O texto, relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), ainda não foi definido, mas o deputado já descartou um perdão “amplo e irrestrito” e alertou que não há como salvar Bolsonaro de maneira individual.(Foto: Ag. Câmara)
A Corregedoria da Câmara propôs penas brandas aos deputados bolsonaristas que tomaram de assalto a Mesa Diretora no início do mês de agosto a título de protestar contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e pressionar o Legislativo a aprovar projetos para livrar a cara do ex-presidente.
O chefe do órgão, Diego Coronel (PSD-BA), sugeriu a suspensão dos mandatos de Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC), por terem impedido o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de reassumir sua cadeira na Mesa Diretora.
A recomendação do corregedor era que a punição de Van Hattem e Zé Trovão seria de 30 dias, e a de Pollon, de 120 dias, uma vez que o parlamentar xingou Motta e foi o último a recuar do motim. Mas, ao analisar os pareceres, a Mesa Diretora propôs 30 dias para os três e encaminhou os pareceres ao Conselho de Ética, que decidirá se eles deverão ou não ser punidos antes que os casos sejam analisados pelo plenário.
Apenas os “bagres” que se interpuseram fisicamente no caminho de Motta e que se recusaram a levantar quando ele chegou ao seu assento foram alvo de suspensão. Quanto aos demais amotinados que igualmente impediram o pleno funcionamento da Câmara, inclusive os que admitiram ser os líderes intelectuais da insurreição, o corregedor sugeriu apenas censura por escrito, recomendação acatada pela Mesa Diretora e publicada no Diário Oficial da Câmara.
Há quem tenha considerado que este jornal havia sido excessivamente duro ao cobrar uma punição exemplar aos delinquentes, como se a ocupação da Mesa Diretora fosse um instrumento de obstrução previsto no Regimento. Longe de ser um ato de menor importância, trata-se de medida arbitrária, violenta e antidemocrática e que cria um precedente perigoso na Casa. Mas até mesmo Zé Trovão disse, após ser informado sobre o pedido de suspensão de seu mandato, que “30 dias não são nada” e que repetiria a ação “mil vezes, se fosse preciso”.
Ora, se até mesmo um dos únicos deputados que poderão ser suspensos zombou da complacência com que a Corregedoria lidou com seu caso, os 11 parlamentares que tomaram apenas uma advertência – Allan Garcês (PP-MA), Bia Kicis (PL-DF), Carlos Jordy (PL-RJ), Caroline de Toni (PL-SC), Domingos Sávio (PL-MG), Julia Zanatta (PL-SC), Nikolas Ferreira (PL-MG), Paulo Bilynskyj (PL-SP), Marco Feliciano (PL-SP), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Zucco (PL-RS) – têm razões de sobra para celebrar o resultado de suas ações.
Afinal, a despeito da humilhação a que submeteram o presidente da Câmara, Hugo Motta pautou o requerimento de urgência da proposta que anistia todos aqueles que se envolveram em atos antidemocráticos desde o dia 30 de outubro de 2022 – exatamente o que os amotinados desejavam.
O texto, relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), ainda não foi definido, mas o deputado já descartou um perdão “amplo e irrestrito” e alertou que não há como salvar Bolsonaro de maneira individual. Ao rebatizar a proposta de “Projeto de Lei da Dosimetria”, Paulinho sinalizou que pretende atender mais aos idiotas úteis condenados pelos atos do 8 de Janeiro do que ao ex-presidente.
Esses gestos do relator podem até parecer um alento, mas apenas se ignorarmos o fato de que uma anistia generalizada, ainda que fosse aprovada pelo Congresso, seria prontamente derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por ser inconstitucional. Amplo ou limitado, o simples fato de que o perdão tenha entrado em pauta é uma vitória para os sediciosos, que conseguiram paralisar os trabalhos da Câmara em defesa de uma agenda que nada tem a ver com o interesse do País, e ainda assim saíram praticamente ilesos.
As imagens da comemoração desses mesmos deputados no momento em que o requerimento era aprovado dizem mais que qualquer palavra. A ver quais serão as próximas ações dessa turba para defender Bolsonaro, animada pela certeza de que a delinquência compensa e de que sempre poderão contar com o espírito de corpo que move o Legislativo para se safar. Com informações do portal Estadão.
https://www.osul.com.br/a-corregedoria-da-camara-propos-penas-brandas-aos-deputados-bolsonaristas-que-tomaram-de-assalto-a-mesa-diretora/ A Corregedoria da Câmara propôs penas brandas aos deputados bolsonaristas que tomaram de assalto a Mesa Diretora 2025-09-28
Heleno foi condenado a 21 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado Foto: Reprodução de TV Heleno foi condenado a 21 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado. (Foto: Reprodução de TV) O general Augusto Heleno afirmou que “agora é só esperar eles virem me pegar”, em referência à iminente execução da …
A relação com o Judiciário é um cálculo político importante para Tarcísio, que não perdeu as esperanças de concorrer à Presidência em 2026. Foto: Luiz Silveira/STF A relação com o Judiciário é um cálculo político importante para Tarcísio, que não perdeu as esperanças de concorrer à Presidência em 2026. (Foto: Luiz Silveira/STF) O governador de …
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, o policiamento no entorno do STF será reforçado. (Foto: Wilton Junior/Estadão) O julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), que começa na próxima terça-feira, 2 de setembro, será acompanhado por um esquema especial de segurança, que inclui drones com imagem térmica para …
Em nota, Messias afirmou que reconhece e louva “o relevante papel que o presidente Alcolumbre tem cumprido como integrante da Casa”. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil) O advogado-geral da União, Jorge Messias, divulgou nota nessa segunda-feira (24) com diversos elogios ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em uma tentativa de reduzir a oposição do …
A Corregedoria da Câmara propôs penas brandas aos deputados bolsonaristas que tomaram de assalto a Mesa Diretora
O texto, relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), ainda não foi definido, mas o deputado já descartou um perdão “amplo e irrestrito” e alertou que não há como salvar Bolsonaro de maneira individual.(Foto: Ag. Câmara)
A Corregedoria da Câmara propôs penas brandas aos deputados bolsonaristas que tomaram de assalto a Mesa Diretora no início do mês de agosto a título de protestar contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e pressionar o Legislativo a aprovar projetos para livrar a cara do ex-presidente.
O chefe do órgão, Diego Coronel (PSD-BA), sugeriu a suspensão dos mandatos de Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC), por terem impedido o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de reassumir sua cadeira na Mesa Diretora.
A recomendação do corregedor era que a punição de Van Hattem e Zé Trovão seria de 30 dias, e a de Pollon, de 120 dias, uma vez que o parlamentar xingou Motta e foi o último a recuar do motim. Mas, ao analisar os pareceres, a Mesa Diretora propôs 30 dias para os três e encaminhou os pareceres ao Conselho de Ética, que decidirá se eles deverão ou não ser punidos antes que os casos sejam analisados pelo plenário.
Apenas os “bagres” que se interpuseram fisicamente no caminho de Motta e que se recusaram a levantar quando ele chegou ao seu assento foram alvo de suspensão. Quanto aos demais amotinados que igualmente impediram o pleno funcionamento da Câmara, inclusive os que admitiram ser os líderes intelectuais da insurreição, o corregedor sugeriu apenas censura por escrito, recomendação acatada pela Mesa Diretora e publicada no Diário Oficial da Câmara.
Há quem tenha considerado que este jornal havia sido excessivamente duro ao cobrar uma punição exemplar aos delinquentes, como se a ocupação da Mesa Diretora fosse um instrumento de obstrução previsto no Regimento. Longe de ser um ato de menor importância, trata-se de medida arbitrária, violenta e antidemocrática e que cria um precedente perigoso na Casa. Mas até mesmo Zé Trovão disse, após ser informado sobre o pedido de suspensão de seu mandato, que “30 dias não são nada” e que repetiria a ação “mil vezes, se fosse preciso”.
Ora, se até mesmo um dos únicos deputados que poderão ser suspensos zombou da complacência com que a Corregedoria lidou com seu caso, os 11 parlamentares que tomaram apenas uma advertência – Allan Garcês (PP-MA), Bia Kicis (PL-DF), Carlos Jordy (PL-RJ), Caroline de Toni (PL-SC), Domingos Sávio (PL-MG), Julia Zanatta (PL-SC), Nikolas Ferreira (PL-MG), Paulo Bilynskyj (PL-SP), Marco Feliciano (PL-SP), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Zucco (PL-RS) – têm razões de sobra para celebrar o resultado de suas ações.
Afinal, a despeito da humilhação a que submeteram o presidente da Câmara, Hugo Motta pautou o requerimento de urgência da proposta que anistia todos aqueles que se envolveram em atos antidemocráticos desde o dia 30 de outubro de 2022 – exatamente o que os amotinados desejavam.
O texto, relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), ainda não foi definido, mas o deputado já descartou um perdão “amplo e irrestrito” e alertou que não há como salvar Bolsonaro de maneira individual. Ao rebatizar a proposta de “Projeto de Lei da Dosimetria”, Paulinho sinalizou que pretende atender mais aos idiotas úteis condenados pelos atos do 8 de Janeiro do que ao ex-presidente.
Esses gestos do relator podem até parecer um alento, mas apenas se ignorarmos o fato de que uma anistia generalizada, ainda que fosse aprovada pelo Congresso, seria prontamente derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por ser inconstitucional. Amplo ou limitado, o simples fato de que o perdão tenha entrado em pauta é uma vitória para os sediciosos, que conseguiram paralisar os trabalhos da Câmara em defesa de uma agenda que nada tem a ver com o interesse do País, e ainda assim saíram praticamente ilesos.
As imagens da comemoração desses mesmos deputados no momento em que o requerimento era aprovado dizem mais que qualquer palavra. A ver quais serão as próximas ações dessa turba para defender Bolsonaro, animada pela certeza de que a delinquência compensa e de que sempre poderão contar com o espírito de corpo que move o Legislativo para se safar. Com informações do portal Estadão.
https://www.osul.com.br/a-corregedoria-da-camara-propos-penas-brandas-aos-deputados-bolsonaristas-que-tomaram-de-assalto-a-mesa-diretora/
A Corregedoria da Câmara propôs penas brandas aos deputados bolsonaristas que tomaram de assalto a Mesa Diretora
2025-09-28
Related Posts
“Agora é só esperar eles virem me pegar”, diz o general Augusto Heleno, ex-ministro de Bolsonaro
Heleno foi condenado a 21 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado Foto: Reprodução de TV Heleno foi condenado a 21 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado. (Foto: Reprodução de TV) O general Augusto Heleno afirmou que “agora é só esperar eles virem me pegar”, em referência à iminente execução da …
Tarcísio tenta se aproximar de ministros do Supremo após ataques ao tribunal
A relação com o Judiciário é um cálculo político importante para Tarcísio, que não perdeu as esperanças de concorrer à Presidência em 2026. Foto: Luiz Silveira/STF A relação com o Judiciário é um cálculo político importante para Tarcísio, que não perdeu as esperanças de concorrer à Presidência em 2026. (Foto: Luiz Silveira/STF) O governador de …
Drones, varredura térmica e revista de mochilas: Supremo terá esquema especial de segurança no julgamento de Bolsonaro
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, o policiamento no entorno do STF será reforçado. (Foto: Wilton Junior/Estadão) O julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), que começa na próxima terça-feira, 2 de setembro, será acompanhado por um esquema especial de segurança, que inclui drones com imagem térmica para …
Indicado por Lula como ministro do Supremo, Jorge Messias faz elogio ao presidente do Senado, em tentativa de reduzir oposição contra sua indicação
Em nota, Messias afirmou que reconhece e louva “o relevante papel que o presidente Alcolumbre tem cumprido como integrante da Casa”. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil) O advogado-geral da União, Jorge Messias, divulgou nota nessa segunda-feira (24) com diversos elogios ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em uma tentativa de reduzir a oposição do …