Para 39%, isso ocorre “sempre”, e a soma dos que dizem “frequentemente” ou “às vezes” chega a 30%. (Foto: Freepik)
Um em cada cinco brasileiros (22%) diz já ter recebido oferta para vender o voto em algum período eleitoral, mostram dados inéditos de pesquisa Ipsos-Ipec. O levantamento também registra que a maioria dos entrevistados não se sente segura para denunciar o crime, tampouco saberia como fazê-lo.
Encomendada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, que lançou a campanha “Voto não tem preço, tem consequências”, a sondagem evidencia que os cargos municipais são os que mais motivam as tentativas de coagir eleitores. Sobretudo os vereadores, citados por 59% dos que relataram ter sido abordados por candidatos ou cabos eleitorais com a proposta. Prefeitos vêm em seguida, com 43%.
Também chama atenção a percepção das pessoas sobre a frequência com que a tentativa de cooptar sufrágios por meio de vantagens indevidas acontece onde elas moram, mesmo que não tenham sido diretamente abordadas. Para 39%, isso ocorre “sempre”, e a soma dos que dizem “frequentemente” ou “às vezes” chega a 30%.
“Numa outra pergunta sobre o que é considerado compra de voto, três quartos da população citam a oferta de dinheiro, o que é óbvio, mas há muitas outras formas de compra de voto que não chegam nem a 30%, como oferecer consultas médicas, facilitar acesso a benefícios sociais, oferecer churrasco ou festa, entre outras”, observa a socióloga Adelia Franceschini, consultora da pesquisa. “Temos dois problemas: um é a compra de votos em si, porque 22% já é muita gente. O outro é que cerca de 70% não entendem muitas moedas de troca como voto comprado, e sim como ‘favorzinho’”, afirma.
No recorte regional, o Nordeste é a região com maior incidência de entrevistados que apontaram ter recebido abordagens para vender o voto: 32%, dez pontos a mais que a média nacional e bem acima dos 18% do Sudeste, a mais populosa do país.
Cofundador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e ativista com décadas de atuação em causas do tipo, Chico Whitaker destaca a diferença de perfil que costuma ser observada nas tentativas de compra de voto em cada modelo de município, a depender do tamanho da população.
“Quanto menor a cidade, mais compra de votos. Mais gente depende de emprego na prefeitura, por exemplo. O dinheiro também é mais “útil”, ao permitir mais facilmente a satisfação de necessidades”, diz Whitaker. “Já nas cidades maiores, as cestas básicas são mais “práticas” para os candidatos.”
Existem diferentes formas de relatar o crime, que prevê pena de até quatro anos de detenção. Uma delas é por meio do Sistema Pardal, da Justiça Eleitoral e do Ministério Público. O aplicativo exige dados cadastrais, mas o denunciante pode depois solicitar proteção das informações.
Também é possível registrar um boletim de ocorrência em delegacias ou em promotorias, seja presencialmente ou por e-mail e ouvidoria dos sites.
O termo legal para a compra de voto é “captação de sufrágio”, caracterizada por “doar, oferecer, prometer, ou entregar, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da candidatura até o dia da eleição”.
A pesquisa foi feita pelo Ipsos-Ipec entre 4 e 8 de dezembro do ano passado, com 2000 entrevistas em 131 municípios. O nível de confiança utilizado é de 95%. A margem de erro para as perguntas que englobam toda a amostra é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e varia nos demais universos — quanto menos gente ouvida num tópico específico, maior a margem. (Com informações do portal O Globo)
Parlamentares buscam driblar o impedimento de ter acesso às contas da Maridt, empresa de Toffoli, que teve o sigilo quebrado pela CPI. (Foto: Luiz Silveira/STF) A CPI do Crime Organizado aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Fundo Arleen, responsável pela compra da participação da empresa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) …
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Um em cada cinco brasileiros já foi alvo de tentativa de compra de voto
Para 39%, isso ocorre “sempre”, e a soma dos que dizem “frequentemente” ou “às vezes” chega a 30%. (Foto: Freepik)
Um em cada cinco brasileiros (22%) diz já ter recebido oferta para vender o voto em algum período eleitoral, mostram dados inéditos de pesquisa Ipsos-Ipec. O levantamento também registra que a maioria dos entrevistados não se sente segura para denunciar o crime, tampouco saberia como fazê-lo.
Encomendada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, que lançou a campanha “Voto não tem preço, tem consequências”, a sondagem evidencia que os cargos municipais são os que mais motivam as tentativas de coagir eleitores. Sobretudo os vereadores, citados por 59% dos que relataram ter sido abordados por candidatos ou cabos eleitorais com a proposta. Prefeitos vêm em seguida, com 43%.
Também chama atenção a percepção das pessoas sobre a frequência com que a tentativa de cooptar sufrágios por meio de vantagens indevidas acontece onde elas moram, mesmo que não tenham sido diretamente abordadas. Para 39%, isso ocorre “sempre”, e a soma dos que dizem “frequentemente” ou “às vezes” chega a 30%.
“Numa outra pergunta sobre o que é considerado compra de voto, três quartos da população citam a oferta de dinheiro, o que é óbvio, mas há muitas outras formas de compra de voto que não chegam nem a 30%, como oferecer consultas médicas, facilitar acesso a benefícios sociais, oferecer churrasco ou festa, entre outras”, observa a socióloga Adelia Franceschini, consultora da pesquisa. “Temos dois problemas: um é a compra de votos em si, porque 22% já é muita gente. O outro é que cerca de 70% não entendem muitas moedas de troca como voto comprado, e sim como ‘favorzinho’”, afirma.
No recorte regional, o Nordeste é a região com maior incidência de entrevistados que apontaram ter recebido abordagens para vender o voto: 32%, dez pontos a mais que a média nacional e bem acima dos 18% do Sudeste, a mais populosa do país.
Cofundador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e ativista com décadas de atuação em causas do tipo, Chico Whitaker destaca a diferença de perfil que costuma ser observada nas tentativas de compra de voto em cada modelo de município, a depender do tamanho da população.
“Quanto menor a cidade, mais compra de votos. Mais gente depende de emprego na prefeitura, por exemplo. O dinheiro também é mais “útil”, ao permitir mais facilmente a satisfação de necessidades”, diz Whitaker. “Já nas cidades maiores, as cestas básicas são mais “práticas” para os candidatos.”
Existem diferentes formas de relatar o crime, que prevê pena de até quatro anos de detenção. Uma delas é por meio do Sistema Pardal, da Justiça Eleitoral e do Ministério Público. O aplicativo exige dados cadastrais, mas o denunciante pode depois solicitar proteção das informações.
Também é possível registrar um boletim de ocorrência em delegacias ou em promotorias, seja presencialmente ou por e-mail e ouvidoria dos sites.
O termo legal para a compra de voto é “captação de sufrágio”, caracterizada por “doar, oferecer, prometer, ou entregar, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da candidatura até o dia da eleição”.
A pesquisa foi feita pelo Ipsos-Ipec entre 4 e 8 de dezembro do ano passado, com 2000 entrevistas em 131 municípios. O nível de confiança utilizado é de 95%. A margem de erro para as perguntas que englobam toda a amostra é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e varia nos demais universos — quanto menos gente ouvida num tópico específico, maior a margem. (Com informações do portal O Globo)
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