Investigadores apontam indícios de lavagem de dinheiro em operações de empresa do parlamentar. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)
O senador Ciro Nogueira recebeu ao menos R$ 6 milhões em mesadas do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, entre 2024 e 2025, aponta a PF (Polícia Federal).
Os dados constam em documentos do julgamento do caso da fraude bilionária ao sistema financeiro do Brasil, atualmente no STF (Supremo Tribunal Federal).
“Os diálogos analisados demonstram ciência, anuência e prioridade atribuída por Vorcaro à manutenção desses repasses, os quais, no intervalo temporal identificado, totalizam montante mínimo estimado em R$ 6 milhões”, diz a Polícia Federal.
A PF já identificou outros indícios de relação próxima entre Ciro e Vorcaro. Por exemplo, o pagamento de diárias em hotéis de luxo em Nova York e na Europa, viagens juntos e possíveis pagamentos feitos também em dinheiro vivo. Além disso, o banqueiro se referia ao parlamentar como amigo.
A existência da mesada já havia sido identificada a partir de trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro e operadores do esquema do Banco Master, como o seu primo, Felipe.
Em 2024, por exemplo, o primo questiona ao ex-banqueiro se é para continuar com a “parceria BRGD/CNLF” e menciona o valor de R$ 300 mil por mês. Vorcaro concorda.
A BRGD é uma empresa controlada pela família Vorcaro, enquanto a CNFL é uma empreiteira da família do senador.
No início de 2025, Felipe volta a perguntar se deve “continuar enviando o recurso pro parceiro BRGD”. Vorcaro não só confirma, mas ressalta também que é “muito importante”.
Em junho do mesmo ano, o ex-banqueiro se irrita com o primo: “Cara, eu no meio dessa guerra atrasou dois meses Ciro?”, escreve, no que os investigadores avaliam como uma referência ao senador e o contexto de crise do Master.
Na troca de mensagens, Felipe diz que vai tentar dar um jeito e questiona se “vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”, indicando a possibilidade de que o valor inicial tenha subido para R$ 500 mil.
Desse modo, ao menos entre junho de 2024 e agosto de 2025, “Daniel Vorcaro realizou repasses mensais à empresa do Senador, totalizando no mínimo R$ 6 milhões”, escreve o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, em uma de suas manifestações durante o processo.
De acordo com a PF, “restou evidenciado o pagamento mensal e reiterado de valores expressivos, inicialmente no patamar de R$ 300 mil e, posteriormente, chegando a R$ 500 mil” entre Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira.
O documento da PF indicou o uso de empresas do núcleo familiar do senador, como a CN Motos e a CNFL, para ocultação e dissimulação de recursos, incluindo os depósitos fracionados em espécie, o que seria um indício de lavagem de dinheiro.
“Em relação aos indícios de lavagem de capitais, a leitura integrada dos diversos indexadores revelou a existência de estruturas recorrentes e interligadas, utilizadas, em tese, para a ocultação, dissimulação e reinserção de recursos de origem incompatível com a capacidade econômico-financeira formal dos envolvidos, tendo como possível beneficiário final o senador Ciro Nogueira”, diz trecho do documento.
O ex-banqueiro supervisionou a operação envolvendo a BRGD e a CNLF, segundo os investigadores.
A investigação da PF também identificou que o senador obteve “vantagens indevidas” em sua relação com Vorcaro. Uma das empresas ligadas ao senador adquiriu uma participação na Green Investimentos S.A. por R$ 1 milhão, quando o valor estimado da fatia seria de aproximadamente R$ 12,9 milhões.
O documento obtido pela Folha aponta que a empresa CNLF adquiriu 30% de participação na Green com “expressivo deságio”.
A operação foi formalizada por um “instrumento particular”, um contrato de gaveta para escapar de mecanismos de fiscalização e do radar de órgãos de controle.
O objetivo real da transação era criar um canal para repassar dividendos da empresa Trinity Energias Renováveis para o senador de forma aparentemente lícita, apontou o relatório da Polícia Federal.
Em apenas um ano, os dividendos dessa fatia seriam de aproximadamente R$ 720 mil, quase recuperando todo o investimento inicial feito pelo senador na empresa.
“Diversos indexadores vinculados às empresas CN Motos e suas filiais evidenciam o ingresso reiterado e volumoso de recursos em espécie, frequentemente fracionados, padrão tipicamente associado a tentativas de burla aos mecanismos de controle e rastreabilidade do sistema financeiro”, afirmam os investigadores.
Nas planilhas de operadores financeiros de Vorcaro são registradas entradas como “Espécie Ciro 350K” em referência a um pagamento em dinheiro vivo ao senador. Há também o relato de um piloto sobre o transporte de uma sacola com supostos valores em espécie em um voo privado para Brasília. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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Vorcaro pagou ao menos R$ 6 milhões ao presidente nacional do Partido Progressistas, afirma a Polícia Federal
Investigadores apontam indícios de lavagem de dinheiro em operações de empresa do parlamentar. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)
O senador Ciro Nogueira recebeu ao menos R$ 6 milhões em mesadas do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, entre 2024 e 2025, aponta a PF (Polícia Federal).
Os dados constam em documentos do julgamento do caso da fraude bilionária ao sistema financeiro do Brasil, atualmente no STF (Supremo Tribunal Federal).
“Os diálogos analisados demonstram ciência, anuência e prioridade atribuída por Vorcaro à manutenção desses repasses, os quais, no intervalo temporal identificado, totalizam montante mínimo estimado em R$ 6 milhões”, diz a Polícia Federal.
A PF já identificou outros indícios de relação próxima entre Ciro e Vorcaro. Por exemplo, o pagamento de diárias em hotéis de luxo em Nova York e na Europa, viagens juntos e possíveis pagamentos feitos também em dinheiro vivo. Além disso, o banqueiro se referia ao parlamentar como amigo.
A existência da mesada já havia sido identificada a partir de trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro e operadores do esquema do Banco Master, como o seu primo, Felipe.
Em 2024, por exemplo, o primo questiona ao ex-banqueiro se é para continuar com a “parceria BRGD/CNLF” e menciona o valor de R$ 300 mil por mês. Vorcaro concorda.
A BRGD é uma empresa controlada pela família Vorcaro, enquanto a CNFL é uma empreiteira da família do senador.
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Em junho do mesmo ano, o ex-banqueiro se irrita com o primo: “Cara, eu no meio dessa guerra atrasou dois meses Ciro?”, escreve, no que os investigadores avaliam como uma referência ao senador e o contexto de crise do Master.
Na troca de mensagens, Felipe diz que vai tentar dar um jeito e questiona se “vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”, indicando a possibilidade de que o valor inicial tenha subido para R$ 500 mil.
Desse modo, ao menos entre junho de 2024 e agosto de 2025, “Daniel Vorcaro realizou repasses mensais à empresa do Senador, totalizando no mínimo R$ 6 milhões”, escreve o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, em uma de suas manifestações durante o processo.
De acordo com a PF, “restou evidenciado o pagamento mensal e reiterado de valores expressivos, inicialmente no patamar de R$ 300 mil e, posteriormente, chegando a R$ 500 mil” entre Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira.
O documento da PF indicou o uso de empresas do núcleo familiar do senador, como a CN Motos e a CNFL, para ocultação e dissimulação de recursos, incluindo os depósitos fracionados em espécie, o que seria um indício de lavagem de dinheiro.
“Em relação aos indícios de lavagem de capitais, a leitura integrada dos diversos indexadores revelou a existência de estruturas recorrentes e interligadas, utilizadas, em tese, para a ocultação, dissimulação e reinserção de recursos de origem incompatível com a capacidade econômico-financeira formal dos envolvidos, tendo como possível beneficiário final o senador Ciro Nogueira”, diz trecho do documento.
O ex-banqueiro supervisionou a operação envolvendo a BRGD e a CNLF, segundo os investigadores.
A investigação da PF também identificou que o senador obteve “vantagens indevidas” em sua relação com Vorcaro. Uma das empresas ligadas ao senador adquiriu uma participação na Green Investimentos S.A. por R$ 1 milhão, quando o valor estimado da fatia seria de aproximadamente R$ 12,9 milhões.
O documento obtido pela Folha aponta que a empresa CNLF adquiriu 30% de participação na Green com “expressivo deságio”.
A operação foi formalizada por um “instrumento particular”, um contrato de gaveta para escapar de mecanismos de fiscalização e do radar de órgãos de controle.
O objetivo real da transação era criar um canal para repassar dividendos da empresa Trinity Energias Renováveis para o senador de forma aparentemente lícita, apontou o relatório da Polícia Federal.
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“Diversos indexadores vinculados às empresas CN Motos e suas filiais evidenciam o ingresso reiterado e volumoso de recursos em espécie, frequentemente fracionados, padrão tipicamente associado a tentativas de burla aos mecanismos de controle e rastreabilidade do sistema financeiro”, afirmam os investigadores.
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