Declaração de Haddad faz referência à aprovação pelo governo Jair Bolsonaro da PEC dos Precatórios
Foto: Diogo Zacarias/MF
Declaração de Haddad faz referência à aprovação pelo governo Jair Bolsonaro da PEC dos Precatórios. (Foto: Diogo Zacarias/MF)
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (24) que considera “ilegal e irracional” a decisão de adiar o pagamento de dívidas judiciais do poder público, conhecidas como precatórios.
“Prefiro ficar com a pecha de ter gastado mais do que ficar com a pecha de caloteiro”, disse durante o Seminário de Precatórios do Iasp (Instituto dos Advogados de São Paulo).
Sem mencionar diretamente seu antecessor, Paulo Guedes, a declaração faz referência à aprovação pelo governo Jair Bolsonaro da PEC dos Precatórios, que em 2021 adiou o pagamento de dívidas judiciais da União para 2027, de modo a abrir espaço para outras despesas.
“Essa emenda recém-promulgada, quero dizer que a única participação da Fazenda foi pedir para não mexer nos precatórios federais. Ou seja, nós repudiamos o calote que foi dado no governo anterior e não queremos seguir esse caminho”, disse o ministro no evento.
“A União ficou de fora e não quer participar desse tipo de coisa, até porque ela tem a capacidade de financiamento que os entes federados não têm”, afirmou Haddad.
A fala de Haddad ocorre também no momento em que o governo é beneficiado por outra emenda constitucional recém-promulgada, que muda as regras para o pagamento dos precatórios e abre espaço para um gasto extra de R$ 12,4 bilhões em 2026, ano das eleições.
A medida, no entanto, é alvo de críticas de entidades jurídicas e de credores. A OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo) ingressou com uma ação de inconstitucionalidade no STF (Supremo Tribunal Federal), afirmando que as novas regras representam uma nova moratória e comprometem a capacidade dos governos de honrar seus compromissos.
Segundo a entidade, o texto pode atrasar o pagamento até mesmo de quem aceitar acordos com deságio, ou seja, abrir mão de parte do valor a receber. Antes da mudança, o desconto máximo permitido era de 40%. Agora, não há mais limite, o que abre espaço para propostas de pagamento por valores simbólicos.
Outra mudança relevante está na correção monetária. Os valores, antes atualizados pela taxa Selic, passam a ser corrigidos pelo IPCA (inflação oficial) mais 2% de juros anuais. De acordo com simulações da Comissão Especial de Precatórios da OAB-SP, a alteração pode representar perda de até 30% no poder de compra dos créditos.
A OAB também destaca que 80% dos credores são alimentares, ou seja, idosos, pessoas com deficiência e pensionistas de baixa renda, e pede ao Supremo que suspenda os novos critérios de correção ou revise os prazos de pagamento.
A CNM (Confederação Nacional dos Municípios) defende a emenda, afirmando que a proposta ajuda a equacionar uma bomba fiscal enfrentada por estados e prefeituras. Um estudo do Fórum Nacional de Precatórios do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) mostra que, antes da mudança, 95% dos estados e municípios ficariam quites com seus precatórios até 2029.
Para a OAB, porém, as alterações tendem a ampliar o passivo ao permitir correções inferiores à própria inflação e à entrada contínua de novas dívidas judiciais.
Com o novo modelo, o governo federal retira as despesas de precatórios do teto de gastos, o que melhora a folga orçamentária em ano eleitoral, mas reacende o debate sobre o risco de calote institucionalizado — o mesmo que Haddad, em sua fala, tentou afastar.
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Ministro da Fazenda diz que prefere ser criticado por gastar a ser chamado de “caloteiro”
Declaração de Haddad faz referência à aprovação pelo governo Jair Bolsonaro da PEC dos Precatórios
Foto: Diogo Zacarias/MF
Declaração de Haddad faz referência à aprovação pelo governo Jair Bolsonaro da PEC dos Precatórios. (Foto: Diogo Zacarias/MF)
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (24) que considera “ilegal e irracional” a decisão de adiar o pagamento de dívidas judiciais do poder público, conhecidas como precatórios.
“Prefiro ficar com a pecha de ter gastado mais do que ficar com a pecha de caloteiro”, disse durante o Seminário de Precatórios do Iasp (Instituto dos Advogados de São Paulo).
Sem mencionar diretamente seu antecessor, Paulo Guedes, a declaração faz referência à aprovação pelo governo Jair Bolsonaro da PEC dos Precatórios, que em 2021 adiou o pagamento de dívidas judiciais da União para 2027, de modo a abrir espaço para outras despesas.
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A medida, no entanto, é alvo de críticas de entidades jurídicas e de credores. A OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo) ingressou com uma ação de inconstitucionalidade no STF (Supremo Tribunal Federal), afirmando que as novas regras representam uma nova moratória e comprometem a capacidade dos governos de honrar seus compromissos.
Segundo a entidade, o texto pode atrasar o pagamento até mesmo de quem aceitar acordos com deságio, ou seja, abrir mão de parte do valor a receber. Antes da mudança, o desconto máximo permitido era de 40%. Agora, não há mais limite, o que abre espaço para propostas de pagamento por valores simbólicos.
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A CNM (Confederação Nacional dos Municípios) defende a emenda, afirmando que a proposta ajuda a equacionar uma bomba fiscal enfrentada por estados e prefeituras. Um estudo do Fórum Nacional de Precatórios do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) mostra que, antes da mudança, 95% dos estados e municípios ficariam quites com seus precatórios até 2029.
Para a OAB, porém, as alterações tendem a ampliar o passivo ao permitir correções inferiores à própria inflação e à entrada contínua de novas dívidas judiciais.
Com o novo modelo, o governo federal retira as despesas de precatórios do teto de gastos, o que melhora a folga orçamentária em ano eleitoral, mas reacende o debate sobre o risco de calote institucionalizado — o mesmo que Haddad, em sua fala, tentou afastar.
https://www.osul.com.br/ministro-da-fazenda-diz-que-prefere-ser-criticado-por-gastar-a-ser-chamado-de-caloteiro/
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2025-10-24
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