“A meu ver, temos uma gritante, eloquente, insuportável omissão inconstitucional”, disse o ministro Flávio Dino.(Foto: Sophia Santos/STF)
O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou que há omissão do Congresso por não regulamentar um imposto sobre grandes fortunas. A Constituição de 1988 prevê, no artigo 145, a taxação progressiva. Segundo o texto, “sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte”.
A maioria na Corte foi formada com os votos de Marco Aurélio Mello (ministro aposentado), Flávio Dino, Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes.
Os ministros preferiram não fixar prazo para o Congresso aprovar legislação sobre o tema. A maioria decidiu que o julgamento servirá apenas como “advertência institucional”, ou seja, para acelerar a regulamentação. Os magistrados consideram que a Constituição é taxativa e que não cabe ao Legislativo fazer uma avaliação política sobre a criação do imposto.
“Se é tecnicamente e faticamente possível essa gradação dos impostos à luz do princípio da capacidade contributiva, não está no território da discricionariedade legislativa fazer ou não fazer”, afirmou Dino. “A meu ver, temos uma gritante, eloquente, insuportável omissão inconstitucional”, acrescentou o ministro.
Outro ponto levado em consideração é que o Legislativo teve 37 anos para regulamentar a taxação das grandes fortunas, mas não o fez.
A ação foi movida pelo PSOL em 2019. O relator, Marco Aurélio Mello, votou em 2021 a favor de reconhecer a omissão do Legislativo. Na ocasião, o julgamento foi suspenso por pedido de destaque do ministro Gilmar Mendes, que levou a discussão ao plenário físico.
VOTO VENCIDO.
O ministro Luiz Fux ficou vencido. Ao contrário dos colegas, Fux considerou que o Legislativo e o Executivo podem analisar a “conveniência” do imposto. “Nós temos que respeitar a opção política do governo”, argumentou. Edson Fachin e Gilmar Mendes estão ausentes e não participaram do julgamento.
A Constituição estabelece que “compete à União instituir imposto sobre grandes fortunas, nos termos de lei complementar”. Para o PSOL, esse trecho “permanece letra morta, por falta de lei complementar votada pelo Congresso”. “A regressividade que marca o sistema tributário não é apenas inconveniente, não é apenas errada, não é apenas injusta, é tudo isso”, afirmou Dino. “Mas, sobretudo, tenho convicção mais profunda de que estamos diante de uma situação inconstitucional, porque há uma incompatibilidade frontal com a dicção expressa da Carta Magna, no sentido de que os impostos devem ser graduados segundo o princípio da capacidade contributiva.”
A Câmara negou omissão e afirmou ao STF que há um projeto de lei sobre o caso pronto para ser votado em plenário. Em 2020, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que o Supremo afrontaria a separação entre os Poderes se aceitasse o pedido do PSOL.
No atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, costuma ser um defensor mais contundente da taxação dos chamados “super-ricos”. Em 2023, no primeiro ano do governo do petista, a pasta da Fazenda chegou a prever um potencial de arrecadação com a medida de cerca de R$ 45 bilhões até 2026. (As informações são de O Estado de S. Paulo)
https://www.osul.com.br/supremo-declara-omissao-do-congresso-por-nao-taxar-grandes-fortunas/ Supremo declara omissão do Congresso por não taxar grandes fortunas 2025-11-09
Ainda na decisão, Mendes aponta um “enorme desequilíbrio” nos “penduricalhos”. Foto: Gustavo Moreno/STJ Ainda na decisão, Mendes aponta um “enorme desequilíbrio” nos “penduricalhos”. (Foto: Gustavo Moreno/STJ) O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que verbas de caráter indenizatório, os chamados penduricalhos, somente podem ser pagas a integrantes do Poder Judiciário e do …
Desfile em Brasília contará com esquema especial de segurança. (Foto: Agência Brasil) Agência Brasileira de Inteligência (Abin) divulgou nessa quinta-feira (4) que vai implantar um Centro de Inteligência para monitorar as celebrações da Independência do Brasil, marcada no calendário em 7 de setembro. O funcionamento do Centro de Inteligência será em Brasília, mas haverá atuação …
O porcentual de desconfiança é o mais alto da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2023.(Foto: Luiz Silveira/STF) A condução do inquérito do Banco Master pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a suspeita de que integrantes da Corte teriam se beneficiado financeiramente da relação com o banqueiro Daniel Vorcaro produziram efeito negativo na …
Lula também afirmou que o governo não pode interferir em decisões da Justiça.(Foto: Reprodução/YouTube) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom em cadeia nacional de rádio e TV em discurso focado na defesa da soberania. O presidente decidiu criticar bolsonaristas, qualificando-os como “traidores da pátria”. — Defendemos a nossa democracia e …
Supremo declara omissão do Congresso por não taxar grandes fortunas
“A meu ver, temos uma gritante, eloquente, insuportável omissão inconstitucional”, disse o ministro Flávio Dino.(Foto: Sophia Santos/STF)
O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou que há omissão do Congresso por não regulamentar um imposto sobre grandes fortunas. A Constituição de 1988 prevê, no artigo 145, a taxação progressiva. Segundo o texto, “sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte”.
A maioria na Corte foi formada com os votos de Marco Aurélio Mello (ministro aposentado), Flávio Dino, Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes.
Os ministros preferiram não fixar prazo para o Congresso aprovar legislação sobre o tema. A maioria decidiu que o julgamento servirá apenas como “advertência institucional”, ou seja, para acelerar a regulamentação. Os magistrados consideram que a Constituição é taxativa e que não cabe ao Legislativo fazer uma avaliação política sobre a criação do imposto.
“Se é tecnicamente e faticamente possível essa gradação dos impostos à luz do princípio da capacidade contributiva, não está no território da discricionariedade legislativa fazer ou não fazer”, afirmou Dino. “A meu ver, temos uma gritante, eloquente, insuportável omissão inconstitucional”, acrescentou o ministro.
Outro ponto levado em consideração é que o Legislativo teve 37 anos para regulamentar a taxação das grandes fortunas, mas não o fez.
A ação foi movida pelo PSOL em 2019. O relator, Marco Aurélio Mello, votou em 2021 a favor de reconhecer a omissão do Legislativo. Na ocasião, o julgamento foi suspenso por pedido de destaque do ministro Gilmar Mendes, que levou a discussão ao plenário físico.
VOTO VENCIDO.
O ministro Luiz Fux ficou vencido. Ao contrário dos colegas, Fux considerou que o Legislativo e o Executivo podem analisar a “conveniência” do imposto. “Nós temos que respeitar a opção política do governo”, argumentou. Edson Fachin e Gilmar Mendes estão ausentes e não participaram do julgamento.
A Constituição estabelece que “compete à União instituir imposto sobre grandes fortunas, nos termos de lei complementar”. Para o PSOL, esse trecho “permanece letra morta, por falta de lei complementar votada pelo Congresso”. “A regressividade que marca o sistema tributário não é apenas inconveniente, não é apenas errada, não é apenas injusta, é tudo isso”, afirmou Dino. “Mas, sobretudo, tenho convicção mais profunda de que estamos diante de uma situação inconstitucional, porque há uma incompatibilidade frontal com a dicção expressa da Carta Magna, no sentido de que os impostos devem ser graduados segundo o princípio da capacidade contributiva.”
A Câmara negou omissão e afirmou ao STF que há um projeto de lei sobre o caso pronto para ser votado em plenário. Em 2020, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que o Supremo afrontaria a separação entre os Poderes se aceitasse o pedido do PSOL.
No atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, costuma ser um defensor mais contundente da taxação dos chamados “super-ricos”. Em 2023, no primeiro ano do governo do petista, a pasta da Fazenda chegou a prever um potencial de arrecadação com a medida de cerca de R$ 45 bilhões até 2026. (As informações são de O Estado de S. Paulo)
https://www.osul.com.br/supremo-declara-omissao-do-congresso-por-nao-taxar-grandes-fortunas/
Supremo declara omissão do Congresso por não taxar grandes fortunas
2025-11-09
Related Posts
Ministro Gilmar Mendes manda suspender “penduricalhos” do Ministério Público e do Judiciário
Ainda na decisão, Mendes aponta um “enorme desequilíbrio” nos “penduricalhos”. Foto: Gustavo Moreno/STJ Ainda na decisão, Mendes aponta um “enorme desequilíbrio” nos “penduricalhos”. (Foto: Gustavo Moreno/STJ) O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que verbas de caráter indenizatório, os chamados penduricalhos, somente podem ser pagas a integrantes do Poder Judiciário e do …
Governo monitora realização de atos no 7 de Setembro
Desfile em Brasília contará com esquema especial de segurança. (Foto: Agência Brasil) Agência Brasileira de Inteligência (Abin) divulgou nessa quinta-feira (4) que vai implantar um Centro de Inteligência para monitorar as celebrações da Independência do Brasil, marcada no calendário em 7 de setembro. O funcionamento do Centro de Inteligência será em Brasília, mas haverá atuação …
A desconfiança do brasileiro em relação ao Supremo atingiu o pico após o escândalo envolvendo o Banco Master
O porcentual de desconfiança é o mais alto da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2023.(Foto: Luiz Silveira/STF) A condução do inquérito do Banco Master pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a suspeita de que integrantes da Corte teriam se beneficiado financeiramente da relação com o banqueiro Daniel Vorcaro produziram efeito negativo na …
Lula manda recado a Trump e critica políticos “traidores da pátria”
Lula também afirmou que o governo não pode interferir em decisões da Justiça.(Foto: Reprodução/YouTube) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom em cadeia nacional de rádio e TV em discurso focado na defesa da soberania. O presidente decidiu criticar bolsonaristas, qualificando-os como “traidores da pátria”. — Defendemos a nossa democracia e …