Braga Netto, que é general de Exército, está preso desde dezembro em uma dependência militar no Rio, por exemplo. (Foto: Isac Nóbrega/PR)
A possibilidade de que mais generais venham a ser presos em unidades militares tem gerado desconforto crescente na cúpula das Forças Armadas. O tema é tratado com reserva em Brasília, mas relatos de bastidores indicam apreensão quanto ao impacto institucional e simbólico que a prisão de oficiais de alta patente pode ter sobre a tropa.
No núcleo central das investigações relacionadas à tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022, três oficiais-generais já foram condenados à prisão e aguardam a análise de recursos. São eles: Augusto Heleno, general de Exército e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional; Paulo Sérgio Nogueira, também general de Exército e ex-ministro da Defesa; e Almir Garnier, almirante e ex-comandante da Marinha.
Fontes militares afirmam que a situação de Braga Netto, em especial, tem causado desconforto entre oficiais de diferentes patentes. Por se tratar de um general de quatro estrelas, sua presença em uma instalação militar, sob custódia, rompe a rotina e gera embaraço entre os subordinados. Militares de patentes inferiores são responsáveis por vigiar o ex-ministro, entregar refeições e cumprir tarefas de rotina que envolvem a manutenção da custódia – circunstância que muitos consideram constrangedora dentro da rígida hierarquia da caserna.
Em conversas reservadas, alguns oficiais chegaram a sugerir que seria mais adequado transferir os generais para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde já se encontram outros presos envolvidos nos mesmos inquéritos. No entanto, a legislação militar prevê que oficiais mantenham o direito de cumprir prisão em unidades das Forças Armadas, exceto nos casos em que há perda formal da patente, o que ainda não ocorreu.
O mal-estar provocado por essa situação também foi relatado em episódios recentes. Segundo informações do blog da jornalista Ana Flor, do portal g1, durante a acareação entre Mauro Cid e Braga Netto no Supremo Tribunal Federal, o ex-ajudante de ordens evitou encarar o general nos olhos. Pessoas próximas relataram que Cid se sentiu constrangido por ainda considerar Braga Netto seu superior hierárquico, ressaltando que, na estrutura militar, a hierarquia é tratada como uma “questão de vida ou morte”. (Com informações do blog de Ana Flor, portal g1)
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2025-11-07
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