Em voto supostamente técnico, ministro deu voz a milhões de pessoas que pensam exatamente como ele se posicionou. (Foto: Gustavo Moreno/STF)
Parece ter causado comoção uma série de pontos levantados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, na votação sobre a suposta trama golpista liderada por Jair Bolsonaro em que indicou a absolvição do réu em crimes a ele imputado. Mas Fux, na verdade, apesar do tom professoral, a despeito de proclamar um voto supostamente técnico, deu voz a milhões de pessoas que pensam exatamente como ele se posicionou, mas se sentem acuadas por um “sistema” que obrigaria a todos a se comportarem da mesma forma neste caso.
Há, compreensivelmente, muita gente indignada com o voto de Fux, aparentemente até entre os colegas de toga. Mas o ponto positivo disso tudo é que o ministro revelou de maneira mais clara como pensa parte expressiva da sociedade brasileira – inclusive juristas. Agora, as posições antagônicas estão mais à luz e representadas na Corte. Neste sentido, tivemos um voto político que mostra que qualquer unanimidade a respeito do que se discute são artificiais. A democracia é divergente e barulhenta. Até mesmo um pouco estressante em meio a tantos ruídos.
Enquanto os jornais, os principais comentaristas, juristas com holofotes, estão há dias a tentar mostrar como Bolsonaro e companhia conspiravam, a reação ocorria em outro lugar. Nos grupos de WhatsApp de gente da classe média, em postagens no X (antigo Twitter), nas festas de família, nas conversas após a missa. Havia até uma certa indignação contra a “perseguição política” em curso.
São engenheiros, médicos, empresários, donas de casa, aposentadas, que dia sim e dia também sim repetem expressões como “ditadura de toga”, “cartas marcadas”, que acham que os jornais tradicionais – tomados por militantes “de esquerda” (sic) – distorcem o que ocorre no País.
No limite, gente que considera o presidente Donald Trump correto. Essa parcela da sociedade não pode ser considerada residual – como indicam as pesquisas eleitorais, a registrar Jair Bolsonaro, às vezes, em empate técnico com Lula. “Eu tenho direito de desconfiar das urnas”, costumam dizer.
Algo em especial une essas pessoas: consideram o ministro Alexandre de Moraes uma espécie de anjo mau. A ele são dedicadas expressões duras como “psicopata”, “ditador”, ou mesmo ameaça à democracia. Sonham com seu afastamento. Pesaram questões como censuras às redes sociais, os processos sem fim sob sua guarda, e as altas penas aos vândalos de 8/1, tidos como desproporcionais. Consideram que há fraudes processuais, ameaças a parlamentares, e que prisões tem sido definidas apenas por opinião política. “Liberdade de expressão” virou bandeira de quem está contra o Supremo, Alexandre de Moraes, parte da intelectualidade e quem mais que represente o “establishment”.
Esses enfezados são as mesmas pessoas que vão aos eventos chamados pelo Bolsonarismo? Não necessariamente. O mais apropriado seria dizer que é um grupo que inclui o bolsonarismo. Até a manifestação de Fux, havia um certo desespero no sentido de ninguém de dentro do Supremo “enfrentar” Xandão. Finalmente tiveram um caso.
A turma lavou a alma. Agora, vai utilizar o voto de Fux diuturnamente em suas batalhas políticas. Não é à toa que no X, um dos seus principais campos de batalha, teve como trending a expressão “Fux honra a toga”. Por outro lado, nessa guerra de torcidas sem fim que virou o Brasil, Fux virou alvo dos militantes de esquerda, com um ódio diretamente proporcional à alegria dos bolsonaristas. Provavelmente tem consciência das consequências de sua posição. (Fabiano Lana/Agência Estado)
https://www.osul.com.br/voto-do-ministro-luiz-fux-absolvendo-bolsonaro-revela-que-acordo-no-supremo-para-punir-o-ex-presidente-era-falso/ Voto do ministro Luiz Fux absolvendo Bolsonaro revela que “acordo” no Supremo para punir o ex-presidente era falso 2025-09-11
A Primeira Turma do STF determinou que a Justiça Militar seja oficiada para avaliar uma eventual “indignidade para o oficialato” Foto: Ton Molina/STF A Primeira Turma do STF determinou que a Justiça Militar seja oficiada para avaliar uma eventual “indignidade para o oficialato”. (Foto: Ton Molina/STF) Após serem condenados na Primeira Turma do STF (Supremo …
A CPI do INSS não conseguiu cumprir a expectativa de agir como rolo compressor contra o governo Lula Foto: Pedro França/Agência Senado A CPI do INSS não conseguiu cumprir a expectativa de agir como rolo compressor contra o governo Lula. (Foto: Pedro França/Agência Senado) Criada há quase três meses por iniciativa da bancada oposicionista, a …
Os atos são promovidos pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, movimentos de esquerda que se mobilizaram contra a aprovação do projeto.(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil) Manifestantes de diversas cidades brasileiras foram às ruas neste domingo (14) contra a aprovação do chamado PL da Dosimetria, o projeto de lei que pretende diminuir o cálculo das …
A revista compara o brasileiro ao ex-presidente americano Joe Biden, que desistiu da disputa pela Casa Branca meses antes da eleição. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) No último dia do ano, a revista britânica The Economist publicou um editorial no qual afirma que o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não deve concorrer à reeleição no …
Voto do ministro Luiz Fux absolvendo Bolsonaro revela que “acordo” no Supremo para punir o ex-presidente era falso
Em voto supostamente técnico, ministro deu voz a milhões de pessoas que pensam exatamente como ele se posicionou. (Foto: Gustavo Moreno/STF)
Parece ter causado comoção uma série de pontos levantados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, na votação sobre a suposta trama golpista liderada por Jair Bolsonaro em que indicou a absolvição do réu em crimes a ele imputado. Mas Fux, na verdade, apesar do tom professoral, a despeito de proclamar um voto supostamente técnico, deu voz a milhões de pessoas que pensam exatamente como ele se posicionou, mas se sentem acuadas por um “sistema” que obrigaria a todos a se comportarem da mesma forma neste caso.
Há, compreensivelmente, muita gente indignada com o voto de Fux, aparentemente até entre os colegas de toga. Mas o ponto positivo disso tudo é que o ministro revelou de maneira mais clara como pensa parte expressiva da sociedade brasileira – inclusive juristas. Agora, as posições antagônicas estão mais à luz e representadas na Corte. Neste sentido, tivemos um voto político que mostra que qualquer unanimidade a respeito do que se discute são artificiais. A democracia é divergente e barulhenta. Até mesmo um pouco estressante em meio a tantos ruídos.
Enquanto os jornais, os principais comentaristas, juristas com holofotes, estão há dias a tentar mostrar como Bolsonaro e companhia conspiravam, a reação ocorria em outro lugar. Nos grupos de WhatsApp de gente da classe média, em postagens no X (antigo Twitter), nas festas de família, nas conversas após a missa. Havia até uma certa indignação contra a “perseguição política” em curso.
São engenheiros, médicos, empresários, donas de casa, aposentadas, que dia sim e dia também sim repetem expressões como “ditadura de toga”, “cartas marcadas”, que acham que os jornais tradicionais – tomados por militantes “de esquerda” (sic) – distorcem o que ocorre no País.
No limite, gente que considera o presidente Donald Trump correto. Essa parcela da sociedade não pode ser considerada residual – como indicam as pesquisas eleitorais, a registrar Jair Bolsonaro, às vezes, em empate técnico com Lula. “Eu tenho direito de desconfiar das urnas”, costumam dizer.
Algo em especial une essas pessoas: consideram o ministro Alexandre de Moraes uma espécie de anjo mau. A ele são dedicadas expressões duras como “psicopata”, “ditador”, ou mesmo ameaça à democracia. Sonham com seu afastamento. Pesaram questões como censuras às redes sociais, os processos sem fim sob sua guarda, e as altas penas aos vândalos de 8/1, tidos como desproporcionais. Consideram que há fraudes processuais, ameaças a parlamentares, e que prisões tem sido definidas apenas por opinião política. “Liberdade de expressão” virou bandeira de quem está contra o Supremo, Alexandre de Moraes, parte da intelectualidade e quem mais que represente o “establishment”.
Esses enfezados são as mesmas pessoas que vão aos eventos chamados pelo Bolsonarismo? Não necessariamente. O mais apropriado seria dizer que é um grupo que inclui o bolsonarismo. Até a manifestação de Fux, havia um certo desespero no sentido de ninguém de dentro do Supremo “enfrentar” Xandão. Finalmente tiveram um caso.
A turma lavou a alma. Agora, vai utilizar o voto de Fux diuturnamente em suas batalhas políticas. Não é à toa que no X, um dos seus principais campos de batalha, teve como trending a expressão “Fux honra a toga”. Por outro lado, nessa guerra de torcidas sem fim que virou o Brasil, Fux virou alvo dos militantes de esquerda, com um ódio diretamente proporcional à alegria dos bolsonaristas. Provavelmente tem consciência das consequências de sua posição. (Fabiano Lana/Agência Estado)
https://www.osul.com.br/voto-do-ministro-luiz-fux-absolvendo-bolsonaro-revela-que-acordo-no-supremo-para-punir-o-ex-presidente-era-falso/
Voto do ministro Luiz Fux absolvendo Bolsonaro revela que “acordo” no Supremo para punir o ex-presidente era falso
2025-09-11
Related Posts
Perda de patente: entenda o processo contra Bolsonaro e generais condenados
A Primeira Turma do STF determinou que a Justiça Militar seja oficiada para avaliar uma eventual “indignidade para o oficialato” Foto: Ton Molina/STF A Primeira Turma do STF determinou que a Justiça Militar seja oficiada para avaliar uma eventual “indignidade para o oficialato”. (Foto: Ton Molina/STF) Após serem condenados na Primeira Turma do STF (Supremo …
CPI do INSS tem pontos sensíveis para aliados de Lula, Bolsonaro e ao próprio Centrão; tema da nova comissão deve ser central nas eleições de 2026
A CPI do INSS não conseguiu cumprir a expectativa de agir como rolo compressor contra o governo Lula Foto: Pedro França/Agência Senado A CPI do INSS não conseguiu cumprir a expectativa de agir como rolo compressor contra o governo Lula. (Foto: Pedro França/Agência Senado) Criada há quase três meses por iniciativa da bancada oposicionista, a …
Em várias capitais do País, inclusive Porto Alegre, manifestantes vão às ruas contra projeto de lei da Dosimetria
Os atos são promovidos pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, movimentos de esquerda que se mobilizaram contra a aprovação do projeto.(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil) Manifestantes de diversas cidades brasileiras foram às ruas neste domingo (14) contra a aprovação do chamado PL da Dosimetria, o projeto de lei que pretende diminuir o cálculo das …
Revista britânica The Economist afirma que Lula não deveria disputar a reeleição por ser tão idoso e chama Flávio Bolsonaro de impopular e ineficaz
A revista compara o brasileiro ao ex-presidente americano Joe Biden, que desistiu da disputa pela Casa Branca meses antes da eleição. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) No último dia do ano, a revista britânica The Economist publicou um editorial no qual afirma que o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não deve concorrer à reeleição no …