Junção dos partidos ainda depende de aval do Tribunal Superior Eleitoral. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Ainda em processo de consolidação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a federação entre União Brasil e PP, batizada de União Progressista, acumula baixas e conflitos locais que ameaçam sua viabilidade antes mesmo da formalização. A promessa de unir duas legendas de perfil liberal-conservador para ampliar o espaço da direita no Congresso e construir um palanque robusto para 2026 transformou-se em um mosaico de disputas regionais, desfiliações e desconfiança entre dirigentes.
A federação, articulada pelos presidentes partidários Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União), enfrenta resistência interna e críticas públicas de líderes, como o governador Ronaldo Caiado (União-GO). Para esse grupo, a avaliação é que o projeto acabou amplificando rivalidades locais e acelerando saídas.
Dirigentes dos dois partidos reconhecem as dificuldades, mas avaliam que desfiliações e debandadas são naturais quando duas legendas grandes se unem e que, ao mesmo tempo que há saídas, novos quadros serão atraídos para os dois partidos.
Em uma federação, os partidos precisam ter a mesma posição nas eleições municipais, estaduais e para Presidência por no mínimo quatro anos. Em troca, somam forças com o fundo partidário, eleitoral, tempo de propaganda e bancadas no Congresso, tornando-se um grupo influente e decisivo nas principais disputas eleitorais do País.
Mesmo com as disputas regionais, as cúpulas nacionais das duas legendas dizem que a federação irá se concretizar e que a aliança entre União e PP será benéfica para as duas legendas. Mas há contestação.
“Essa tentativa de federação está levando à perda de deputados e a conflitos internos na maioria dos estados. Deveria se refluir, já que ainda está em fase de noivado, sem homologação. O mais prudente seria rever o processo e continuar aliados, respeitando as características de cada estado”, diz Caiado.
Um dos casos de divergência mais emblemáticos ocorreu no Paraná, onde dois dos principais nomes da bancada ruralista romperam com o bloco. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Pedro Lupion, deixou o PP e se filiou ao Republicanos, em movimento avalizado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Já o deputado Felipe Francischini também deve deixar o União e migrar para o Podemos, partido que passa por uma reestruturação sob seu comando e deve integrar o grupo do governador Ratinho Júnior (PSD) na disputa estadual de 2026.
As desfiliações acontecem em meio ao fortalecimento do senador Sergio Moro (União-PR) no partido. Ele conseguiu o aval da cúpula nacional da sigla para uma intervenção no diretório estadual do Paraná, que deixou de ser de Francischini, e está sob seu comando.
Moro é pré-candidato a governador e tem liderado as pesquisas. Por outro lado, Francischini e Lupion são aliados de Ratinho, que ainda vai decidir quem irá apoiar como sucessor. A tendência é que seja um nome do PSD e rivalize com Moro. O PP é da base de Ratinho e tem demonstrado contrariedade com a pré-candidatura do ex-juiz.
Além das disputas internas de poder, há também divergências pelo comando da federação nos maiores colégios eleitorais, ainda que não haja necessariamente atritos entre os dois partidos. Um exemplo é o Rio, onde o cenário estadual das legendas está indefinido após o presidente da Assembleia, Rodrigo Bacellar (União Brasil), não conseguir ter o apoio da oposição para ser candidato contra a provável tentativa do prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), de ser governador.
O diretório do União no Rio é presidido pelo próprio Bacellar, mas concentra várias alas internas e abriga tanto aqueles que querem uma candidatura contra Paes, quanto quem negocia apoio ao prefeito. A sigla no Estado também está sob forte influência da cúpula nacional da legenda. O presidente do União, Antonio Rueda, é também vice-presidente do partido no Rio e tenta ser candidato a deputado federal.
Por sua vez, o PP do Rio tem uma maior coesão interna, mas também não decidiu o rumo que irá tomar na eleição estadual. O presidente do diretório é o deputado Doutor Luizinho, líder do partido na Câmara, que tem diálogo aberto com Paes, mas também com o bolsonarismo, que deseja lançar candidatura contra o prefeito. (Com informações do jornal O Globo)
https://www.osul.com.br/superfederacao-entre-os-partidos-progressista-e-uniao-brasil-sofre-debandada-antes-de-oficializacao/ Superfederação entre os partidos Progressistas e União Brasil sofre debandada antes de oficialização 2025-11-10
Segundo integrantes do Judiciário e do governo, Lula já teria decidido dar a cadeira de Barroso a Messias, mas não disse isso ao ministro aposentado. (Foto: STF) Horas antes de se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para jantar no Palácio da Alvorada, …
Quase metade dos discursos cita ataque golpista ou articulação por perdão. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados) O debate sobre os ataques do 8 de Janeiro e a anistia aos envolvidos na tentativa de golpe liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro impulsionaram a discussão sobre ditadura militar na Câmara dos Deputados. Um levantamento feito pela Folha de …
Barroso poderia ficar no Supremo até 2033, quando completa 75 anos. (Foto: Antonio Augusto/STF) Antes de anunciar a sua aposentadoria nessa quinta-feira (9), o ministro Luís Roberto Barroso ouviu o apelo de três colegas da Corte para não antecipar a sua saída da Corte. Aos 67 anos de idade, Barroso poderia ficar no Supremo até …
Deputada foi eleita presidente na semana passada apesar de tentativa de boicote da oposição. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) A estreia de Erika Hilton na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados foi marcada por tensão e embates com parlamentares da oposição. A reunião desta semana começou com um …
Superfederação entre os partidos Progressistas e União Brasil sofre debandada antes de oficialização
Junção dos partidos ainda depende de aval do Tribunal Superior Eleitoral. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Ainda em processo de consolidação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a federação entre União Brasil e PP, batizada de União Progressista, acumula baixas e conflitos locais que ameaçam sua viabilidade antes mesmo da formalização. A promessa de unir duas legendas de perfil liberal-conservador para ampliar o espaço da direita no Congresso e construir um palanque robusto para 2026 transformou-se em um mosaico de disputas regionais, desfiliações e desconfiança entre dirigentes.
A federação, articulada pelos presidentes partidários Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União), enfrenta resistência interna e críticas públicas de líderes, como o governador Ronaldo Caiado (União-GO). Para esse grupo, a avaliação é que o projeto acabou amplificando rivalidades locais e acelerando saídas.
Dirigentes dos dois partidos reconhecem as dificuldades, mas avaliam que desfiliações e debandadas são naturais quando duas legendas grandes se unem e que, ao mesmo tempo que há saídas, novos quadros serão atraídos para os dois partidos.
Em uma federação, os partidos precisam ter a mesma posição nas eleições municipais, estaduais e para Presidência por no mínimo quatro anos. Em troca, somam forças com o fundo partidário, eleitoral, tempo de propaganda e bancadas no Congresso, tornando-se um grupo influente e decisivo nas principais disputas eleitorais do País.
Mesmo com as disputas regionais, as cúpulas nacionais das duas legendas dizem que a federação irá se concretizar e que a aliança entre União e PP será benéfica para as duas legendas. Mas há contestação.
“Essa tentativa de federação está levando à perda de deputados e a conflitos internos na maioria dos estados. Deveria se refluir, já que ainda está em fase de noivado, sem homologação. O mais prudente seria rever o processo e continuar aliados, respeitando as características de cada estado”, diz Caiado.
Um dos casos de divergência mais emblemáticos ocorreu no Paraná, onde dois dos principais nomes da bancada ruralista romperam com o bloco. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Pedro Lupion, deixou o PP e se filiou ao Republicanos, em movimento avalizado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Já o deputado Felipe Francischini também deve deixar o União e migrar para o Podemos, partido que passa por uma reestruturação sob seu comando e deve integrar o grupo do governador Ratinho Júnior (PSD) na disputa estadual de 2026.
As desfiliações acontecem em meio ao fortalecimento do senador Sergio Moro (União-PR) no partido. Ele conseguiu o aval da cúpula nacional da sigla para uma intervenção no diretório estadual do Paraná, que deixou de ser de Francischini, e está sob seu comando.
Moro é pré-candidato a governador e tem liderado as pesquisas. Por outro lado, Francischini e Lupion são aliados de Ratinho, que ainda vai decidir quem irá apoiar como sucessor. A tendência é que seja um nome do PSD e rivalize com Moro. O PP é da base de Ratinho e tem demonstrado contrariedade com a pré-candidatura do ex-juiz.
Além das disputas internas de poder, há também divergências pelo comando da federação nos maiores colégios eleitorais, ainda que não haja necessariamente atritos entre os dois partidos. Um exemplo é o Rio, onde o cenário estadual das legendas está indefinido após o presidente da Assembleia, Rodrigo Bacellar (União Brasil), não conseguir ter o apoio da oposição para ser candidato contra a provável tentativa do prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), de ser governador.
O diretório do União no Rio é presidido pelo próprio Bacellar, mas concentra várias alas internas e abriga tanto aqueles que querem uma candidatura contra Paes, quanto quem negocia apoio ao prefeito. A sigla no Estado também está sob forte influência da cúpula nacional da legenda. O presidente do União, Antonio Rueda, é também vice-presidente do partido no Rio e tenta ser candidato a deputado federal.
Por sua vez, o PP do Rio tem uma maior coesão interna, mas também não decidiu o rumo que irá tomar na eleição estadual. O presidente do diretório é o deputado Doutor Luizinho, líder do partido na Câmara, que tem diálogo aberto com Paes, mas também com o bolsonarismo, que deseja lançar candidatura contra o prefeito. (Com informações do jornal O Globo)
https://www.osul.com.br/superfederacao-entre-os-partidos-progressista-e-uniao-brasil-sofre-debandada-antes-de-oficializacao/
Superfederação entre os partidos Progressistas e União Brasil sofre debandada antes de oficialização
2025-11-10
Related Posts
Vaga de ministro do Supremo: Lula pede opinião de Barroso sobre Messias, Pacheco e Bruno Dantas
Segundo integrantes do Judiciário e do governo, Lula já teria decidido dar a cadeira de Barroso a Messias, mas não disse isso ao ministro aposentado. (Foto: STF) Horas antes de se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para jantar no Palácio da Alvorada, …
Anistia aos participantes do 8 de Janeiro impulsiona debate sobre o regime militar entre deputados
Quase metade dos discursos cita ataque golpista ou articulação por perdão. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados) O debate sobre os ataques do 8 de Janeiro e a anistia aos envolvidos na tentativa de golpe liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro impulsionaram a discussão sobre ditadura militar na Câmara dos Deputados. Um levantamento feito pela Folha de …
Ministro do Supremo Luís Roberto Barroso ouviu apelo de três ministros do Tribunal para não antecipar sua saída
Barroso poderia ficar no Supremo até 2033, quando completa 75 anos. (Foto: Antonio Augusto/STF) Antes de anunciar a sua aposentadoria nessa quinta-feira (9), o ministro Luís Roberto Barroso ouviu o apelo de três colegas da Corte para não antecipar a sua saída da Corte. Aos 67 anos de idade, Barroso poderia ficar no Supremo até …
Estreia da deputada federal Erika Hilton na presidência da Comissão da Mulher é marcada por disputa e acusação
Deputada foi eleita presidente na semana passada apesar de tentativa de boicote da oposição. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) A estreia de Erika Hilton na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados foi marcada por tensão e embates com parlamentares da oposição. A reunião desta semana começou com um …