Ponto de conexão do senador com a instituição financeira se dava por meio do ex-sócio do banco, o empresário Augusto Lima. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
Em mais um desdobramento do caso Master, a Polícia Federal (PF) mirou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), alvo de buscas ontem por ter atuado no Congresso em favor do banco, segundo investigadores.
Segundo a PF, Wagner teria recebido um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, além de regalias como o uso de aeronaves particulares e o ingresso para o camarote de um show em Los Angeles, ao custo de R$ 63,3 mil.
O ponto de conexão de Wagner com a instituição financeira se dava por meio do ex-sócio do banco, o empresário baiano Augusto Lima, que também foi alvo da PF e tem boa relação com petistas na Bahia. Além das benesses, uma empresa do núcleo familiar do senador recebeu transferência de R$ 3 milhões de uma financeira vinculada a Lima.
Investigadores identificaram uma mensagem em que Wagner envia a Lima detalhes sobre um apartamento que ele estaria interessado em adquirir em Salvador. “A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 milhões”, escreveu ele. A mensagem é datada de novembro de 2024.
Em entrevista à BandNews, Wagner disse que não recebeu dinheiro ou atuou pelo Master no Legislativo. Ele, porém, admitiu as tratativas sobre o imóvel.
“É um apartamento que está em construção. Eu tinha interesse em dar um apartamento, ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, disse a ele: ‘Pode comprar? Depois eu vou recomprar’.”
O texto apresentado tentou estabelecer um teto para a aplicação de juros sobre os empréstimos consignados. A sugestão visava proibir uma cobrança maior que “300% da taxa média de juros dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI)”. Na prática, contudo, o teto dos juros aumentaria expressivamente, do patamar de 14% ao ano para 21%.
A emenda de Wagner foi redigida no mesmo ano em que uma empresa de Bonnie Bonilha, nora do senador petista, começou a receber recursos do Master.
O pedido do senador petista não foi incluído na versão final do texto da MP que foi chancelado pelo Congresso, aprovado em julho de 2022. O relator da Medida Provisória era o senador Davi Alcolumbre (União-AP), hoje presidente do Senado.
Apesar disso, a PF realçou o interesse de Wagner no tema e ressaltou que ele pediu aos parlamentares para o trecho ser aprovado.
Dinheiro apreendido
Durante a operação de quinta-feira (18), a PF apreendeu US$ 49 mil (R$ 253 mil na cotação atual) em espécie em um quarto do hotel Brasília Palace, onde Jaques Wagner costuma ficar quando está em Brasília. Além disso, foram apreendidos 33,5 mil euros e US$ 6,175 mil em seu endereço em Salvador.
Em nota, o parlamentar disse que o dinheiro encontrado tem origem em montantes recebidos de forma legal, em “diárias” para viagens oficiais, mas que acabaram não sendo utilizados.
O relacionamento entre Wagner e Lima começou em 2017, quando o petista ainda era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia. Na época, ele estava tentando privatizar a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que era dona de uma rede de supermercados.
Augusto Lima arrematou em leilão a Ebal por R$ 15 milhões depois que o governo baiano previu no edital a operação de um cartão de crédito consignado, o Credcesta, que seria utilizado por mais de 400 mil servidores, pensionistas e aposentados da Bahia.
Em declarações anteriores, o próprio Wagner já admitiu que teve encontros com Lima naquela época para tentar destravar o negócio. Ele era secretário do então governador da Bahia, Rui Costa (PT), que foi ministro da Casa Civil de Lula neste mandato.
Depois do leilão, a gestão petista ainda concedeu uma exclusividade de mercado ao Credcesta por 15 anos, o que tornou o ativo ainda mais lucrativo. Lima procurou o Master para administrar o cartão, banco do qual viraria sócio, e expandiu a operação de consignados para outros estados.
A defesa de Augusto Lima, que já foi preso em fases anteriores, negou irregularidades e disse que ele sempre atuou dentro da lei. (Com informações do jornal O Globo)
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Veja a relação do senador Jaques Wagner com o Banco Master ao longo dos anos
Ponto de conexão do senador com a instituição financeira se dava por meio do ex-sócio do banco, o empresário Augusto Lima. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
Em mais um desdobramento do caso Master, a Polícia Federal (PF) mirou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), alvo de buscas ontem por ter atuado no Congresso em favor do banco, segundo investigadores.
Segundo a PF, Wagner teria recebido um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, além de regalias como o uso de aeronaves particulares e o ingresso para o camarote de um show em Los Angeles, ao custo de R$ 63,3 mil.
O ponto de conexão de Wagner com a instituição financeira se dava por meio do ex-sócio do banco, o empresário baiano Augusto Lima, que também foi alvo da PF e tem boa relação com petistas na Bahia. Além das benesses, uma empresa do núcleo familiar do senador recebeu transferência de R$ 3 milhões de uma financeira vinculada a Lima.
Investigadores identificaram uma mensagem em que Wagner envia a Lima detalhes sobre um apartamento que ele estaria interessado em adquirir em Salvador. “A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 milhões”, escreveu ele. A mensagem é datada de novembro de 2024.
Em entrevista à BandNews, Wagner disse que não recebeu dinheiro ou atuou pelo Master no Legislativo. Ele, porém, admitiu as tratativas sobre o imóvel.
“É um apartamento que está em construção. Eu tinha interesse em dar um apartamento, ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Guga, o Augusto Lima, é um investidor, disse a ele: ‘Pode comprar? Depois eu vou recomprar’.”
O texto apresentado tentou estabelecer um teto para a aplicação de juros sobre os empréstimos consignados. A sugestão visava proibir uma cobrança maior que “300% da taxa média de juros dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI)”. Na prática, contudo, o teto dos juros aumentaria expressivamente, do patamar de 14% ao ano para 21%.
A emenda de Wagner foi redigida no mesmo ano em que uma empresa de Bonnie Bonilha, nora do senador petista, começou a receber recursos do Master.
O pedido do senador petista não foi incluído na versão final do texto da MP que foi chancelado pelo Congresso, aprovado em julho de 2022. O relator da Medida Provisória era o senador Davi Alcolumbre (União-AP), hoje presidente do Senado.
Apesar disso, a PF realçou o interesse de Wagner no tema e ressaltou que ele pediu aos parlamentares para o trecho ser aprovado.
Dinheiro apreendido
Durante a operação de quinta-feira (18), a PF apreendeu US$ 49 mil (R$ 253 mil na cotação atual) em espécie em um quarto do hotel Brasília Palace, onde Jaques Wagner costuma ficar quando está em Brasília. Além disso, foram apreendidos 33,5 mil euros e US$ 6,175 mil em seu endereço em Salvador.
Em nota, o parlamentar disse que o dinheiro encontrado tem origem em montantes recebidos de forma legal, em “diárias” para viagens oficiais, mas que acabaram não sendo utilizados.
O relacionamento entre Wagner e Lima começou em 2017, quando o petista ainda era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia. Na época, ele estava tentando privatizar a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que era dona de uma rede de supermercados.
Augusto Lima arrematou em leilão a Ebal por R$ 15 milhões depois que o governo baiano previu no edital a operação de um cartão de crédito consignado, o Credcesta, que seria utilizado por mais de 400 mil servidores, pensionistas e aposentados da Bahia.
Em declarações anteriores, o próprio Wagner já admitiu que teve encontros com Lima naquela época para tentar destravar o negócio. Ele era secretário do então governador da Bahia, Rui Costa (PT), que foi ministro da Casa Civil de Lula neste mandato.
Depois do leilão, a gestão petista ainda concedeu uma exclusividade de mercado ao Credcesta por 15 anos, o que tornou o ativo ainda mais lucrativo. Lima procurou o Master para administrar o cartão, banco do qual viraria sócio, e expandiu a operação de consignados para outros estados.
A defesa de Augusto Lima, que já foi preso em fases anteriores, negou irregularidades e disse que ele sempre atuou dentro da lei. (Com informações do jornal O Globo)
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