Negociações foram retomadas na semana passada, mas ainda não houve avanço concreto. (Foto: Arquivo/Master)
As negociações para uma nova tentativa de fechar um acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro começaram na semana passada em duas reuniões separadas dos advogados dele com integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e delegados da Polícia Federal (PF). De acordo com os envolvidos nas conversas, não se pode dizer que houve uma evolução, porque ainda não foi feita nenhuma sinalização mais concreta do que será oferecido desta vez. Mas uma condição para evitar que a proposta seja rejeitada de novo já foi colocada nas duas reuniões: se quiser realmente um acordo, Vorcaro precisa parar de tentar se defender e realmente assumir crimes.
A primeira proposta, rejeitada no último dia 20, foi considerada insuficiente, por não relatar fatos que já tinham sido descobertos pelos investigadores e seletiva por tentar proteger pessoas e esconder coisas que deveriam ser óbvias. Mas, na avaliação de fontes ligadas à negociação, isso decorreu em boa parte do fato de que Vorcaro se recusava a admitir culpa nos fatos que levaram à sua prisão, em novembro passado.
O exemplo do senador Ciro Nogueira (PP-PI), é exemplar. Os anexos de Vorcaro não falavam do pagamento de uma mesada de R$ 500 mil e de despesas de luxo como viagens e jantares na Europa. Mas mencionava a sociedade na empresa utilizada como veículo e não abordava a apresentação da chamada “emenda Master”, que propunha aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para os investidores que compravam CDBs.
De tão suave como senador, o capítulo sobre ele foi chamado por investigadores de “a beatificação de Ciro”.
A primeira proposta também não trazia nos anexos detalhes sobre a influência de Cláudio Castro nos aportes do Rioprevidência em papéis do banco Master.
Daí a constatação de um integrante da equipe que negocia com os advogados de Vorcaro: se ele não mudar de postura, se não sair da defensiva e abandonar o discurso de vítima, de nada vai adiantar voltar com mais anexos. “Ele precisa aceitar que uma delação presume confissão de crimes, não é instrumento de defesa”, diz esse investigador.
Reconstruir pontes
Os advogados de Vorcaro também têm uma missão paralela: tentar reconstruir as pontes com o relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Conforme o blog da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, os defensores de Vorcaro deixaram de ter acesso ao gabinete de Mendonça, que passou a se comunicar com eles apenas por escrito, por meio de petições, depois que José de Oliveira Lima o advogado anterior, decidiu bancar a proposta oferecida por Vorcaro.
Ao relator do caso no STF, ministro André Mendonça, ele disse que apelaria à Segunda Turma da Corte caso a colaboração não fosse homologada, o que foi encarado como uma ameaça pelo magistrado, que deixou de receber a equipe do banqueiro em seu gabinete.
Com a rejeição da proposta, Vorcaro deixou a sala de Estado-Maior da superintendência da PF no Distrito Federal e foi para uma cela de passagem que, segundo seus advogados, contava com instalações muito piores do que as carceragens pelas quais o banqueiro passou desde sua prisão em março passado.
A decisão foi encarada como um “reset” nas tratativas. Cabe agora à defesa convencer Vorcaro a passar de vítima a culpado para conseguir avançar com um acordo. (Com informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo)
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Saiba as condições da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal para aceitar a nova delação premiada de Daniel Vorcaro
Negociações foram retomadas na semana passada, mas ainda não houve avanço concreto. (Foto: Arquivo/Master)
As negociações para uma nova tentativa de fechar um acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro começaram na semana passada em duas reuniões separadas dos advogados dele com integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e delegados da Polícia Federal (PF). De acordo com os envolvidos nas conversas, não se pode dizer que houve uma evolução, porque ainda não foi feita nenhuma sinalização mais concreta do que será oferecido desta vez. Mas uma condição para evitar que a proposta seja rejeitada de novo já foi colocada nas duas reuniões: se quiser realmente um acordo, Vorcaro precisa parar de tentar se defender e realmente assumir crimes.
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O exemplo do senador Ciro Nogueira (PP-PI), é exemplar. Os anexos de Vorcaro não falavam do pagamento de uma mesada de R$ 500 mil e de despesas de luxo como viagens e jantares na Europa. Mas mencionava a sociedade na empresa utilizada como veículo e não abordava a apresentação da chamada “emenda Master”, que propunha aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para os investidores que compravam CDBs.
De tão suave como senador, o capítulo sobre ele foi chamado por investigadores de “a beatificação de Ciro”.
A primeira proposta também não trazia nos anexos detalhes sobre a influência de Cláudio Castro nos aportes do Rioprevidência em papéis do banco Master.
Daí a constatação de um integrante da equipe que negocia com os advogados de Vorcaro: se ele não mudar de postura, se não sair da defensiva e abandonar o discurso de vítima, de nada vai adiantar voltar com mais anexos. “Ele precisa aceitar que uma delação presume confissão de crimes, não é instrumento de defesa”, diz esse investigador.
Reconstruir pontes
Os advogados de Vorcaro também têm uma missão paralela: tentar reconstruir as pontes com o relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Conforme o blog da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, os defensores de Vorcaro deixaram de ter acesso ao gabinete de Mendonça, que passou a se comunicar com eles apenas por escrito, por meio de petições, depois que José de Oliveira Lima o advogado anterior, decidiu bancar a proposta oferecida por Vorcaro.
Ao relator do caso no STF, ministro André Mendonça, ele disse que apelaria à Segunda Turma da Corte caso a colaboração não fosse homologada, o que foi encarado como uma ameaça pelo magistrado, que deixou de receber a equipe do banqueiro em seu gabinete.
Com a rejeição da proposta, Vorcaro deixou a sala de Estado-Maior da superintendência da PF no Distrito Federal e foi para uma cela de passagem que, segundo seus advogados, contava com instalações muito piores do que as carceragens pelas quais o banqueiro passou desde sua prisão em março passado.
A decisão foi encarada como um “reset” nas tratativas. Cabe agora à defesa convencer Vorcaro a passar de vítima a culpado para conseguir avançar com um acordo. (Com informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo)
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