Lula afirmou que decidiu barrar a visita enquanto não houver solução para o caso envolvendo vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de sua família. (Foto: Alan Santos/PR)
A temperatura entre Brasil e Estados Unidos voltou a se elevar nos últimos dias após a breve distensão iniciada com o encontro dos presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva na Malásia, em outubro de 2025. Nesta sexta-feira, o governo brasileiro anunciou a retirada do visto do assessor do Departamento de Estado dos EUA Darren Beattie, que planejava vir ao Brasil visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão sem avisar ao Itamaraty, enquanto nos bastidores os dois países seguem a negociar planos de cooperação no combate ao crime organizado. A mais recente proposta americana inclui reproduzir no país modelo semelhante ao adotado em El Salvador, com a transferência de presos de outros países capturados em território norte-americano.
Segundo interlocutores do Itamaraty, a revogação do visto ocorreu porque Beattie teria prestado informações falsas ao solicitar a entrada no país. Ele afirmou que participaria de uma conferência sobre minerais críticos em São Paulo, sem mencionar a intenção de visitar Bolsonaro. Ao se posicionar contra o encontro, o governo avaliou que a agenda poderia configurar “indevida ingerência” dos americanos em assuntos internos. Autoridades concluíram que Beattie cometeu “omissão e falseamento de informações” sobre a visita.
Em evento no Rio, Lula afirmou que decidiu barrar a visita enquanto não houver solução para o caso envolvendo vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de sua família.
— Eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado — disse.
No governo brasileiro, o caso envolvendo Beattie é tratado como caso isolado de “má-fé diplomática”, sem risco de comprometer novo encontro entre Lula e Trump, que deve ocorrer em abril ou maio.
Cooperação na segurança
No governo brasileiro, apesar de o Departamento de Estado americano ter aumentado a pressão sobre Lula ao afirmar que Trump considera as facções brasileiras uma “ameaça significativa à segurança regional”, a expectativa é que um entendimento sobre a pauta de segurança possa ser alcançado pelos dois presidentes na reunião que deve ocorrer entre eles dentro de dois meses na Casa Branca.
A recente proposta feita pelo governo americano inclui um acordo semelhante ao que permite aos Estados Unidos enviar estrangeiros capturados em território americano para cumprir pena no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), em El Salvador. O país da América Central virou um ponto de peregrinação de políticos bolsonaristas, que defendem a adoção de um modelo similar ao adotado pelo presidente salvadorenho, Nayib Bukele, para a pauta da segurança pública.
Segundo Cristiano Maronna, diretor da Plataforma Justa, que pesquisa o judiciário e o sistema penal brasileiro, “não há qualquer base jurídica” para a proposta dos EUA.
Integrantes do governo brasileiro descartam receber criminosos estrangeiros capturados nos EUA. A avaliação é de que o enfrentamento ao crime organizado deve se dar a partir da cooperação operacional já existente.
— Não acreditamos em soluções mágicas do tipo “plano” ou “designação como terrorista”, mas em trabalho contínuo e detalhado de cooperação, troca de informações e coordenação operacional — disse um interlocutor que acompanha as negociações.
O plano do governo norte-americano é uma contraproposta ao que foi apresentado por Lula em conversa com Trump no fim do ano passado, quando o Brasil propôs cooperação no combate, por exemplo, à lavagem de dinheiro. Na época, Lula citou o caso do dono da Refit, Ricardo Magro, que está foragido nos EUA. Dias antes, a empresa havia sido alvo de uma megaoperação da PF por fraude no mercado de combustíveis. Com informações do portal O Globo.
Moraes (foto) também é citado no material apreendido pela PF e deve ser alvo de outro relatório. (Foto: Luiz Silveira/STF) A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso envolvendo o Banco Master marca um novo momento no andamento das investigações. A mudança ocorreu após o diretor-geral da Polícia Federal (PF) encaminhar ao ministro …
A má avaliação da Corte brasileira é maior em comparação às de países como Estados Unidos e Alemanha. (Foto: Reprodução) Em patamar mais alto no período recente — em meio aos desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master —, a desconfiança da população brasileira em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF) é mais acentuada do …
O Palácio do Planalto avalia o melhor momento para que o texto seja analisado pelo Legislativo. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) O projeto de lei que visa restringir o cumprimento de sanções internacionais que violem a soberania nacional prevê a criação de uma comissão por onde passará toda medida a ser tomada em obediência a ordens unilaterais …
Em fevereiro deste ano, o governo americano designou fações do narcotráfico como a venezuelana Tren de Aragua e a mexicana Cartel de Sinaloa como “organizações terroristas estrangeiras”. (Foto: Freepik) A classificação do Comando Vermelho como grupo terrorista, reivindicação de parlamentares e governadores da direita, pode abrir a porta para o governo Trump vetar vistos americanos …
Visto negado a assessor de Trump e recusa a receber presos elevam tensão diplomática entre Brasil e os Estados Unidos
Lula afirmou que decidiu barrar a visita enquanto não houver solução para o caso envolvendo vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de sua família. (Foto: Alan Santos/PR)
A temperatura entre Brasil e Estados Unidos voltou a se elevar nos últimos dias após a breve distensão iniciada com o encontro dos presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva na Malásia, em outubro de 2025. Nesta sexta-feira, o governo brasileiro anunciou a retirada do visto do assessor do Departamento de Estado dos EUA Darren Beattie, que planejava vir ao Brasil visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão sem avisar ao Itamaraty, enquanto nos bastidores os dois países seguem a negociar planos de cooperação no combate ao crime organizado. A mais recente proposta americana inclui reproduzir no país modelo semelhante ao adotado em El Salvador, com a transferência de presos de outros países capturados em território norte-americano.
Segundo interlocutores do Itamaraty, a revogação do visto ocorreu porque Beattie teria prestado informações falsas ao solicitar a entrada no país. Ele afirmou que participaria de uma conferência sobre minerais críticos em São Paulo, sem mencionar a intenção de visitar Bolsonaro. Ao se posicionar contra o encontro, o governo avaliou que a agenda poderia configurar “indevida ingerência” dos americanos em assuntos internos. Autoridades concluíram que Beattie cometeu “omissão e falseamento de informações” sobre a visita.
Em evento no Rio, Lula afirmou que decidiu barrar a visita enquanto não houver solução para o caso envolvendo vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de sua família.
— Eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado — disse.
No governo brasileiro, o caso envolvendo Beattie é tratado como caso isolado de “má-fé diplomática”, sem risco de comprometer novo encontro entre Lula e Trump, que deve ocorrer em abril ou maio.
Cooperação na segurança
No governo brasileiro, apesar de o Departamento de Estado americano ter aumentado a pressão sobre Lula ao afirmar que Trump considera as facções brasileiras uma “ameaça significativa à segurança regional”, a expectativa é que um entendimento sobre a pauta de segurança possa ser alcançado pelos dois presidentes na reunião que deve ocorrer entre eles dentro de dois meses na Casa Branca.
A recente proposta feita pelo governo americano inclui um acordo semelhante ao que permite aos Estados Unidos enviar estrangeiros capturados em território americano para cumprir pena no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), em El Salvador. O país da América Central virou um ponto de peregrinação de políticos bolsonaristas, que defendem a adoção de um modelo similar ao adotado pelo presidente salvadorenho, Nayib Bukele, para a pauta da segurança pública.
Segundo Cristiano Maronna, diretor da Plataforma Justa, que pesquisa o judiciário e o sistema penal brasileiro, “não há qualquer base jurídica” para a proposta dos EUA.
Integrantes do governo brasileiro descartam receber criminosos estrangeiros capturados nos EUA. A avaliação é de que o enfrentamento ao crime organizado deve se dar a partir da cooperação operacional já existente.
— Não acreditamos em soluções mágicas do tipo “plano” ou “designação como terrorista”, mas em trabalho contínuo e detalhado de cooperação, troca de informações e coordenação operacional — disse um interlocutor que acompanha as negociações.
O plano do governo norte-americano é uma contraproposta ao que foi apresentado por Lula em conversa com Trump no fim do ano passado, quando o Brasil propôs cooperação no combate, por exemplo, à lavagem de dinheiro. Na época, Lula citou o caso do dono da Refit, Ricardo Magro, que está foragido nos EUA. Dias antes, a empresa havia sido alvo de uma megaoperação da PF por fraude no mercado de combustíveis. Com informações do portal O Globo.
Related Posts
Saída de Dias Toffoli do caso do Banco Master complica a situação de Alexandre de Moraes
Moraes (foto) também é citado no material apreendido pela PF e deve ser alvo de outro relatório. (Foto: Luiz Silveira/STF) A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso envolvendo o Banco Master marca um novo momento no andamento das investigações. A mudança ocorreu após o diretor-geral da Polícia Federal (PF) encaminhar ao ministro …
Em meio aos desdobramentos do escândalo do Banco Master, a desconfiança da população brasileira em relação ao Supremo é mais acentuada do que a observada em outros tribunais pelo mundo
A má avaliação da Corte brasileira é maior em comparação às de países como Estados Unidos e Alemanha. (Foto: Reprodução) Em patamar mais alto no período recente — em meio aos desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master —, a desconfiança da população brasileira em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF) é mais acentuada do …
Lei anti-Magnitsky cria comissão para avaliar sanções estrangeiras como as de Trump
O Palácio do Planalto avalia o melhor momento para que o texto seja analisado pelo Legislativo. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) O projeto de lei que visa restringir o cumprimento de sanções internacionais que violem a soberania nacional prevê a criação de uma comissão por onde passará toda medida a ser tomada em obediência a ordens unilaterais …
A classificação do Comando Vermelho como grupo terrorista, reivindicação de parlamentares e governadores da direita, pode abrir a porta para o governo Trump vetar vistos americanos a cidadãos do Brasil
Em fevereiro deste ano, o governo americano designou fações do narcotráfico como a venezuelana Tren de Aragua e a mexicana Cartel de Sinaloa como “organizações terroristas estrangeiras”. (Foto: Freepik) A classificação do Comando Vermelho como grupo terrorista, reivindicação de parlamentares e governadores da direita, pode abrir a porta para o governo Trump vetar vistos americanos …