STF concluiu o julgamento dos acusados de serem os mandantes do crime
Foto: Antonio Augusto/STF
STF concluiu o julgamento dos acusados de serem os mandantes do crime. (Foto: Antonio Augusto/STF)
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão a 76 anos e 3 meses de prisão por planejar e mandar matar a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Eles também terão de pagar R$ 7 milhões em reparação de danos para familiares das vítimas.
Nesta manhã, o STF concluiu o julgamento dos acusados de serem os mandantes do crime. Votaram a favor os integrantes da Turma: ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, presidente da Turma.
Durante o julgamento, turma do STF concordou parcialmente com a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR). A única divergência foi em relação a Barbosa. Ele foi absolvido do crime de homicídio qualificado por “dúvida razoável”, mas acabou condenado por corrupção passiva e obstrução de justiça, por ter recebido dinheiro da milícia para atrapalhar as investigações. Ao todo, foi condenado a 18 anos de prisão.
Veja as penas fixadas e os crimes atribuídos a cada um dos condenados:
* Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do RJ: duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada — pena de 76 anos e 3 meses de prisão. * João Francisco Inácio Brazão, deputado cassado: duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada — pena de 76 anos e 3 meses de prisão. * Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ: obstrução à justiça corrupção passiva — pena de 18 anos de prisão. * Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar: duplo homicídio e homicídio tentado — pena de 56 anos de prisão. * Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão: organização criminosa — pena de 9 anos de prisão.
Os ministros decidiram por R$ 7 milhões em indenizações e reparação de danos, sendo:
* R$ 1 milhão em favor da ex-assessora de Marielle e sobrevivente do atentado, Fernanda Chaves, e da filha dela; * R$ 3 milhões em favor a Marielle (750 mil ao pai, 750 mil à mãe, 750 mil à filha, 750 mil à viúva); * R$ 3 milhões em favor da família de Anderson. * Também foi determinada a perda de função pública de Domingos Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald Pereira e Robson Calixto. Todos ficam inelegíveis.
Para os ministros, as provas reunidas ao longo do processo confirmam a participação de cada acusado nos crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República. De acordo com a Procuradoria, a execução foi motivada pela atuação política da vereadora para atrapalhar interesses dos irmãos Brazão, entre eles, a regularização de áreas comandadas por milícias no Rio de Janeiro. Segundo a PGR, não há dúvida de que os irmãos Brazão foram os mandantes dos crimes.
Em sua manifestação, Moraes destacou a motivação política do crime e também ações de queima de arquivo que, segundo o ministro, são caracterizadas pela atuação de milícias.
“Se juntou a questão política com misoginia, com racismo, com discriminação. Marielle era uma mulher preta, pobre, que estava peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? E na cabeça misógina de executores, quem iria ligar pra isso?”, afirmou o ministro.
O voto dele foi acompanhado pelos demais ministros. Segundo a votar, o ministro Cristiano Zanin acompanhou a manifestação na íntegra.
“A impunidade histórica de grupos de milícias serviu de combustível para a escalada de violência que culminou para o assassinato de uma parlamentar eleita”, disse Zanin. “Para as milícias e grupos relacionados matar significa apenas tirar uma pedra do caminho”.
A ministra Cármen Lúcia também votou para condenar os réus. Em uma fala que emocionou os presentes, a ministra disse que o caso feriu o Brasil todo.
“Eu me pergunto, senhoras e senhores, quantas ‘Marielles’ o Brasil permitirá que sejam assassinadas até que se ressuscite a ideia de justiça nesta pátria de tantas indignidades”, questionou a ministra.
“Esse processo me faz mal, pela impotência do direito diante da vida dilacerada”, prosseguiu. Flávio Dino, presidente da Turma, também seguiu o relator, tornando a decisão foi unânime. Em seu voto, ele criticou as investigações e alegou que isso foi corroborado com as delações.
“Uma investigação tão falha, tão negligente, só é possível na presença de elementos de muito poder. Esse crime foi pessimamente investigado, de modo doloso no início”, mencionou. (Com informações do portal g1)
Senador Weverton Rocha afirmou que Lula e Alcolumbre devem se encontrar na próxima semana. Foto: Agência Senado Senador Weverton Rocha afirmou que Lula e Alcolumbre devem se encontrar na próxima semana. (Foto: Agência Senado) O relator da indicação do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), senador Weverton Rocha (PDT-MA), disse nesta terça-feira (2) que o …
Relator Isnaldo Bulhões fez mudanças após projeto das reduções fiscais alterar receitas e benefícios tributários. (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados) A votação do projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 foi adiada para esta sexta-feira (19), após pedido do relator, Isnaldo Bulhões (MDB-AL), para ajustes técnicos no texto, em razão das mudanças recentes aprovadas …
Fraude bilionária do Banco Master segue nebulosa um ano após “ponta do iceberg”. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg) A “ponta do iceberg” do caso Master surgiu há um ano, quando o Banco de Brasília (BRB) fez uma frustrada tentativa de compra da instituição financeira de Daniel Vorcaro e trouxe à tona uma crise que já se arrastava …
Lula deve viajar a Washington em março, embora a data ainda não esteja definida. Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação Lula deve viajar a Washington em março, embora a data ainda não esteja definida. (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação) Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam transformar a aproximação com o presidente dos Estados Unidos, …
Supremo define condenações dos acusados por planejar e mandar matar Marielle Franco
STF concluiu o julgamento dos acusados de serem os mandantes do crime
Foto: Antonio Augusto/STF
STF concluiu o julgamento dos acusados de serem os mandantes do crime. (Foto: Antonio Augusto/STF)
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão a 76 anos e 3 meses de prisão por planejar e mandar matar a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Eles também terão de pagar R$ 7 milhões em reparação de danos para familiares das vítimas.
Nesta manhã, o STF concluiu o julgamento dos acusados de serem os mandantes do crime. Votaram a favor os integrantes da Turma: ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, presidente da Turma.
Durante o julgamento, turma do STF concordou parcialmente com a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR). A única divergência foi em relação a Barbosa. Ele foi absolvido do crime de homicídio qualificado por “dúvida razoável”, mas acabou condenado por corrupção passiva e obstrução de justiça, por ter recebido dinheiro da milícia para atrapalhar as investigações. Ao todo, foi condenado a 18 anos de prisão.
Veja as penas fixadas e os crimes atribuídos a cada um dos condenados:
* Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do RJ: duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada — pena de 76 anos e 3 meses de prisão.
* João Francisco Inácio Brazão, deputado cassado: duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada — pena de 76 anos e 3 meses de prisão.
* Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ: obstrução à justiça corrupção passiva — pena de 18 anos de prisão.
* Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar: duplo homicídio e homicídio tentado — pena de 56 anos de prisão.
* Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão: organização criminosa — pena de 9 anos de prisão.
Os ministros decidiram por R$ 7 milhões em indenizações e reparação de danos, sendo:
* R$ 1 milhão em favor da ex-assessora de Marielle e sobrevivente do atentado, Fernanda Chaves, e da filha dela;
* R$ 3 milhões em favor a Marielle (750 mil ao pai, 750 mil à mãe, 750 mil à filha, 750 mil à viúva);
* R$ 3 milhões em favor da família de Anderson.
* Também foi determinada a perda de função pública de Domingos Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald Pereira e Robson Calixto. Todos ficam inelegíveis.
Para os ministros, as provas reunidas ao longo do processo confirmam a participação de cada acusado nos crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República. De acordo com a Procuradoria, a execução foi motivada pela atuação política da vereadora para atrapalhar interesses dos irmãos Brazão, entre eles, a regularização de áreas comandadas por milícias no Rio de Janeiro. Segundo a PGR, não há dúvida de que os irmãos Brazão foram os mandantes dos crimes.
Em sua manifestação, Moraes destacou a motivação política do crime e também ações de queima de arquivo que, segundo o ministro, são caracterizadas pela atuação de milícias.
“Se juntou a questão política com misoginia, com racismo, com discriminação. Marielle era uma mulher preta, pobre, que estava peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? E na cabeça misógina de executores, quem iria ligar pra isso?”, afirmou o ministro.
O voto dele foi acompanhado pelos demais ministros. Segundo a votar, o ministro Cristiano Zanin acompanhou a manifestação na íntegra.
“A impunidade histórica de grupos de milícias serviu de combustível para a escalada de violência que culminou para o assassinato de uma parlamentar eleita”, disse Zanin. “Para as milícias e grupos relacionados matar significa apenas tirar uma pedra do caminho”.
A ministra Cármen Lúcia também votou para condenar os réus. Em uma fala que emocionou os presentes, a ministra disse que o caso feriu o Brasil todo.
“Eu me pergunto, senhoras e senhores, quantas ‘Marielles’ o Brasil permitirá que sejam assassinadas até que se ressuscite a ideia de justiça nesta pátria de tantas indignidades”, questionou a ministra.
“Esse processo me faz mal, pela impotência do direito diante da vida dilacerada”, prosseguiu. Flávio Dino, presidente da Turma, também seguiu o relator, tornando a decisão foi unânime. Em seu voto, ele criticou as investigações e alegou que isso foi corroborado com as delações.
“Uma investigação tão falha, tão negligente, só é possível na presença de elementos de muito poder. Esse crime foi pessimamente investigado, de modo doloso no início”, mencionou. (Com informações do portal g1)
Related Posts
Lula vai procurar presidente do Senado quando voltar de viagem do Nordeste, diz relator da indicação de Messias ao Supremo
Senador Weverton Rocha afirmou que Lula e Alcolumbre devem se encontrar na próxima semana. Foto: Agência Senado Senador Weverton Rocha afirmou que Lula e Alcolumbre devem se encontrar na próxima semana. (Foto: Agência Senado) O relator da indicação do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), senador Weverton Rocha (PDT-MA), disse nesta terça-feira (2) que o …
Congresso adia para esta sexta a votação do Orçamento de 2026
Relator Isnaldo Bulhões fez mudanças após projeto das reduções fiscais alterar receitas e benefícios tributários. (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados) A votação do projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 foi adiada para esta sexta-feira (19), após pedido do relator, Isnaldo Bulhões (MDB-AL), para ajustes técnicos no texto, em razão das mudanças recentes aprovadas …
Delação premiada de Daniel Vorcaro poderá esclarecer destino do dinheiro e apoio de autoridades e políticos ao Banco Master
Fraude bilionária do Banco Master segue nebulosa um ano após “ponta do iceberg”. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg) A “ponta do iceberg” do caso Master surgiu há um ano, quando o Banco de Brasília (BRB) fez uma frustrada tentativa de compra da instituição financeira de Daniel Vorcaro e trouxe à tona uma crise que já se arrastava …
Campanha de Lula deve enfatizar aproximação com Trump ao destacar ações internacionais
Lula deve viajar a Washington em março, embora a data ainda não esteja definida. Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação Lula deve viajar a Washington em março, embora a data ainda não esteja definida. (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação) Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam transformar a aproximação com o presidente dos Estados Unidos, …