Montante supera 20 Estados brasileiros. (Foto: Reprodução)
O volume de recursos do Orçamento da União de 2026 sob influência direta do Congresso Nacional chegou a R$ 61 bilhões durante a tramitação da proposta no Legislativo, montante superior ao orçamento anual previsto de 20 Estados brasileiros. Lula sancionou a Lei Orçamentária Anual em 14 de janeiro, com veto a uma parte menor das dotações alteradas pelo Congresso para ampliar o espaço das emendas parlamentares. À época, o governo também anunciou o bloqueio e o remanejamento de recursos que haviam sido incorporados ao cálculo durante a tramitação do texto.
Formalmente, o Orçamento aprovado prevê R$ 49,9 bilhões em emendas. Parlamentares, porém, haviam incluído no cálculo outros R$ 11,393 bilhões em despesas discricionárias, recursos originalmente sob controle do Executivo, elevando a reserva sob influência de deputados e senadores para cerca de R$ 61 bilhões. O Planalto vetou em janeiro R$ 393 milhões dessas dotações e informou que pretendia bloquear e redistribuir o adicional incorporado.
Os R$ 61 bilhões reservados pelos parlamentares são quase equivalentes ao orçamento total do estado de Pernambuco, que tem despesas previstas de R$ 60,7 bilhões para 2026. A população do estado é de 9 milhões de habitantes.
Em seguida aparecem Santa Catarina (R$ 57,93 bilhões), Pará (R$ 54,2 bilhões), Goiás (R$ 53,4 bilhões), Ceará (R$ 48,2 bilhões) e Mato Grosso (R$ 40,7 bilhões). Os orçamentos estaduais incluem todas as despesas de atribuição, nos três Poderes. Diferentemente das emendas, que financiam ações pontuais e de execução fragmentada, sustentam despesas permanentes, como folha de pagamento, previdência, manutenção das Polícias Militares e escolas estaduais.
A comparação aponta que esses governos administram compromissos contínuos com volumes inferiores ao montante hoje concentrado sob influência parlamentar no Orçamento federal. O contraste entre o volume de emendas e os orçamentos locais é ainda mais acentuado em estados com menor capacidade fiscal. Roraima terá orçamento de R$ 9,92 bilhões em 2026, enquanto Amapá (R$ 12,42 bilhões) e Acre (R$ 13,8 bilhões) também ficam muito abaixo do valor concentrado nas emendas. Tocantins e Sergipe integram o grupo, ao lado de Amazonas, Maranhão, Piauí, Espírito Santo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Mato Grosso do Sul.
O avanço das emendas ao longo da última década está associado a uma mudança no equilíbrio de forças entre Executivo e Congresso. O processo ganhou força no período do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), foi aprofundado com a ampliação das emendas impositivas e se consolidou como instrumento central de negociação política, especialmente em momentos de fragilidade do governo.
Para o economista e professor do Insper Marcos Mendes, que é colunista da Folha, a escalada das emendas reflete conflitos recorrentes entre os Poderes. “Houve um desequilíbrio no jogo de forças em momentos em que o Executivo não teve habilidade para negociar com o Congresso. Isso ocorreu nos governos Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro. A resposta do Congresso foi alterar a Constituição para se apropriar de parte do Orçamento”, afirma.
Segundo Mendes, embora a comparação com os orçamentos estaduais ajude a dimensionar o fenômeno, o impacto mais relevante aparece dentro do próprio Orçamento federal. “As emendas representam cerca de 25% das despesas discricionárias da União [aquelas de livre uso dos governantes]. É um percentual absurdamente alto. Em outros países, quando existem emendas, elas não passam de 1%”, diz. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)
O episódio deixa o presidente bem posicionado junto ao setor produtivo brasileiro, afetado pelo tarifaço. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu, em poucos meses, reverter o mal-estar com o governo dos Estados Unidos e se reuniu com o presidente Donald Trump neste domingo (26/10), na Malásia, onde ambos participam …
Condenado a 24 anos, Torres foi o único a começar a cumprir pena no complexo da Papuda. (Foto: Joedson Alves/Agência Brasil) O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nessa quinta-feira (27) informações adicionais e um vídeo sobre a sala de Estado-Maior onde o ex-ministro Anderson Torres, condenado no núcleo crucial da trama golpista, começou a cumprir …
Ministro acusou Lava Jato da mesma prática alegada pela defesa dos réus da trama golpista. (Foto: Foto: Victor Piemonte/STF) O ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), refutou nessa quinta-feira (11), um argumento das defesas dos réus sobre a trama golpista do qual costumava lançar mão quando ele mesmo era …
Fachin afirmou que a “imensa maioria do Poder Judiciário brasileiro, 18 mil juízes”, podem “enfrentar esta ordem de ideias”. (Foto: Gustavo Moreno/STF) O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, admitiu que o Judiciário brasileiro passa por uma “crise que precisa ser enfrentada”, em meio a citações de envolvimento de ministros da Corte com …
Verbas federais destinadas a membros do Congresso supera o orçamento da maioria dos Estados
Montante supera 20 Estados brasileiros
Foto: Reprodução
Montante supera 20 Estados brasileiros. (Foto: Reprodução)
O volume de recursos do Orçamento da União de 2026 sob influência direta do Congresso Nacional chegou a R$ 61 bilhões durante a tramitação da proposta no Legislativo, montante superior ao orçamento anual previsto de 20 Estados brasileiros. Lula sancionou a Lei Orçamentária Anual em 14 de janeiro, com veto a uma parte menor das dotações alteradas pelo Congresso para ampliar o espaço das emendas parlamentares. À época, o governo também anunciou o bloqueio e o remanejamento de recursos que haviam sido incorporados ao cálculo durante a tramitação do texto.
Formalmente, o Orçamento aprovado prevê R$ 49,9 bilhões em emendas. Parlamentares, porém, haviam incluído no cálculo outros R$ 11,393 bilhões em despesas discricionárias, recursos originalmente sob controle do Executivo, elevando a reserva sob influência de deputados e senadores para cerca de R$ 61 bilhões. O Planalto vetou em janeiro R$ 393 milhões dessas dotações e informou que pretendia bloquear e redistribuir o adicional incorporado.
Os R$ 61 bilhões reservados pelos parlamentares são quase equivalentes ao orçamento total do estado de Pernambuco, que tem despesas previstas de R$ 60,7 bilhões para 2026. A população do estado é de 9 milhões de habitantes.
Em seguida aparecem Santa Catarina (R$ 57,93 bilhões), Pará (R$ 54,2 bilhões), Goiás (R$ 53,4 bilhões), Ceará (R$ 48,2 bilhões) e Mato Grosso (R$ 40,7 bilhões). Os orçamentos estaduais incluem todas as despesas de atribuição, nos três Poderes. Diferentemente das emendas, que financiam ações pontuais e de execução fragmentada, sustentam despesas permanentes, como folha de pagamento, previdência, manutenção das Polícias Militares e escolas estaduais.
A comparação aponta que esses governos administram compromissos contínuos com volumes inferiores ao montante hoje concentrado sob influência parlamentar no Orçamento federal. O contraste entre o volume de emendas e os orçamentos locais é ainda mais acentuado em estados com menor capacidade fiscal. Roraima terá orçamento de R$ 9,92 bilhões em 2026, enquanto Amapá (R$ 12,42 bilhões) e Acre (R$ 13,8 bilhões) também ficam muito abaixo do valor concentrado nas emendas. Tocantins e Sergipe integram o grupo, ao lado de Amazonas, Maranhão, Piauí, Espírito Santo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Mato Grosso do Sul.
O avanço das emendas ao longo da última década está associado a uma mudança no equilíbrio de forças entre Executivo e Congresso. O processo ganhou força no período do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), foi aprofundado com a ampliação das emendas impositivas e se consolidou como instrumento central de negociação política, especialmente em momentos de fragilidade do governo.
Para o economista e professor do Insper Marcos Mendes, que é colunista da Folha, a escalada das emendas reflete conflitos recorrentes entre os Poderes. “Houve um desequilíbrio no jogo de forças em momentos em que o Executivo não teve habilidade para negociar com o Congresso. Isso ocorreu nos governos Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro. A resposta do Congresso foi alterar a Constituição para se apropriar de parte do Orçamento”, afirma.
Segundo Mendes, embora a comparação com os orçamentos estaduais ajude a dimensionar o fenômeno, o impacto mais relevante aparece dentro do próprio Orçamento federal. “As emendas representam cerca de 25% das despesas discricionárias da União [aquelas de livre uso dos governantes]. É um percentual absurdamente alto. Em outros países, quando existem emendas, elas não passam de 1%”, diz. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)
Related Posts
Reunião com Trump foi “tremenda vitória” de Lula e “terá impacto significativo na eleição”, diz cientista político
O episódio deixa o presidente bem posicionado junto ao setor produtivo brasileiro, afetado pelo tarifaço. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu, em poucos meses, reverter o mal-estar com o governo dos Estados Unidos e se reuniu com o presidente Donald Trump neste domingo (26/10), na Malásia, onde ambos participam …
Maior que a de Bolsonaro, sala do ex-ministro da Justiça Anderson Torres na Papudinha tem 54 metros quadrados e área externa
Condenado a 24 anos, Torres foi o único a começar a cumprir pena no complexo da Papuda. (Foto: Joedson Alves/Agência Brasil) O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nessa quinta-feira (27) informações adicionais e um vídeo sobre a sala de Estado-Maior onde o ex-ministro Anderson Torres, condenado no núcleo crucial da trama golpista, começou a cumprir …
Ministro do Supremo Cristiano Zanin refuta tese que costumava evocar quando era advogado de Lula
Ministro acusou Lava Jato da mesma prática alegada pela defesa dos réus da trama golpista. (Foto: Foto: Victor Piemonte/STF) O ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), refutou nessa quinta-feira (11), um argumento das defesas dos réus sobre a trama golpista do qual costumava lançar mão quando ele mesmo era …
“Estamos imersos em uma crise em relação à atuação do Judiciário, que precisa ser enfrentada”, diz presidente do Supremo
Fachin afirmou que a “imensa maioria do Poder Judiciário brasileiro, 18 mil juízes”, podem “enfrentar esta ordem de ideias”. (Foto: Gustavo Moreno/STF) O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, admitiu que o Judiciário brasileiro passa por uma “crise que precisa ser enfrentada”, em meio a citações de envolvimento de ministros da Corte com …