Mendonça se tornou poderoso ao herdar investigações de Toffoli. (Foto: Gustavo Moreno/STF)
Se o ministro Alexandre de Moraes se tornou temido após conduzir inquéritos controversos que atingiram principalmente o campo bolsonarista, Mendonça tem em suas mãos investigações que podem alcançar lideranças de diferentes espectros políticos – e até mesmo alguns de seus pares no STF, como o próprio Moraes e Dias Toffoli, devido à supostas ligações desses ministros com o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro.
“Ele tem todas as armas na mão, resta saber se vai querer usá-las”, disse o deputado Kim Kataguiri, ao ser questionado pela BBC News Brasil se Mendonça já pode ser considerado mais poderoso que seu colega.
Daniel Vorcaro, dono do Master, foi preso preventivamente na quarta-feira (4), por ordem de Mendonça, três semanas após o ministro ser sorteado para assumir o inquérito, após Toffoli se afastar do caso.
Em Brasília, especula-se que uma prisão prolongada poderia levar o banqueiro a fechar um acordo de delação premiada.
Há expectativa de que a atuação de Mendonça possa melhorar o forte desgaste causado na imagem do Supremo devido às supostas conexões de Toffoli e Moraes. Por outro lado, há temores do abalo que a Corte pode sofrer com novas revelações envolvendo ministros.
Toffoli, primeiro relator do inquérito do Banco Master, foi constrangido a deixar o caso em reunião conduzida por Fachin com todos os ministros do STF, após ser revelado que um fundo ligado ao Master comprou parte de um resort no Paraná que pertencia a uma empresa de Toffoli e dois irmãos do ministro.
Já Moraes virou alvo de críticas após sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moares, ter mantido um contrato de R$ 129 milhões com Master. Agora, novas informações vazadas da investigação ampliaram os indícios de conexão entre Moraes e Vorcaro.
Amostras do potencial danoso de uma eventual delação premiada do banqueiro foram reveladas a partir da noite de quarta, após parte do conteúdo aprendido no celular de Vorcaro ser divulgado a jornalistas.
Segundo o jornal O Globo, Vorcaro trocou mensagens com Moraes no dia de sua primeira prisão, em 17 de novembro.
Na conversa, ele parece fazer referência à tentativa que estava em curso de vender o Banco Master para o grupo Fictor. A operação não se concretizou, já que o Banco Central decidiu liquidar o banco no mesmo dia em que Vorcaro foi preso.
Em uma das mensagens, ele teria dito, segundo O Globo: “Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação”.
Após outra troca de mensagens com Moraes, Vorcaro teria dito também: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
De acordo com o jornal, as mensagens eram trocadas de forma a evitar que ficassem registradas: Vorcaro escrevia os textos no bloco de notas do celular, tirava um print, e mandava como imagem de visualização única para Moraes.
A PF, porém, conseguiu recuperar esses prints de Vorcaro e associou os horários em que os prints foram feitos com a hora das mensagens de visualização única enviadas ao ministro.
Não é possível saber as respostas de Moraes porque também foram enviadas com visualização única, e aparecem apagadas no celular aprendido de Vorcaro. O ministro negou ter se comunicado com o banqueiro.
Antes do material chegar à CPMI, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), chegou a dizer que a PF enviaria apenas o conteúdo que tivesse relação com as investigações sobre o INSS.
No entanto, a CPMI recebeu conversas mais amplas, que acabaram vazadas. Esse material mostra o banqueiro relatando encontros com Moraes em trocas de mensagens com sua namorada, Martha Graeff.
Essas conversas também mostram a proximidade de Vorcaro com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). (Com informações da BBC Brasil)
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Alexandre de Moraes no alvo e André Mendonça em ascensão: veja se o novo relator do caso Master se tornou o ministro mais poderoso do Supremo
Mendonça se tornou poderoso ao herdar investigações de Toffoli. (Foto: Gustavo Moreno/STF)
Se o ministro Alexandre de Moraes se tornou temido após conduzir inquéritos controversos que atingiram principalmente o campo bolsonarista, Mendonça tem em suas mãos investigações que podem alcançar lideranças de diferentes espectros políticos – e até mesmo alguns de seus pares no STF, como o próprio Moraes e Dias Toffoli, devido à supostas ligações desses ministros com o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro.
“Ele tem todas as armas na mão, resta saber se vai querer usá-las”, disse o deputado Kim Kataguiri, ao ser questionado pela BBC News Brasil se Mendonça já pode ser considerado mais poderoso que seu colega.
Daniel Vorcaro, dono do Master, foi preso preventivamente na quarta-feira (4), por ordem de Mendonça, três semanas após o ministro ser sorteado para assumir o inquérito, após Toffoli se afastar do caso.
Em Brasília, especula-se que uma prisão prolongada poderia levar o banqueiro a fechar um acordo de delação premiada.
Há expectativa de que a atuação de Mendonça possa melhorar o forte desgaste causado na imagem do Supremo devido às supostas conexões de Toffoli e Moraes. Por outro lado, há temores do abalo que a Corte pode sofrer com novas revelações envolvendo ministros.
Toffoli, primeiro relator do inquérito do Banco Master, foi constrangido a deixar o caso em reunião conduzida por Fachin com todos os ministros do STF, após ser revelado que um fundo ligado ao Master comprou parte de um resort no Paraná que pertencia a uma empresa de Toffoli e dois irmãos do ministro.
Já Moraes virou alvo de críticas após sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moares, ter mantido um contrato de R$ 129 milhões com Master. Agora, novas informações vazadas da investigação ampliaram os indícios de conexão entre Moraes e Vorcaro.
Amostras do potencial danoso de uma eventual delação premiada do banqueiro foram reveladas a partir da noite de quarta, após parte do conteúdo aprendido no celular de Vorcaro ser divulgado a jornalistas.
Segundo o jornal O Globo, Vorcaro trocou mensagens com Moraes no dia de sua primeira prisão, em 17 de novembro.
Na conversa, ele parece fazer referência à tentativa que estava em curso de vender o Banco Master para o grupo Fictor. A operação não se concretizou, já que o Banco Central decidiu liquidar o banco no mesmo dia em que Vorcaro foi preso.
Em uma das mensagens, ele teria dito, segundo O Globo: “Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação”.
Após outra troca de mensagens com Moraes, Vorcaro teria dito também: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
De acordo com o jornal, as mensagens eram trocadas de forma a evitar que ficassem registradas: Vorcaro escrevia os textos no bloco de notas do celular, tirava um print, e mandava como imagem de visualização única para Moraes.
A PF, porém, conseguiu recuperar esses prints de Vorcaro e associou os horários em que os prints foram feitos com a hora das mensagens de visualização única enviadas ao ministro.
Não é possível saber as respostas de Moraes porque também foram enviadas com visualização única, e aparecem apagadas no celular aprendido de Vorcaro. O ministro negou ter se comunicado com o banqueiro.
Antes do material chegar à CPMI, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), chegou a dizer que a PF enviaria apenas o conteúdo que tivesse relação com as investigações sobre o INSS.
No entanto, a CPMI recebeu conversas mais amplas, que acabaram vazadas. Esse material mostra o banqueiro relatando encontros com Moraes em trocas de mensagens com sua namorada, Martha Graeff.
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