O principal efeito concreto dessa força precoce de Flávio está em sua capacidade de influenciar as alianças e os palanques regionais. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
O mercado vinha especulando, desde o carnaval, sobre uma subida de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Ela foi confirmada nesta semana pela AtlasIntel e pela Paraná Pesquisas, com empate técnico no segundo turno contra Lula. Os institutos que estão em campo neste momento devem mostrar a mesma tendência nas próximas divulgações.
É preciso ter bastante calma ao analisar esses números. Daqui até outubro, serão centenas de pesquisas, e é muito imprudente reagir a cada uma delas isoladamente. É preciso considerar a média dos institutos, filtrar o viés de cada pesquisa, e comparar os resultados com as expectativas anteriores.
O crescimento de Flávio surpreende um pouco pela velocidade, mas não pela intensidade. A exposição do seu nome como herdeiro de Jair Bolsonaro deveria, de fato, alçá-lo ao status de principal oponente de Lula. Chegar a um empate técnico ou mesmo ultrapassá-lo em algumas pesquisas – como é provável que aconteça – seria de se esperar ao longo do ano, dados os níveis de aprovação e rejeição ao governo em um país profundamente dividido.
A surpresa é Flávio ter chegado lá ainda em fevereiro. Isso pode ser lido como um sinal de apatia do governo ou como uma demonstração de competência da sua pré-campanha em renovar sua imagem como um líder mais jovem e moderado do que o pai.
O quadro geral da eleição, porém, permanece inalterado. A taxa de aprovação de Lula caiu alguns pontos nos últimos meses, mas está em 45%, patamar ainda suficiente para mantê-lo como ligeiro favorito à reeleição. Esse índice deve subir até a eleição, considerando o cenário econômico favorável e o acúmulo de programas do governo para aumentar a renda e, possivelmente, reduzir a jornada de trabalho. Daqui até outubro, Flávio e Lula tendem a oscilar e trocar de posição algumas vezes, mas, neste momento, a tendência é que Lula fique à frente na maior parte do tempo e acabe vencendo.
O principal efeito concreto dessa força precoce de Flávio está em sua capacidade de influenciar as alianças e os palanques regionais. Isso já ficou evidente no Rio de Janeiro, com a escolha de Douglas Ruas como pré-candidato ao governo, e deve se repetir em outros estados. Minas Gerais é uma história interessante para se acompanhar, dada a indefinição de ambos os lados – esquerda e direita – quanto às candidaturas.
Os partidos de centro-direita ainda terão condições de bancar suas principais lideranças locais onde são mais fortes. Porém, elas estão agora mais vulneráveis às preferências da família Bolsonaro e do PL. Isso, por sua vez, pode levar a uma maior polarização PT-PL nas disputas estaduais, inclusive no Congresso. Isso poderá ficar mais claro após a janela partidária e as convenções no meio do ano, com a definição das listas de candidatos.
Por fim, outra tendência a monitorar, por ora distante, é a possibilidade de a eleição se encerrar ainda no primeiro turno. A terceira via segue com chances, dado o cansaço do eleitorado com a polarização PT-Bolsonaro, mas a consolidação de Flávio aumenta a dificuldade para que um nome novo fure essa bolha quando a campanha começar. Há a chance de os próprios eleitores anteciparem a dinâmica do segundo turno no primeiro, concentrando seus votos nos dois candidatos considerados viáveis. Isso terá mais chances de ocorrer se Romeu Zema abrir mão da candidatura e aderir a Flávio ou ao candidato do PSD como vice. (Por Silvio Cascione, coluna de opinião do Estadão)
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Força de Flávio como pré-candidato influencia palanques, mas não garante vitória
O principal efeito concreto dessa força precoce de Flávio está em sua capacidade de influenciar as alianças e os palanques regionais. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
O mercado vinha especulando, desde o carnaval, sobre uma subida de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Ela foi confirmada nesta semana pela AtlasIntel e pela Paraná Pesquisas, com empate técnico no segundo turno contra Lula. Os institutos que estão em campo neste momento devem mostrar a mesma tendência nas próximas divulgações.
É preciso ter bastante calma ao analisar esses números. Daqui até outubro, serão centenas de pesquisas, e é muito imprudente reagir a cada uma delas isoladamente. É preciso considerar a média dos institutos, filtrar o viés de cada pesquisa, e comparar os resultados com as expectativas anteriores.
O crescimento de Flávio surpreende um pouco pela velocidade, mas não pela intensidade. A exposição do seu nome como herdeiro de Jair Bolsonaro deveria, de fato, alçá-lo ao status de principal oponente de Lula. Chegar a um empate técnico ou mesmo ultrapassá-lo em algumas pesquisas – como é provável que aconteça – seria de se esperar ao longo do ano, dados os níveis de aprovação e rejeição ao governo em um país profundamente dividido.
A surpresa é Flávio ter chegado lá ainda em fevereiro. Isso pode ser lido como um sinal de apatia do governo ou como uma demonstração de competência da sua pré-campanha em renovar sua imagem como um líder mais jovem e moderado do que o pai.
O quadro geral da eleição, porém, permanece inalterado. A taxa de aprovação de Lula caiu alguns pontos nos últimos meses, mas está em 45%, patamar ainda suficiente para mantê-lo como ligeiro favorito à reeleição. Esse índice deve subir até a eleição, considerando o cenário econômico favorável e o acúmulo de programas do governo para aumentar a renda e, possivelmente, reduzir a jornada de trabalho. Daqui até outubro, Flávio e Lula tendem a oscilar e trocar de posição algumas vezes, mas, neste momento, a tendência é que Lula fique à frente na maior parte do tempo e acabe vencendo.
O principal efeito concreto dessa força precoce de Flávio está em sua capacidade de influenciar as alianças e os palanques regionais. Isso já ficou evidente no Rio de Janeiro, com a escolha de Douglas Ruas como pré-candidato ao governo, e deve se repetir em outros estados. Minas Gerais é uma história interessante para se acompanhar, dada a indefinição de ambos os lados – esquerda e direita – quanto às candidaturas.
Os partidos de centro-direita ainda terão condições de bancar suas principais lideranças locais onde são mais fortes. Porém, elas estão agora mais vulneráveis às preferências da família Bolsonaro e do PL. Isso, por sua vez, pode levar a uma maior polarização PT-PL nas disputas estaduais, inclusive no Congresso. Isso poderá ficar mais claro após a janela partidária e as convenções no meio do ano, com a definição das listas de candidatos.
Por fim, outra tendência a monitorar, por ora distante, é a possibilidade de a eleição se encerrar ainda no primeiro turno. A terceira via segue com chances, dado o cansaço do eleitorado com a polarização PT-Bolsonaro, mas a consolidação de Flávio aumenta a dificuldade para que um nome novo fure essa bolha quando a campanha começar. Há a chance de os próprios eleitores anteciparem a dinâmica do segundo turno no primeiro, concentrando seus votos nos dois candidatos considerados viáveis. Isso terá mais chances de ocorrer se Romeu Zema abrir mão da candidatura e aderir a Flávio ou ao candidato do PSD como vice. (Por Silvio Cascione, coluna de opinião do Estadão)
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