Processo passaria o banco de Daniel Vorcaro (foto) para as mãos da Fictor, cujas conversas continuaram mesmo após a prisão do banqueiro. (Foto: Reprodução)
Às 3h43 da manhã de 24 de dezembro de 2025 foi registrada a assinatura de Khamis Buharoon, diretor-geral da gestora de investimentos Royal Capital, dos Emirados Árabes, em um contrato com a Fictor para a aquisição conjunta do Banco Master. Os investidores estrangeiros e a empresa brasileira afirmavam manter interesse na compra da instituição financeira recém-liquidada pelo Banco Central, cujo dono, Daniel Vorcaro, havia sido preso pela Polícia Federal no mês anterior.
O contrato foi assinado digitalmente. Os nomes dos signatários apareciam acima de números de CPF. Buharoon não possui identidade brasileira. No entanto, abaixo de seu nome constava o CPF do português Ludgero de Sousa, empresário com atuação no País, que afirma representar a Royal Capital e é conhecido como intermediador de negócios no mundo árabe. Ele exibe nas redes sociais uma rotina de viagens em jatinhos, festas com sheiks e fotos ao lado de jogadores de futebol, artistas internacionais e celebridades. Outro signatário, o francês Eric Leandri, teve sua assinatura vinculada ao CPF do mestre de jiu-jítsu Renzo Gracie, amigo de Ludgero e de integrantes da família real dos Emirados Árabes ligados ao MMA.
O negócio nunca foi concluído. Dias depois, a Fictor entrou em recuperação judicial, alegando ter sofrido corrida bancária após ser associada à crise do Master. Segundo a empresa, as dívidas chegaram a R$ 4 bilhões – R$ 1 bilhão acima do valor que pretendia investir na operação.
Até então conhecida pelo patrocínio ao Palmeiras, a Fictor ganhou projeção em 17 de novembro, ao anunciar a compra do Master. A empresa começou no interior paulista prestando serviços de tecnologia e foi transformada por Rafael Gois em uma holding de investimentos voltada inicialmente a operações com grãos de milho e soja. Depois, expandiu os negócios para frigoríficos, energia solar e outros setores. Passou a ocupar um prédio em Cidade Monções, na Zona Sul de São Paulo, mas também acumulou cobranças da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por descumprimento de regras do mercado financeiro.
O plano previa que a Fictor investisse R$ 3 bilhões por metade do Master. As gestoras árabes Royal Capital e Patronus Wealth, além da suíça Monte Rosa, aportariam outros R$ 3 bilhões. Vorcaro e executivos da Fictor diziam que o banco passaria a se chamar “Banco Fictor” e planejavam selar o acordo com uma festa em Dubai, iluminando de verde as 1,2 milhão de lâmpadas do Burj Khalifa, o maior edifício do mundo.
Pelo contrato enviado ao BC, Vorcaro ficaria responsável por captar investidores estrangeiros e comprovar que o banco possuía R$ 8 bilhões em ativos sólidos. Rafael Gois admitiu ao Estadão que suspeitava da possibilidade de prisão de Vorcaro, embora tenha afirmado ter sido surpreendido pela liquidação do banco. Cláusulas contratuais protegiam a Fictor caso ativos, precatórios, imóveis e carteiras de crédito apresentassem valores inflados, origem fraudulenta ou sequer existissem. Nesse cenário, os valores seriam abatidos do negócio, reduzindo a operação simbolicamente a R$ 1.
Vorcaro buscou investidores nos Emirados Árabes e contou com o apoio de Michel Temer, contratado anteriormente para ajudar a acalmar bancos preocupados com o impacto do Master sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Temer também aproximou Vorcaro da Editora Três, dona da revista IstoÉ, posteriormente comprada em leilão pela Entre Pay, ligada a um parceiro do banqueiro investigado pela PF. Segundo quebra de sigilo fiscal do Master, Temer recebeu R$ 10 milhões do banco.
Em novembro, Temer esteve em Abu Dhabi após participar de evento do LIDE, grupo empresarial de João Doria, em Londres. Ao lado do empresário Mário Arruda, participou de jantar no palácio do sheik Abdullah Bin Rashid Al Mualla, vice-governante de um dos Emirados. Durante a conversa, Temer mencionou o Banco Master e ouviu do sheik que havia interesse em avaliar investimentos no sistema financeiro brasileiro. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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Tentativa de compra do Banco Master envolveu sheik árabe, ex-presidente Michel Temer, advogado preso e CPF de lutador de jiu-jitsu
Processo passaria o banco de Daniel Vorcaro (foto) para as mãos da Fictor, cujas conversas continuaram mesmo após a prisão do banqueiro. (Foto: Reprodução)
Às 3h43 da manhã de 24 de dezembro de 2025 foi registrada a assinatura de Khamis Buharoon, diretor-geral da gestora de investimentos Royal Capital, dos Emirados Árabes, em um contrato com a Fictor para a aquisição conjunta do Banco Master. Os investidores estrangeiros e a empresa brasileira afirmavam manter interesse na compra da instituição financeira recém-liquidada pelo Banco Central, cujo dono, Daniel Vorcaro, havia sido preso pela Polícia Federal no mês anterior.
O contrato foi assinado digitalmente. Os nomes dos signatários apareciam acima de números de CPF. Buharoon não possui identidade brasileira. No entanto, abaixo de seu nome constava o CPF do português Ludgero de Sousa, empresário com atuação no País, que afirma representar a Royal Capital e é conhecido como intermediador de negócios no mundo árabe. Ele exibe nas redes sociais uma rotina de viagens em jatinhos, festas com sheiks e fotos ao lado de jogadores de futebol, artistas internacionais e celebridades. Outro signatário, o francês Eric Leandri, teve sua assinatura vinculada ao CPF do mestre de jiu-jítsu Renzo Gracie, amigo de Ludgero e de integrantes da família real dos Emirados Árabes ligados ao MMA.
O negócio nunca foi concluído. Dias depois, a Fictor entrou em recuperação judicial, alegando ter sofrido corrida bancária após ser associada à crise do Master. Segundo a empresa, as dívidas chegaram a R$ 4 bilhões – R$ 1 bilhão acima do valor que pretendia investir na operação.
Até então conhecida pelo patrocínio ao Palmeiras, a Fictor ganhou projeção em 17 de novembro, ao anunciar a compra do Master. A empresa começou no interior paulista prestando serviços de tecnologia e foi transformada por Rafael Gois em uma holding de investimentos voltada inicialmente a operações com grãos de milho e soja. Depois, expandiu os negócios para frigoríficos, energia solar e outros setores. Passou a ocupar um prédio em Cidade Monções, na Zona Sul de São Paulo, mas também acumulou cobranças da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por descumprimento de regras do mercado financeiro.
O plano previa que a Fictor investisse R$ 3 bilhões por metade do Master. As gestoras árabes Royal Capital e Patronus Wealth, além da suíça Monte Rosa, aportariam outros R$ 3 bilhões. Vorcaro e executivos da Fictor diziam que o banco passaria a se chamar “Banco Fictor” e planejavam selar o acordo com uma festa em Dubai, iluminando de verde as 1,2 milhão de lâmpadas do Burj Khalifa, o maior edifício do mundo.
Pelo contrato enviado ao BC, Vorcaro ficaria responsável por captar investidores estrangeiros e comprovar que o banco possuía R$ 8 bilhões em ativos sólidos. Rafael Gois admitiu ao Estadão que suspeitava da possibilidade de prisão de Vorcaro, embora tenha afirmado ter sido surpreendido pela liquidação do banco. Cláusulas contratuais protegiam a Fictor caso ativos, precatórios, imóveis e carteiras de crédito apresentassem valores inflados, origem fraudulenta ou sequer existissem. Nesse cenário, os valores seriam abatidos do negócio, reduzindo a operação simbolicamente a R$ 1.
Vorcaro buscou investidores nos Emirados Árabes e contou com o apoio de Michel Temer, contratado anteriormente para ajudar a acalmar bancos preocupados com o impacto do Master sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Temer também aproximou Vorcaro da Editora Três, dona da revista IstoÉ, posteriormente comprada em leilão pela Entre Pay, ligada a um parceiro do banqueiro investigado pela PF. Segundo quebra de sigilo fiscal do Master, Temer recebeu R$ 10 milhões do banco.
Em novembro, Temer esteve em Abu Dhabi após participar de evento do LIDE, grupo empresarial de João Doria, em Londres. Ao lado do empresário Mário Arruda, participou de jantar no palácio do sheik Abdullah Bin Rashid Al Mualla, vice-governante de um dos Emirados. Durante a conversa, Temer mencionou o Banco Master e ouviu do sheik que havia interesse em avaliar investimentos no sistema financeiro brasileiro. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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