militância virtual e a necessidade de mobilização”.
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Dentre os nomes anunciados há até parlamentares eleitos, mas que se notabilizam pela forte presença nas redes e tentarão outros cargos neste ano. Um deles é o vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff, que conta com 170 mil seguidores no X e 799 mil no Instagram. Ele deve concorrer a deputado federal neste ano. Um exemplo semelhante é Leonel Radde, deputado estadual no Rio Grande do Sul com 610 mil seguidores no Instagram. Ele também deve buscar uma cadeira na Câmara.
Há também figuras exclusivamente digitais, que se notabilizam apenas como influenciadores. É o caso de Thiago Foltran, detentor de 639 mil seguidores no Instagram e 1,6 mil no X, que pretende concorrer a deputado estadual no Paraná. Ele foi um dos influencers que recebeu cachês do governo federal para divulgar políticas públicas.
Foram R$ 15 mil pagos pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência para que ele publicasse quatro vídeos sobre ações do governo federal. Foltran foi o único do grupo de pré-candidatos influencers a receber repasses do Palácio do Planalto.
Apesar das críticas de Lula aos influenciadores, a Secom gastou R$ 1,1 milhão com 77 deles em 2025 para que promovessem nas redes sociais os programas do governo nas redes. Os cachês foram, em média, de R$ 21 mil para que os influencers publicassem de um a quatro vídeos. Nomes como Milton Cunha e o comediante Matheus Buente, porém, receberam, respectivamente, R$ 310 mil e R$ 124 mil para produzir um vídeo cada.
Prioridade
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